A Trilha da Mordred
Os agentes têm muitas faces!
CICLO Mordred
18
A TRILHA DA MORDRED
POR
JÜRGEN FREIER
IMAGEM DA CAPA
ROLAND WOLF E RAIMUND PETERS
Título Original:
Die Spur der Mordred
Tradução:
Dirceu Alvir Rudnick
Revisão:
Márcio Inácio Silva
Marcos Roberto
Formatação final para liberação no Projeto Traduções:
Márcio Inácio Silva
Capa em português
Manuel de Luques
Conversão para os formatos ePub, PDF e Mobi:
José Antonio
Publicação não comercial
O projeto Dorgon – ciclo Mordred – é uma publicação não comercial feita por fãs do Centro de fãs do PERRY RHODAN e. V., Rastatt (Tribunal Distrital de Mannheim, VR 520740) e representada por Nils Hirseland, Redder 15, 23730 Sierksdorf. Esta fanfic foi escrita por fãs para fãs da série PERRY RHODAN.
A tradução para o Português do Brasil é feita com autorização de Nils Hirseland.
Perry Rhodan®, Atlan®, Icho Tolot®, Reginald Bull® e Gucky ® são marcas registradas
Perry Rhodan KG, Rastatt, Alemanha (PR KG),
Star Sistemas e Projetos Gráficos Ltda., Belo Horizonte, Brasil
www.projtrad.org/dorgon
dorgon@projtrad.org
Registra-se o ano de 1290 NCG. Os portadores de ativador celular estão espalhados por todo o universo, exceto Homer G. Adams, para lutar contra Shabazza e seu mestre. De repente, a organização terrorista Mordred entra em ação e ataca várias filias de Camelot. Adams esta profundamente abalado e pouco pode fazer contra esses ataques direcionados.
Em Mashratan, uma antiga colônia do Império Solar, os camelotianos conseguem, com a ajuda da LTL, infligir à primeira derrota a Mordred. Dois líderes do grupo terrorista estão mortos. Mas a organização terrorista não está derrotada e abre, com a destruição do planeta Sverigor com mais de 2 milhões de criaturas, cuja administração, por sua vez, planejava exterminar a Humanidade, uma nova dimensão do terror. O somerense Sruel Allok Mok, em nome de Homer G. Adams, tenta encontrar na BASE pistas sobre Cauthon Despair e a organização terrorista por trás dele, e acaba encontrando a TRILHA DA MORDRED…
Personagens principais deste episódio:
Sruel Allok Mok “Sam” – A pista do terror conduz o diplomata somerense a serviço de Camelot para a BASE.
Rebekka DeMonn – A chefe de operações do SLT recebe uma denúncia sobre a existência de um infiltrado dentro do SLT.
Will Dean – O agente do SLT deve impedir a maior fuga de segredos da história do SLT.
Celine Ahornd – A agente de operações especiais do SLT está sob suspeita de ter roubado dados importantes do SLT.
Romano Nelder – O ex-guardião de Vhrato tem experiências infelizes.
Sha-Hir-R’yar – A assassina gosta de brincar de gato e rato.
Sam Tyler e Japar – Os Mercenários independentes são recrutados a força para uma missão perigosa.
Loucura terrorista ou necessidade amarga?
O planeta Sverigor foi destruído pela suposta organização terrorista Mordred por uma bomba de Árcon. Quase dois bilhões de seres morreram naquele inferno nuclear.
Mas, caros cidadãos terranos, isso é apenas um lado da moeda! O reverso é mais uma vez varrido para baixo do tapete pela grande imprensa, o que não é permitido é simplesmente ocultado e acaba sendo vítima da autocensura da imprensa militante galactofílica. Os lacaios obcecados pelas raças alienígenas não-humanas, que haviam tomado o poder em Sverigor, planejavam espalhar pela Via Láctea uma nanocultura letal para todos os seres humanos, o que teria significado o fim da Humanidade. Sim, queridos concidadãos, a criminosa Autoridade de Politicamente Correto planejava de fato destruir e exterminar todos os seres vivos que, nas vastidões da Via Láctea e de Andrômeda, carregam em seus genes o legado dos gloriosos lemurenses, dano início a um genocídio de proporções inimagináveis.
Isso nos leva a uma questão: será que a Mordred é realmente um grupo terrorista insano ou não serão justamente os benfeitores e os defensores dos alienígenas da LTL e de Camelot os verdadeiros terroristas, por terem permitindo que tais vírus assassinos, mortíferos, misantropos e ímpios fossem desenvolvidos contra nós, seres humanos?
No entanto, uma coisa deve ser dita em alto e bom tom diante da tragédia de Sverigor:
Nossos agradecimentos, o agradecimento de todos os verdadeiros filhos de Lemúria, são devidos neste momento ao desconhecido salvador a bordo de um disco-leka arcônida, que nesta hora de provação, não hesitou em devolver aos seus irmão e irmãs arcônidas, mas também a cada terrano — em suma, a todos os seres humanos — o futuro que já havia sido desperdiçado pela covardia e pela conformidade. E, isso também deve ser dito aqui, em Sverigor não pode ter havido vítimas inocentes, já que a camarilha dominante de misantropos no topo da sociedade sverigornense representava apenas o reflexo da mistura profana de um poço multicultural condenável.
Que Vhrato e seus heróis estejam ao nosso lado e protejam nosso povo do ódio e da ganância das raças alienígenas!
Bekket Glyn, jornalista freelancer.
Homer G. Adams olhava atônito para aquele tratado, que acabara de ser transmitido pela rede de notícias galáctica e que, como o registro de números de acesso mostrava, estava envenenando milhões e milhões de corações com seu racismo descarado. Bekket Glyn, o propagandista do governo Eavan, já destituído, havia ressurgido do esquecimento e continuava sua propaganda desastrosa exatamente de onde ele parou após a derrota de Eavan. E, isso era realmente opressivo, ele parecia ter sucesso se alguém pudesse acreditar no número de registros de acesso.
A destruição de Sverigor representou uma catástrofe, uma tragédia para a comunidade galáctica. No entanto, ela trazia consigo o amargo sabor de que as elites de Sverigor desprezavam tanto a Humanidade a ponto de quererem torná-la infértil por meio de um nanovírus e, em seguida, exterminá-la. Este extremismo, esse ódio mútuo dos povos galácticos, abalou o imortal até na medula. Mais do que nunca, os galácticos precisavam do exemplo e da política de equilíbrio de Camelot. Alguém precisava parar com essa loucura, caso contrário, muitos outros seres seriam vítimas das ideologias dos fanáticos. Era errado condenar um lado e aprovar o outro. Nem a Mordred deveria ser celebrado como salvadores da raça humana, nem os sverigornenses elevados a mártires. Ele se sentia atormentado por uma lembrança de uma época que outrora acreditava ter sido superada há muito tempo pelo salto evolutivo que acompanhou a ativação dos cronofósseis. Bom ou mal, preto ou branco, este pensamento tinha sido típico daquela época. E agora parecia que justamente esse pensamento unidimensional se espalhava por toda a Via Láctea e envenenava a relação entre os povos galácticos.
Durante suas reflexões, Joak Cascal, comandante da TAKVORIAN, anunciou seu retorno a Camelot. Quase indiretamente, ele confirmou a mensagem e encerrou a ligação.
O pequeno homem com os cabelos ralos fitava com um olhar vazio a tela apagada do terminal de comunicação, que segundos antes exibia a imagem de Joak Cascal e, antes disso, o texto difamatório de Glyn. Na situação atual, o antigo campeão de tempos passados, que emergiu como uma fênix das cinzas do passado era o único raio de esperança na situação atual. E a situação, para caracterizá-la em uma palavra, era uma merda. Sua mão apanhou automaticamente o copo, que ainda estava meio cheio na pequena mesa ao lado do terminal. Avidamente, ele bebeu o líquido âmbar. O álcool queimou no esôfago e, pouco depois, espalhou um calor agradável em seu abdômen. Simultaneamente, ele registrou os impulsos de seu chip ativador celular, que já neutralizou o álcool consumido.
Lentamente, Homer G. Adams levantou-se e, abatido, atravessou a passagem para a galeria, que circundava ao redor até o topo da pirâmide isósceles do QG de Camelot. O servoautômato registrou o desejo do imortal e abriu o portal formado de energia moldada. Perdido em pensamentos, ele caminhou até a balaustrada, onde ele se apoiou no parapeito com as duas mãos e contemplou a panorâmica de Port Arthur. Ao fundo, pulsava a próspera metrópole que formava o centro de Camelot. O controle climático tinha planejado para os próximos dias um período de bom tempo, de modo que o servo havia desativado a antiga galeria de observação. O vento fresco que girava em torno do topo da pirâmide, agarrou seus cabelos enquanto Ceres desapareceu lentamente abaixo do horizonte, dando à cidade um colorido por do sol, mas os pensamentos opressivos permaneceram.
Primeiro Imart, depois Zalit, Gatas, Olimpo e Plofos. Muitas vidas foram perdidas na orgia de destruição provocada pela Mordred. Ele conhecia muitas delas pessoalmente e ele se sentia responsável por todas.
Ele era, embora ele se considerasse absolutamente inadequado para isto, responsável pela proteção de todos os seres que tinham colocado suas vidas e seu futuro ao serviço de Camelot — uma tarefa, que ele não se sentia de nenhuma maneira capaz. Não só as batalhas espaciais e as missões de espionagem não eram o seu forte, como também não dispunha de todos os recursos para proteger os escritórios de Camelot espalhados pela Via Láctea. Nas noites sem dormir das últimas semanas, um pensamento tornou-se cada vez mais fixo em seu pensamento:
Eles cometeram um erro fatal na concepção de Camelot!
Perry Rhodan concebeu Camelot como uma alternativa às políticas nacionalistas e hegemônicas dos blocos de poder existentes na LTL, no Fórum Raglund e no Império de Cristal Arcônida e dando ênfase especial a uma desmilitarização em longo prazo. Ninguém deveria se sentir ameaçado por um novo poder galáctico, esse era seu lema. Somente Atlan tinha discordado com ele naquele momento. Mas as objeções do antigo almirante arcônida foram ignoradas. Era muito tentadora a visão de uma organização cujo único propósito era superar os antagonismos nacionais, raciais e sociais na Via Láctea, surgidos após a longa tirania de Monos. Camelot deveria representar a encarnação desta visão a todos os povos e encorajá-los a imitar. Mas essa visão foi apenas um sonho, os últimos anos mostraram isso com muita clareza. Nem mesmo a LTL concordou em trabalhar com Camelot.
E agora o ápice do terror até ali, Sverigor. Com a destruição deste mundo, a Mordred tinha cruzado uma fronteira, o seu terror já não era dirigido contra a organização dos imortais, mas um planeta inteiro com bilhões de criaturas inteligentes havia sido incinerado no inferno atômico de várias bombas de Árcon. A aparição dos autoproclamados “herdeiros” do Império Solar no extermínio de Sverigor mostrou que eles possuíam considerável poder militar à disposição deles, ao qual ele não tinha nada, absolutamente nada a opor. A única esperança que restava era que finalmente chegaria a uma ação conjunta com a LTL. Depois de dar uma última olhada sobre o panorama da cidade abaixo dele, ele retornou ao centro administrativo, que ao mesmo tempo servia como moradia e local de trabalho para ele nas últimas semanas. Isso não ajudou, na situação atual era seu trabalho parar a Mordred e frustrar seus planos assassinos.
Mas ele simplesmente não sabia como e com o quê!
*
O sinal acústico estridente do terminal de comunicação arrancou o homem com a coroa de cabelos ralos sobre o crânio enorme de seus pensamentos. No mesmo instante, surgiu a projeção de uma mulher de cerca de cinquenta anos, que estava sentada atrás de um terminal semelhante. A voz um tanto enfumaçada de sua assistente arrancou-o de suas reflexões.
— Desculpe-me Homer, mas notícias importantes chegaram.
Ele piscou um pouco antes de responder:
— O que é Phyllis, finalmente notícias da LTL?
A terrana de cabelos negros olhou para ele com pesar, antes de responder:
— Sim, mas nenhuma boa. Paola Daschmagan rejeitou pessoalmente sua proposta de ação conjunta contra a Mordred, a menos que estejamos preparados para divulgar a posição de Camelot e nos incorporarmos à LTL.
Por um momento ele ficou paralisado. Toda a sua esperança, nos últimos dias, era de que a liderança da LTL finalmente superasse sua rejeição infantil de Camelot e estivesse pronta para uma cooperação construtiva. E agora isso, mas Phyllis continuou:
— No entanto, e isso nos dá um pequeno raio de esperança, a querida Paola uma porta aberta: ela se dispõe a aceitar uma cooperação limitada no âmbito dos serviços secretos. E agora, as boas notícias...
A última observação fez com que ele olhasse incrédulo.
— O que mais poderia dar certo? — perguntou ele, sem entender.
— Bem, por exemplo, o retorno incólume da TAKVORIAN e da IVANHOE — veio a resposta como um disparo de pistola.
— Cascal e Jeamour acabaram de chegar e pediram uma conferência o mais rápido possível. Eles também trouxeram Wirsal Cell, que também deve participar da reunião.
— Tudo bem, Phyllis, prepare a conferência na pequena sala de reuniões.
Perdido em pensamentos, ele olhou para o céu escuro, onde as duas luas Charon e Styx percorriam suas órbitas. Em sua cabeça, tudo girava em torno de um nome em particular. Sem sua intervenção consciente, seus dedos deslizaram sobre o campo de entrada sensível ao toque, que o ligava a central biossintrônica ao sistema da rede sintrônica. Um pouco depois, o sistema exigiu sua identificação. Seus dedos percorreram o teclado virtual que havia sido criado sobre a bancada. Depois de todos esses milênios, ele ainda preferia a introdução manual dos dados em detrimento da acústica. Um pouco mais tarde ele teve que digitar sua senha e teve o acesso liberado a rede de computadores. Novamente seus dedos deslizaram pelo painel do console. No holovisor surgiram os registros do arquivo pessoal de Wirsal Cell que o interessava. Mas ele estava particularmente interessado no acesso ao sistema de banco de dados registrado pelo programa de monitoramento da sintrônica. E estes tinham isso!
Meia hora depois, ele se recostou, balançando a cabeça. A crença de Rhodan na bondade do homem em todas as honras, mas um antigo provérbio de sua terra natal dizia: confie, mas verifique!
Foi precisamente nisso que Perry Rhodan errou, dando pessoalmente à Wirsal Cell o mais alto nível de segurança. Isso não poderia ser explicado pelo bom senso como um ex-diretor de treinamento da Academia Espacial e atual conselheiro externo. E Cell havia explorado essa vulnerabilidade, como os registros de acesso provaram. Um filantropo, como o ex-Administrador-Geral, provavelmente desculparia isso com curiosidade humana, mas todos os alarmes soariam.
Mas provavelmente levaria meses ou anos até que Perry Rhodan voltasse. Ninguém sabia onde ele e Bully estavam no momento, com os outros portadores de ativador era a mesma coisa. O que ele teria feito se de repente Atlan ou Tekener tivessem aparecido, para assumir a responsabilidade pelo bem-estar de Camelot. Mas, isso eram devaneios, não ajudava em nada, ele precisava lutar contra a Mordred e liderar a luta contra o misterioso cavaleiro prateado Cauthon Despair. E agora ainda mais esse Wirsal Cell. Este era um amigo ou ele trabalhava contra Camelot? Afinal de contas, ele tinha sido fundamental no desmascaramento do número sete da Mordred, Dennis Harder. Ele obviamente também tinha sido muito útil em Sverigor, pelo menos de acordo com o relatório de Aurec e Joak Cascal. Talvez a coisa toda fosse realmente inofensiva e Cell simplesmente queria saber mais sobre as possibilidades de uso das novas unidades da recém-desenvolvida classe SUPERNOVA. Neste caso, tudo teria sido apenas um problema de comunicação entre a cúpula da organização dos imortais. Mas de alguma forma ele estava se sentindo desconfortável, um sentimento que Crest, durante a Terceira Potência, chamou de pressentimento previsível. Naquela época o velho cientista e mentor arcônida dos terranos o classificou como semimutante e aconselhou-o a confiar sempre em tais sentimentos.
Na pequena sala de reunião do QG de Camelot, aproximadamente duas horas depois.
Com passos rápidos, o imortal entrou no auditório circular, logo abaixo de seu escritório pessoal no topo da pirâmide. Cerca de vinte postos de trabalho estavam localizados ao redor do terminal sintrônico com o tanque de holoprojeção integrado. Alguns lugares já estavam ocupados. Homer tentou fazer uma cara amigável enquanto cumprimentava os presentes. Joak Cascal e Xavier Jeamour estavam envolvidos em uma conversa, enquanto Sandal Tolk, aparentemente entediado, polia seu famoso machado. Um pouco perdido, o chanceler saggittonense Aurec estava sentado em separado. Naquele momento, Wirsal Cell entrou no auditório. Um pouco envergonhado, ele parou à extremidade da mesa redonda e olhou ao redor, procurando. Homer foi até ele e cumprimentou-o com cortesia, que, apesar de o acordo anterior, lhe rendeu um olhar zangado de seu assistente. Depois que os cumprimentos mútuos foram realizados, o responsável pelo bem-estar de Camelot tomou a palavra.
Mais uma vez, ele resumiu a situação atual e, em seguida, pediu aos dois comandantes de espaçonaves que retornaram fizessem um relatório preciso sobre eventos que levaram a destruição de Sverigor. Cascal e Jeamour aparentemente tinham acordado entre eles, que o velho veterano do Império Solar, que surgiu tão de repente do nada, faria o relatório.
No interior do tanque de holoprojeção, uma representação tridimensional do sistema de Malmoe, constituído por oito planetas, foi criada. Sverigor tinha sido o quarto planeta. Nesse meio tempo, Cascal tinha terminado suas observações gerais e começou a explicar a situação estratégica. Ao longo do tempo, o imortal estudou de perto a expressão facial de Cell e só pode reconhecer uma coisa sobre o olimpiano, ou seja, tédio ilimitado. Só quando Cascal veio a falar da ação da VERDUN e da RANTON, a face do olimpiano pareceu refletir algo como interesse. Os comentários de Cascal culminaram com a observação de que mesmo o uso de todos os couraçados NOVA da LTL não poderia, de maneira alguma, pôr em perigo as duas naves da Mordred.
Concluiu dizendo que ele e Jeamour se perguntavam, por que Despair não aproveitou a oportunidade para destruir a IVANHOE e a TAKVORIAN, o que, sem dúvida, teria sido possível a qualquer momento.
Com essas palavras, Adams voltou a concentrar-se unicamente no semblante de Cell, que inicialmente refletia o contentamento e, por um momento, mostrou descontentamento e até a raiva.
Depois de mais alguns pontos de discussão, Homer encerrou a reunião. Então Phyllis convidou os participantes para uma festa de despedida em seu apartamento, porque ela finalmente queria tirar suas férias. Wirsal Cell rejeitou gentilmente, despediu-se um pouco mais tarde e comentou que pretendia investigar ainda mais o seu ex-aluno em Mashratan, já que o ataque inexplicável às naves da LTL e de Camelot era provavelmente a chave para o ódio de Despair contra Camelot.
Port Arthur, apartamento de Phyllis Delacier, 22h horário padrão da Terra.
Os participantes da festa de despedida atenderam o convite de Phyllis, exceto Cell, e sentaram-se em um círculo relaxado na sala de estar decorada com bom gosto da francófila terrana. Ao redor de uma grande mesa de centro havia alguns assentos confortáveis nos quais Aurec, Cascal, Tolk e Jeamour se acomodaram à vontade.
A anfitriã tinha desaparecido na cozinha pequena para preparar bebida e um pequeno lanche para os convidados. Homer tinha se desculpado com o argumento de que ele ainda precisava fazer algo e viria um pouco mais tarde. Alguns minutos depois, o sinal do sistema interno de comunicações domiciliar anunciou a chegada de outro visitante. Depois que ela se certificou de que era seu chefe, ela abriu a porta do apartamento e cumprimentou Adams.
Um pouco depois, os dois entraram na sala de estar. Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, Adams ativou um pequeno dispositivo, com o qual ele escaneou a sala.
— Pelo menos isso — comentou ele, virando-se para Phyllis — Se esta obra-prima dos nossos siganeses funciona, o seu apartamento parece estar limpo!
O pequeno grupo olhou para ele completamente surpreso.
— O que significa isso? — a pergunta de Aurec aos presentes foi direto ao ponto.
— Bem — respondeu o destinatário — parecer que nós provavelmente temos um enorme vazamento de segurança.
Depois que todos se acalmaram, Adams relatou suas suspeitas contra Wirsal Cell. Sua declaração de que Perry Rhodan o classificou pessoalmente com a mais alta classe de segurança. Particularmente Joak Cascal ficou atordoado. Para ele, como um ex-membro da Segurança Solar, criado pela dura escola de Galbraith Deighton, a política de segurança de Camelot era incompreensível. Quando Adams finalmente relatou os acessos registrados na programação do campo de batalha da IVANHOE e da TAKVORIAN, ele literalmente surtou. Finalmente Xavier Jeamour viu os efeitos causados pela sua pergunta, o que poderia fazer agora, que a mente se acalmou novamente. Aurec também interferiu na conversa ao perceber por que eles acusavam Cell de espionagem ou pelo menos insinuavam isso. Finalmente, ele resumiu sua avaliação.
— Vocês consideram Cell, que eu conheço como um humano integro e solícito, como um possível traidor, apenas porque obteve informações adicionais além de sua função atual? Um procedimento que foi ratificado pessoalmente por Perry Rhodan através da classificação de segurança. A propósito, eu pessoalmente ficaria feliz se meus funcionários ocasionalmente mostrassem iniciativa e olhassem para além de seus próprios horizontes pessoais.
— Não me desagrada que ele tenha acesso total a todos os dados relacionados à segurança com sua classificação de segurança — retrucou Cascal.
Então, ele continuou: — No Império Solar isso teria sido absolutamente impossível. Nem mesmo o Administrador-Geral ou o Lorde-Almirante da USO tinha acesso irrestrito aos dados classificado como Top Alpha. Para o Administrador-Geral valia a regra, por exemplo, que o acesso tinha que ser autorizado por um segundo detentor do mesmo nível de segurança, por exemplo, pelo Marechal Solar Deighton ou Marechal de Estado Bull. Eu não consigo ver nenhum motivo para que ele seja tratado de forma completamente diferente.
Fascinado, Homer seguiu os comentários de Cascal e acenou com a cabeça afirmativamente várias vezes. Sorrindo, ele comentou ao comandante da TAKVORIAN:
— Confie, mas verifique!
Ele assentiu afirmativamente e acrescentou: — Exatamente, a confiança é boa, o controle é melhor!
Mas um olhar para os rostos céticos de Aurec e Jeamour mostrava que os dois ainda não estavam convencidos. O comandante da IVANHOE articulou suas preocupações ao comentar que, se Cell trabalhasse para a Mordred, provavelmente se aproveitaria disso sem escrúpulos e destruiria as duas naves em Sverigor.
Mas novamente foi Cascal quem destruiu o argumento de seu colega.
— Se a Mordred possuía os códigos de controle do campo de batalha ou não, não teve nenhuma importância na situação em torno de Sverigor. Despair era tão superior a nós com seu monstruoso couraçado, que poderia nos fazer sumir do Universo, com ou sem código, com um único costado. Não, a razão pela qual ele não aproveitou a oportunidade com ambas às mãos, deve ser outra. Isso não tem nada a ver com o nosso problema atual, mas também não há nada a fazer. No momento em que o comandante decidisse nos atacar, a VERDUN teria passado para a história.
Adams estava dividido. Por um lado, o argumento de Xavier Jeamour era indiscutível, porém o ponto de vista do veterano do Império Solar também estava bem fundamentado. O que mais o preocupava, no entanto, era a possibilidade de que Cell pudesse ser de fato um traidor. Neste caso, todo o plano de defesa contra um ataque do espaço provavelmente não era mais que um desperdício inútil. Mas por que, se essa suposição fosse verdade, a Mordred ainda não tinha atacado?
Aurec então apresentou a proposta de simplesmente reverter a classificação de segurança de Wirsal Cell. Ele então acrescentou que, embora isso possa ferir seu orgulho, certamente entenderia a medida. Mais uma vez ele foi apoiado por Jeamour.
Porém, Cascal, por sua vez, destruiu a esperança geral de encontrar uma maneira fácil de sair do dilema atual, observando que essa era provavelmente a coisa mais estúpida que poderiam fazer no momento. Se de alguma forma Cell estivesse ligado a Mordred, então o rebaixamento mostraria a ele, que ele foi desmascarado. O resultado provavelmente seria que essa medida provocaria um ataque da Mordred.
Depois disto ele afundou em uma sombria meditação por alguns minutos, antes que seu rosto se iluminasse novamente.
— Nós precisamos continuar como antes. Portanto, não haverá medidas para restringir o acesso aos nossos bancos de dados. Deixe Cell ter acesso a todas as informações. Eu partirei em outra missão de teste com a TAKVORIAN nos próximos dias. A integração de outros módulos MERZ que acabaram de ficar prontos servirá como pretexto. Isso deve ser suficiente para dissipar qualquer suspeita em Cell.
Agora todos olhavam para ele completamente consternados.
— O quê, por quê? — gaguejou Adams — Como uma missão de teste pode nos ajudar de alguma forma?
— Bem — disse ele com um sorriso — eu visitarei um velho amigo.
Os agentes têm muitas faces.
David Bowie: Space Oddity [Odisseia espacial]
Though I’m past one hundred thousand miles [Porém, eu ultrapassei cem mil milhas]
I’m feeling very still [Estou me sentindo bem calmo]
And I think my spaceship knows which way to go [E eu acho que minha nave espacial sabe onde ir]
Tell my wife I love her very much she knows [Diga pra minha mulher que eu a amo muito, ela sabe]
Ground Control to Major Tom [Controle de Solo para Major Tom]
Your circuit‘s dead, there’s something wrong [Seu circuito pifou, há algo errado]
Can you hear me, Major Tom? [Pode me ouvir Major Tom?]
Here am I floating round my tin can far above the Moon [Aqui estou flutuando em volta da minha lata bem acima da lua]
Planet Earth is blue and there’s nothing I can do [A Terra é azul e não há nada que eu possa fazer]
Will Dean
O compasso surdo do contrabaixo o tirou do sono. Completamente desorientado, ele piscou na luz fraca dos holofotes espalhados pela sala. Seus olhos procuraram o indicador das horas projetado no meio da sala pelo minicomunicador ativado.
“Três horas e trinta e cinco minutos”, ele registrou incrédulo, “que idiota liga no meio da noite?”
A introdução de Earth Mother foi transformada na poderosa pintura sonora de riffs de guitarra distorcidos, sons surrealistas de sintetizadores e batidas fortes da bateria, isso era tão típico do grupo Intercosmo, passou e a voz de blues rouca de Grace Silk encheu a sala, apenas para se tornar áspera e aguda como uma lâmina de navalha um pouco mais tarde. Involuntariamente, ele começou a acompanhar o compasso. Diante dele, veio a imagem da beleza selvagem, com a qual ele se familiarizara durante uma campanha contra o cartel de drogas dos guardiões galácticos.
Mas isso era história desde 1289 NCG, assim como o procedimento disciplinar que a então diretora do SLT, Gia de Moleon, queria imputar a ele por causa de assédio sexual. Grace havia sido transferida para algum lugar do Nirvana com a Torre do SLT e todo o distrito de Alashan, incluindo seu chefe na época, devido a um mau funcionamento dos baluartes heliotianos, provavelmente nunca mais a veria. Por um momento, ele ainda ficou preso nas lembranças das noites selvagens juntos e pensou ter sentido os lábios dela em seu corpo novamente, mas a lembrança desapareceu e se transformou na tristeza de sua vida amorosa atual, que consistia em encontros de uma noite mais ou menos regulares.
Relutantemente, ele se levantou e atendeu o maldito minicomunicador, que o conectava ao seu novo chefe como um cordão umbilical. Ah, sim, a princípio ele pensou que o desaparecimento de Gia de Moleon seria positivo para sua carreira no SLT, porém ela foi de mal para pior. Imediatamente após o desastre com os baluartes heliotianos, Noviel Residor foi nomeado diretor do SLT por Paola Daschmagan. Este começou imediatamente a reconstrução da central de comando do SLT na Lua. Seus primeiros passos incluíram a reorganização do serviço da liga. No decorrer disso, ele também teve uma reunião de colaboradores com o novo chefe. Após o treinamento adequado, Residor prometeu-lhe uma promoção antecipada para agente.
Mas então veio a catástrofe e foi, como não poderia ser de outra forma, do sexo feminino. Por alguma razão, Noviel Residor desapareceu e entrava em contato com todo o mecanismo do SLT, se necessário, apenas por minicomunicador ou mensagens holográficas pessoais. Nada mais do treinamento avançado prometido ou até mesmo da promoção. Para ele, Gia de Moleon foi seguida por Rebekka DeMonn, depois da velhota frustrada, a Femme Fatal do SLT, merda, apenas merda.
Mas, se ele era honesto consigo mesmo e sempre foi, sua maldita boca grande provavelmente apresentava alguma cumplicidade, mas apenas uma muito, muito pequena. Como ele pôde ser tão estúpido em perguntar ao novo chefe de operações do SLT, durante a primeira reunião de trabalho, se Tizian Grannet realmente era um sucesso na cama? DeMonn tinha surtado e o humilhado de todas as maneiras possíveis. Ele nunca teria imaginado que uma pessoa tão pequena e delicada, com pouco mais de 50 kg, pudesse ter tanta energia. Para ele, aquele comentário imprudente significou o fim de suas esperanças de finalmente subir mais um degrau na carreira. Nos meses seguintes, ele foi rebaixado para o serviço policial básico e, desde então, sua principal ocupação consistia em seguir incessantemente pequenos traficantes, gangues de jovens e outras bobagens do tipo. Com um sorriso presunçoso, DeMonn explicou-lhe que, por enquanto, ele deveria ganhar experiência com um trabalho policial sólido. E, se ele se achasse acima disso, é claro que poderia reclamar a qualquer momento.
Nesse meio tempo, o minicomunicador voltou ao modo passivo. Somente o indicador de memória piscando indicava que a mensagem havia sido gravada. O remetente era claro, um idiota no SLT achou necessário acordá-lo no meio da noite. Merda! E com sua sorte, provavelmente não era apenas um idiota, mas uma versão feminina muito específica do mesmo. Mas ela também poderia esperar. Ele precisava desesperadamente de um banho e uma carga concentrada de cafeína.
Cerca de meia hora depois, Will finalmente se sentiu como um humano novamente, pelo menos até certo ponto. Relutantemente, ele recuperou a mensagem gravada. Infelizmente, ele estava certo em seu medo de que a holoimagem de Rebekka DeMonn fosse criada no meio da sala em tamanho natural. Isso agora era demais, frustrado, ele gritou em direção ao minicomunicador “modo móvel”, e um pouco mais tarde, “campo acústico”. A holoimagem do tamanho natural de sua chefe esvaneceu-se e foi reduzida para as dimensões de minitela. Por um momento, ele imaginou como seria se ele pudesse realmente reduzir DeMonn ao tamanho em miniatura, e então, então ele...
Mas a voz afiada que assombrava até seus pesadelos, imediatamente o trouxe de volta à realidade.
— Aspirante a agente Dean — a voz, como sempre após essa saudação, fez uma pausa teatral — suas férias terminaram, código Fatale Faith!
Por um momento, ele ficou tentado a jogar o minicomunicador, na parede, mas então o significado da segunda parte da ordem de operação lhe veio à mente. De repente, seu humor melhorou e ficou quase eufórico. Fatale Faith não passava de uma suspeita de que o SLT havia sido infiltrado de alguma forma. Isso só poderia significar que ele finalmente se livraria de seu trabalho de rotina enfadonha na unidade especial de combate ao crime organizado.
Ele rapidamente confirmou o recebimento da ordem. Então, ele ativou o programa Merlin. As informações necessárias seriam compiladas em segundo plano e carregadas no nanochip do minicomunicador. Pouco tempo depois, um sinal acústico indicava o fim do download. Agora começou o verdadeiro processo de transferência. Novamente, ele se lembrou das observações de seu instrutor durante o treinamento. Agora ele tinha exatamente 30 segundos para ativar o indoutrinador. Depois disso, o nanochip se decomporia quimicamente. Com sentimentos contraditórios, ele apanhou o minicomunicador na mão. Dentro do pequeno comunicador, um dispositivo especial siganês captou seu selo de impulso cerebral individual. Somente se este correspondesse aos valores armazenados, o indoutrinador, que foi desenvolvido a partir dos antigos dispositivos de hipnotreinamento arcônidas, começaria a transferir as informações armazenadas para sua memória. Um estranho, exceto por uma breve ausência mental e um olhar rígido, não teria notado nada. O tempo em que as transmissões só eram possíveis em um estado inconsciente, já havia desaparecido há muito tempo. Esta nova tecnologia foi originalmente desenvolvida pela USO na fase final do Império Solar e foi melhorada e miniaturizada nos últimos séculos por neurotécnicos siganeses para o SLT.
Cinco minutos depois, ele estava pronto para partir para um destino desconhecido na Lua. Através do programa Merlin, ele tinha sido instruído a reservar uma viagem de um dia para Luna City com um passeio turístico pela cratera como turista. Depois de uma última olhada em seu apartamento, ele o deixou.
Na Lua
A pequena saltadora lunar deslizou sobre a paisagem de crateras irreais do satélite da Terra. Entediado, o terrano alto e de pele escura olhou para fora da cobertura de cabine transparente que o protegia do vácuo mortal da superfície lunar. O programa Merlin o levara primeiro ao espaçoporto civil de Crest Lake, onde havia reservado a viagem de um dia na Lua. Cerca de setenta minutos depois, a bordo da Luna-Liner-2632, ele chegou ao seu destino temporário no espaçoporto da Lua. Lá, a saltadora lunar reservada já o aguardava. Depois de embarcar no anacronismo em forma de aranha, projetado para um passageiro, a jornada para o desconhecido finalmente começou. O veículo peculiar era controlado por um piloto automático, todos os controles manuais foram desativados. As saltadoras lunares eram atualmente a maior atração turística do satélite terrestre e deveriam permitir que os visitantes da Lua experimentassem o ambiente hostil diretamente, pelo menos as campanhas publicitárias das organizações de turismo lunar prometiam isso.
Mas Will não podia demonstrar nenhum entusiasmo por essa nova atração, ele preferia cem vezes ter feito o voo em um planador normal adequado para o voo espacial. Mais uma vez, ele sentiu a pressão do pequeno motor de plasma, que apertava seu corpo na poltrona anatômica. No veículo não havia gravidade artificial para compensar a ausência de peso ou pressão. E era exatamente este anacronismo que era o último grito da moda no Sistema Solar do ano 1290 NCG. Os filhos entediados da nova nobreza monetária haviam encontrado uma nova emoção após os excessos usuais de drogas nos últimos anos, primeiro para saquear a conta bancária dos papais e depois passar o futuro da maneira mais espetacular possível. O cenário tinha sido criado no cinturão de asteroides, onde alguns loucos começaram a inflar seus egos construindo espaçonaves cada vez mais loucas. O avanço final foi fornecido pela imprensa de Shorne, na qual os hobbystas de alto nível eram celebrados como os verdadeiros herdeiros da ousadia e a engenhosidade das primeiras pessoas que se propunham a conquistar o espaço. Por fim, um pequeno grupo encontrou um plano não realizado nos arquivos antigos de uma organização esquecida chamada NASA para levar as pessoas à Lua: o projeto Apollo. As primeiras saltadoras foram criadas como um desenvolvimento adicional do então planejado módulo lunar EAGLE. O entusiasmo e os ideais de toda uma geração de jovens humanos da Terra sangraram até a morte pelos interesses comerciais de magnatas sem escrúpulos, para quem apenas uma coisa importava, que era o lucro a todo custo. E foram precisamente esses jovens que estavam desaparecendo na LTL. Em vez de levar os ideais de liberdade individual e responsabilidade social a serviço da liga para a vastidão da Via Láctea, o melhor desta geração foi varrido nas pedras sem alma do cinturão de asteroides na busca sem sentido de novos desafios e testes idiotas de coragem, desde que não entendessem já havia atingido o nirvana nas populares festas das drogas.
Ah, sim, ele conhecia o suficiente esse sentimento de inutilidade, de vazio ilimitado. Todos os caminhos para um estilo de vida parasitário também estavam abertos para ele. Seus pais apenas queriam o melhor para ele, todo pequeno gesto de desconforto era abafado com presentes, toda rebelião sufocada por um excesso de amor dos pais, expresso em estelares e galaxes. Quando a pressão finalmente se tornou esmagadora, ela eclodiu e escolheu seu próprio caminho. Desde a infância, ele era fascinado pela holossérie que envolvia a Divisão III da Segurança Solar. Meech Hannigan, Lofty Patterson, Larry Randall e especialmente Ron Landry foram os ídolos de sua juventude. É por isso que, quando criança, ele decidiu se colocar a serviço da Humanidade, como seus exemplos. Mas seus pais não estavam muito entusiasmados com essa ideia e esperavam que, como o pai costumava dizer, essa loucura diminuísse com o tempo.
Ele se adaptou ao mundo exterior e, depois de concluir o ensino fundamental, de acordo com os desejos de seus pais, havia mudado para o “Colégio de Estudos Econômicos e Científicos”, privado e caríssimo. Lá ele se formou aos 17 anos e finalmente ficou livre para seguir seu próprio caminho. No dia seguinte, ele se matriculou na “Academia Espacial de Terrânia”, que seus pais reconheceram com o cancelamento de todos os recursos financeiros. Anteriormente, eles ainda tentaram dissuadi-lo com todos os meios de persuasão dos pais, de seu projeto “louco”. A coisa toda terminou com a ruptura definitiva com sua família.
Durante seus estudos na AET, o serviço da liga tomou conhecimento dele e o recrutou. Durante os “anos de estudo” seguintes, um descendente de seu ídolo de infância Ron Landry tornou-se seu mentor e amigo paternal. Juntos eles passaram a frequentar as casas em seu tempo livre e adquiriram uma reputação lendária como um notório destruidor de corações. Mas então veio a história com o trabalho final. Ele havia escolhido o tópico “procedimento de otimização para avaliação de informações” e pesquisado nas bases de dados do SLT. Depois de uma longa turnê, ele não resistiu à tentação de instalar um cavalo de troia no sistema da LTL, usando o código de acesso de Stewart. Com isso, ele conseguiu obter dados bloqueados para uso comercial normal.
Mas então sua pesquisa foi registrada por algum programa de vigilância e sua carreira, que havia começado de maneira tão promissora, terminou e a de Stewart também terminou. Gia de Moleon ficou enfurecida e rebaixou Stewart a um simples agente. O chefe do SLT assumiu o papel de mentor e fez com que ele sentisse sua falta grave em todas as oportunidades. Em suma, desde aquele momento ele tinha estragado completamente tudo com ela. Desde então, seu trabalho no serviço da liga ficou limitado a seguir pequenos criminosos. E ainda assim, a reação de De Moleon parecia exagerada para ele. O que realmente aconteceu? Basicamente nada. Ele não obteve nenhuma informação secreta. Mas todas as noites, quando ele olhava para o teto de seu apartamento sozinho, ele se perguntava se havia mais alguma coisa. Em algum lugar nas profundezas de seu cérebro, ele sentia que havia mais informações enterradas. Porém tudo era velado e intangível.
*
Mais uma vez, sem o neutralizador de pressão, ele sentiu as forças de propulsão do pequeno propulsor, que o pressionou profundamente na almofada pneumática da poltrona anatômica. Abaixo dele, as paredes da cratera e vastas planícies de lava da superfície lunar passaram, testemunhando o impiedoso bombardeio de meteoro durante o nascimento do sistema solar. A lava resfriada havia preservado os traços da fase inicial caótica do sistema natal da humanidade terrana para todo sempre. Enquanto isso, o curso da saltadora lunar conduziu através do equador lunar para o lado oculto do satélite. A característica da paisagem lunar da paisagem lunar mudou das planícies cobertas por lava escura na frente, para planaltos na traseira, sulcados por inúmeras crateras de todos os tamanhos. O pequeno veículo espacial avançou cada vez mais fundo no hemisfério sul. Há muito tempo que ele desistira de especular sobre o destino de seu voo. Finalmente, uma enorme parede do anel da cratera apareceu à sua frente. A saltadora parecia estar seguindo esse curso. A parede rochosa escarpada determinava cada vez mais seu campo de visão. As vibrações e o rugido abafado do propulsor de plasma aumentaram e fizeram vibrar toda a estrutura. O passageiro solitário do veículo anacrônico se sentia cada vez mais desconfortável. Um olhar para fora da cúpula de observação da cabina do piloto, feita de glassite, mostrou-lhe com muita clareza que a saltadora começou a ganhar impulso e a subir. À sua frente, uma parede de cratera se transformou em uma imensa parede que logo preencheu todo o seu campo de visão. Suas mãos involuntariamente se apertaram nas longarinas laterais da poltrona de contorno, que formavam a única comodidade do veículo espacial anacrônico. A saltadora subiu quase verticalmente para o negro céu noturno da lua e, quando a borda escarpada da cratera foi alcançada, passou sobre a passagem horizontal, apenas para descer de volta para o chão da cratera um pouco mais tarde. O passageiro solitário ficou cada vez mais enjoado quando o pequeno veículo espacial parou acima do chão da cratera por um momento. Quase automaticamente, seus olhos vasculharam a borda interna da parede da cratera. Algo o perturbou na paisagem natural da parede da cratera erguida na fase inicial da Lua. Seus sentidos treinados capturaram estruturas artificiais que não poderiam ser mais do que posições de arma camufladas. Essa constatação o encheu de pânico por um momento, e se alguma sintrônica chegasse à conclusão de que o pequeno veículo deveria ser classificado como hostil? Porém um momento depois, o bom senso ganhou. Como parecia, ele alcançou seu objetivo e não era de se surpreender que o SLT protegesse uma de suas instalações de acordo. A saltadora voltou a acelerar e se dirigiu alguns metros acima do solo em direção à montanha central, que foi levantada no centro pelo impacto do meteorito.
*
Uma parte da face rochosa da montanha central desapareceu repentinamente diante dele. O propulsor de plasma ficou silencioso, no entanto, uma força externa o puxou pela abertura negra aberta. Por um momento, ele ameaçou entrar em pânico novamente, mas então ele entendeu o que estava acontecendo. O controle de sua pequena e antiquada espaçonave havia sido assumido por um campo de tração que o puxou para dentro da garganta negra. De repente, linhas brilhantes de luz atravessaram a escuridão. Simultaneamente, um punho enorme o pressionou profundamente nas almofadas da poltrona de contorno. Mais uma vez, ele começou a xingar silenciosamente. O campo de tração desacelerou fortemente a saltadora e causou um efeito que normalmente era suprimido pelos neutralizadores de pressão.
Enquanto isso, as linhas de luz haviam se tornado pontos de luz que deslizavam ao longo das paredes do poço em intervalos cada vez maiores, até que os pontos finalmente pararam e pareciam girar. Por um momento, ele sentiu a necessidade de fazer o desjejum sozinho, mas então ele teve a sensação reconfortante de que em cima era finalmente em cima e embaixo era embaixo. Ele se sentiu estranhamente leve, finalmente, a águia pousou.
Com interesse, ele examinou os arredores através do teto transparente da cabine, que agora estava iluminado como o dia por várias luzes do teto. Os contornos de formas familiares, arrancados da escuridão pela luz forte, encheram-no de uma inquietação crescente. Não era preciso muita imaginação para reconhecer todos os tipos de sistemas de armas conhecidos instalados nas paredes da caverna. Um pouco mais tarde, esse desconforto aumentou quando três corpos cilíndricos flutuaram em sua direção de um nicho que se abriu repentinamente e se agruparam em torno da saltadora lunar. Incrédulo, ele assistiu ao espetáculo marcial.
— Eu não acredito nisso — murmurou ele consigo mesmo —, robôs MODULA, onde acabei de pousar?
Naquele momento, uma voz monótona de mulher soou, pedindo-lhe que deixasse a saltadora em dois minutos. Um olhar nas bocas dos braços armados ativados era suficiente para obedecer a essa ordem o mais rápido possível. Apressadamente ele desafivelou o cinto e deixou à saltadora.
Dois dos robôs se aproximaram e a já familiar voz feminina pediu a ele pelo intercomunicador que ele retirasse o traje espacial, uma vez que a caverna estava inundada com uma atmosfera respirável. Interiormente, ele estava fervendo, mas os sistemas de armas de um único robô, agora dirigidos a ele, sufocavam qualquer argumento.
Agora, finalmente, o robô parecia satisfeito, porque seus braços de armas foram recolhidos para uma posição de repouso.
Se ele acreditava que com isso as “boas-vindas” tinham acabado, ele precisou mudar de ideia. O segundo robô ficou ativo e pairou em direção a ele. Involuntariamente, ele recuou, mas a voz feminina monótona explicou-lhe que ele tinha que se identificar com seu selo de impulso.
O robô ligeiramente menor já havia chegado a ele e formou um acessório em forma de capacete de energia moldada em um dos seus braços tentaculares. Este foi colocado sobre sua cabeça e um pouco depois removido.
— Positivo, aspirante à agente Dean identificado!
Ele sentiu como se um peso de uma tonelada tivesse sido removido dele. Por fim, esse estranho jogo de esconde-esconde, que, em sua opinião, só poderia surgir do cérebro doente de sua inimiga, chegou ao fim.
No momento seguinte, o pânico ameaçou saltar sobre ele novamente. Dos braços de armas do terceiro robô MODULA, que tinha permanecido atrás de seu veículo espacial, disparou um campo cintilante esverdeado que dissolveu e transformou a saltadora em uma nuvem de poeira atômica que lentamente afundou no chão. Ao mesmo tempo, um campo de projeção se formou pelo qual a nuvem de poeira molecular foi sugada. Tudo parecia ter sido pensado. Naquele momento, a voz feminina do autômato anunciou novamente e explicou que a desintegração havia ocorrido por razões de segurança. Muito reconfortante!
Enquanto isso, o robô um pouco menor começou a se mover e pairou em direção à parede da caverna, onde uma escotilha se abriu, atrás da qual o campo do transmissor de arco-portal ativado esperava. E novamente a voz da mulher monótona soou, convidando-o a seguir o robô, o que ele fez o que mais lhe restava?
Juntamente com o robô, ele se materializou em um local desconhecido e deixou o campo do transmissor de arco-portal do transmissor receptor. Ele parecia ter chegado ao seu destino final.
Curioso, ele olhou em volta, mas nada lhe disse onde ele estava no momento. Ele estava em uma pequena câmara que poderia estar em todos os lugares e em lugar nenhum. A gravidade correspondia a padrão da Terra, mas isso não significava nada, já que a gravitação padrão da Terra também poderia ser gerado em um asteroide por meio da gravidade artificial. Mas ele suspeitou que ainda estivesse na Lua devido ao alcance limitado do pequeno transmissor compacto. Um pouco depois, uma escotilha se abriu e três homens entraram. Todos usavam os uniformes cinzas dos comandos de vigilância interna e estavam fortemente armados.
— Bem-vindo a Cartago-Beta, a chefe o espera!
*
Um pouco mais tarde, ele encarou sua nêmese, Rebekka DeMonn, o membro mais controverso do SLT de que se tem memória. Após o desaparecimento de Gia de Moleon e toda a torre SLT, seu sucessor Noviel Residor a reativou contra toda a resistência interna e fez dela sua vice, antes de desaparecer em julho para caçar Vincent Garron, que havia fugido do para-abrigo de Minas.
Depois de uma breve ordem de DeMonn, os três agentes de segurança deixaram a central de comando ladeada de consoles e holotelas. DeMonn estava sentada negligentemente atrás de sua escrivaninha e o observava, pelo menos era o que lhe parecia, como um gato ronronando apenas se perguntando se devia continuar brincando com o rato preso ou se devia comê-lo. Com esforço extremo, ele se recompôs e relatou.
— Candidato à agente Dean se apresentando ao serviço, como ordenado!
Com essas palavras, um sorriso divertido apareceu no rosto angelical da mulher fatal do SLT, emoldurado por longos cabelos negros. Ela levantou-se e com um sorriso divertido, olhou para ele e comentou:
— Por que tão formal este não é o seu estilo!
*
Toda a situação me inquietou, de que adiantava, desde quando a vice-chefe do SLT parecia tão jovial para mim? Porém, já veio à próxima martelada.
— Você tem algumas perguntas sobre a situação atual, certo?
Eu fiquei perplexo, as perguntas e, acima de tudo, as respostas a elas não faziam parte do estilo de liderança de DeMonn até agora. Porém, eu já deixei escapar a pergunta de todas as perguntas que me preocupavam desde a minha ordem para entrar em ação.
— Por que toda essa confusão com a viagem e de onde conseguimos esses super-robôs Camelot?
Novamente, um sorriso deslizou no semblante de DeMonn, que me atraiu cada vez mais em seu feitiço.
— Caro Will, sente-se primeiro, essa será uma longa história.
Ela ativou algum tipo de servo controle e, elogiado a tecnologia moderna, uma segunda poltrona feita de energia moldada foi construída do nada. Obedientemente, sentei-me nela e esperei pelas revelações que, sem dúvida, estavam por vir. Mas em vez da resposta esperada, seguiu-se uma pergunta:
— O que você sabe sobre a situação política atual na Via Láctea?
Olhei para ela por um momento, completamente perplexo, mas então eu comecei.
— A meu ver, alguém parece querer pegar Camelot pelo pescoço. Naturalmente não abertamente, mas na obscuridade. Oficialmente, nosso governo assume a posição de que isso não é da nossa conta, já que Rhodan e os outros imortais se separaram da LTL e estão seguindo seus próprios interesses. Algumas declarações de líderes políticos chegam a admitir que não ficariam infelizes se esses terroristas tivessem êxito. Eu considero essa atitude estúpida e politicamente míope, assim como rejeito esta política nacionalista e voltada para o terrorismo das últimas décadas. Além disso, a relação com o Império de Cristal está ficando cada vez mais tensa. No entanto, algumas coisas parecem ter mudado em relação à Camelot, se eu estiver interpretando corretamente esses robôs MODULA.
Seus olhos descansaram em mim por um momento, antes que ela respondesse.
— Will, a situação está uma completa merda! Antes de eu poder lhe responder suas perguntas, eu preciso primeiro entender qual é a sua postura.
Essa resposta literalmente me arrancou do assento de energia moldada. Lá estava ela de novo, a velha vadia DeMonn, que provavelmente nunca perdia uma oportunidade de me intimidar e me expor, já era demais, era mesmo demais. Antes que eu pudesse começar a falar, ela me antecipou.
— Calma Will! Ouça-me primeiro, e acima de tudo, sente-se novamente!
O olhar de seus grandes olhos negros perfurou meu cérebro. Como se eu estivesse em transe, me deixei cair de volta na cadeira.
— Este não é um jogo psicótico, não é sobre vaidades ou lesões pessoais, se trata da continuidade da existência dos valores que a LTL e, antes dela, o Império Solar tem defendido por milênios e, esperançosamente, continuará a defender. É por isso que eu lhe pergunto, você está pronto para comprometer sua vida por esses valores?
Eu devo ter parecido completamente estúpido naquele momento e apenas gaguejei: — Minha... minha vida?
— Sim, sua vida. O fato é que MERCANT determinou uma taxa de sucesso de cerca de 8% para a missão planejada, ou seja, suas chances de sobreviver à missão são quase zero. É verdade que, em tais circunstâncias o SLT normalmente não envia um agente para a missão, muito menos um candidato de agente completamente inexperiente. Portanto, você pode recusar a missão sem medo de quaisquer desvantagens. No oposto, você seria colocado de volta no serviço ativo como um grau júnior.
— Uma missão suicida, então? E eu provavelmente tenho que decidir aqui e agora. Bem, eu participo. Mas quem diabo é MERCANT?
Com minhas últimas palavras, algo como um sorriso cintilou em seu rosto tenso, mas imediatamente se tornou uma máscara impenetrável novamente. Novamente, seus grandes olhos pareciam me dissecar mentalmente por minutos, antes que ela respondesse:
— Will, novamente, esse não é realmente um jogo psicótico, é sério. Por favor, pense novamente em sua resposta. Aliás, MERCANT é uma biossintrônica especializada responsável pelo planejamento tático do SLT.
Eu fiz-lhe um favor e realmente pensei, mas apenas brevemente. Minha decisão estava tomada, eu assumiria o trabalho.
Três dias depois.
Eu encarei mal-humorado o estranho, que olhou para mim do grande espelho de corpo inteiro com a mesma irritação. Esse não era eu, tinha que ser um pesadelo. Mas o pesadelo tornou-se realidade. Ninguém que me conhecesse teria imaginado que por trás dessa aberração de palhaço se escondia o bom e velho Will. Eu não era mais Will Dean, mas me transformei em Wes Golem, um hippie do passado, com a ajuda ativa do moderno doutor Frankenstein, este charlatão de Aralon. Toda a figura, toda a roupa dessa figura testemunhava apenas uma coisa: um mau gosto sem limites.
No final das contas, eu parecia um macaco peludo que havia se coberto aleatoriamente com todos os tipos de bugigangas, só que as bugigangas valiam milhões e milhões. O talentoso doutor Frankenstein, que era responsável pela minha aparência, me prometeu em honra de seu suhyag, que ele poderia desfazer todas as desfigurações físicas a qualquer momento. Eu esperava isso por ele também, porque senão eu pretendia ter certeza de que ele só poderia olhar para trás com sua proverbial cabeça de ovo.
Pois eu tinha decidido uma coisa: se algum dia tivesse que bater as botas, com certeza não seria enquanto ainda fosse abençoado com a aparência de uma caricatura masculina. Após um último olhar escrutador no campo espelhado, eu estava pronto para receber as últimas instruções para minha missão de ascensão ao céu.
Partida para a base.
Estava na hora, minha missão tinha começado. As últimas instruções de DeMonn ficaram para trás. Depois disso, o mundo literalmente desabou para mim. Eu esperava tudo, exceto que minha nêmese me abraçaria enquanto me despedia. Por um instante, senti todos os músculos de seu corpo que se aconchegaram contra mim. Então ela puxou minha cabeça até o nível dos olhos e sussurrou: — Volte Will, eu não quero ser aquela que te enviou para a morte!
Em poucos minutos, eu estaria a bordo da espaçonave de luxo SPACE ODDITY, que faria um voo direto para a BASE partindo do espaçoporto de Atlan, como ficou conhecido o porto espacial comercial e civil de Terrânia desde o 13º século NCG. A bordo, meu objetivo principal seria entrar em contato com Celine Ahornd. Na minha frente, surgiu novamente uma holoprojeção do renegado agente de operações especiais do SLT. Esta designação, como a Divisão Secreta Zero, representava o legado sombrio das administrações Grigor e Eavan. Assim como os membros da Divisão Zero foram, na verdade, sabotadores e assassinos a serviço do governo, as agentes de operações especiais não foram, nada mais do que prostitutas a serviço do SLT. Ambas as divisões foram postas de lado durante o governo Eavan e dissolvidos no início do mandato de Paola Daschmagan. Os membros foram demitidos ou transferidos para o serviço normal do SLT. O último grupo incluía, por exemplo, o oxtornense Monkey, mas também Celine Ahornd. Esta tinha sido empregada na administração interna do serviço nos últimos anos e era classificado como portadora secreta. E foi precisamente essa antiga serva do prazer da SLT, de acordo com as descobertas de DeMonn, responsável pela maior traição de segredos da história do SLT.
Daí meu disfarce de Wes Golem, um asqueroso muito rico que usa sua vasta herança apenas para satisfazer três desejos: para ser celebrado como um ídolo de cenas idiotas com saltadoras, para consumir drogas de todos os tipos e para coletar mulheres do tipo mais caro como troféus. Por acaso, ele tinha sido recentemente vítima de seus dois primeiros passatempos, em suma, ele tinha feito um pouso forçado em um asteroide, durante o efeito das drogas, que tinha transformado sua saltadora em sucata. Quando as equipes de resgate finalmente o encontraram, ele estava clinicamente morto, porque, provavelmente sob efeito das drogas, ele tinha desligado o sistema de sobrevivência de seu primitivo traje espacial. O frio do espaço interplanetário o congelou no verdadeiro sentido da palavra. Mas Michael Shorne e Guy Pallance provavelmente não queriam admitir que seu propagandista mais importante na cena de saltadora tinha partido desta vida, então ele foi colocado em um tanque criogênico para tentar trazer de volta à vida o “ídolo” da juventude da Terra, na Clínica Kuntami em Mimas, mas pelo que eu fiquei sabendo, foi tudo em vão. Tudo isso aconteceu, é claro, puramente por acaso, paralelamente a realização dos primeiros planejamentos da missão contra a agente renegada do SLT.
Um dos planejadores, acho que foi a própria DeMonn, provavelmente teve a ideia louca de transformar um agente no louco Wes e apanhar Ahornd.
Assim, o velho Will se tornou Wes Golem, tão extrovertido e tão louco — a melhor camuflagem, que se poderia pensar.
*
Nesse meio tempo, o planador alcançou o campo de pouso da SPACE ODDITY e pousou em uma área isolada em frente à nave. Naturalmente, para mim, como Wes Golem, as restrições aos mortais comuns não se aplicavam. Centenas de fãs, em sua maioria mulheres, se aglomeraram ao redor do isolamento e me cumprimentaram com um barulho de fundo ensurdecedor. Seu ídolo, o sonho de suas noites sem dormir, estava de volta.
— Ziggy Stardust está voltando, Ziggy Stardust está vivo! — gritaram os admiradores na puberdade, embora o “nome artístico” Wes Golem fosse frequentemente ligado a ofertas excessivamente explícitas.
Para mim, a coisa toda foi uma espécie de déjà-vu, primeiro o pseudônimo da minha identidade disfarçada e depois o nome da espaçonave de luxo que deveria me levar a BASE. Tudo isso me lembrou do meu grande amor, que ainda estava perdido entre as estrelas. Por um momento, eu me perdi em minhas recordações.
Grace Silk me apresentou à música de um certo David Bowie dos anos 1970, que, nos estágios iniciais da Terceira Potência, se tornou o ídolo de um movimento chamado “Rainbow-Gathering”, que promovia o amor livre, a iluminação espiritual através do uso de drogas, bem como o pacifismo e a proteção ambiental. Mas após o retorno de Perry Rhodan de Peregrino, o movimento caiu na insignificância, especialmente quando se tornou conhecido que parte do movimento havia apoiado Clifford Monterny. O que restou foi acima de tudo a música de David Bowie com seus megassucessos Space Oddity e Ziggy Stardust. E foi precisamente o título do último hino de Bowie que meu ego sombrio escolheu como seu nome artístico, sob o qual ele se tornou o herói dos idiotas saltadores. De alguma forma eu tive a sensação de que alguém completamente diferente tinha que estar envolvido nisso. Havia coincidências demais porque tudo se encaixava até o último detalhe.
Mas o pouso de um planador no meio da área para os passageiros VIP, que estava isolado por campos de repulsão me lembrou de minha missão. Maldição, eu era Wes Golem e não mais Will Dean.
Por um momento, eu me concentrei, houve alguns exercícios mentais, então era novamente o monstro arrogante Wes Golem.
Foi então que percebi que uma bela loira se aproximava de mim com um ar altivo, com uma unidade de transmissão trivídeo portátil pairando atrás dela.
E, no mesmo momento, iniciou os disparates da mídia.
— Aqui é Linda Lagas. Eu estou feliz que tantas terranas e terranos tenham acessado o meu segundo noticiário “Ponto de Vista da Linda” na Rede Orgulho Terrano. Eu agradeço especialmente a Michael Shorne, o diretor executivo das Indústrias Shorne, que generosamente tornou possível que a ressurreição de nosso herói Ziggi Stardust fosse transmitida por todos os canais de notícias da liga.
Ela fez uma pausa teatral e colocou seu notável microfone em posição. Tudo isso foi coberto novamente pelo grito ensurdecedor dos admiradores reunidos. Então ela se virou para mim:
— Wes eu posso chamá-lo de Wes, como sente alguém quando se engana a morte?
Ela chegou tão perto de mim que sua nuvem de perfume quase obscureceu minha mente. Mais uma vez, eu estava prestes a esquecer toda aquela palhaçada com o Ziggy Stardust e dar um chute naquela bunda dela — que, admito, era bem impressionante. Mas isso significaria o fim do meu papel. É por isso eu entrei no jogo dela.
— Bem, realmente fantástico, é maravilhoso estar de volta às planícies. Sim, meus amigos, minha consciência foi chamada para além das fontes de matéria. Lá, o espírito do Grande Hamiller me deu a tarefa de preparar a BASE para a era da iluminação. Sim, meus amigos, nós experimentaremos coisas maravilhosas e inauguraremos uma nova era de evolução cósmica. Então, eu preciso deixá-los agora e seguir o chamado do grande Hamiller para a BASE!
Eu fiz uma pequena pausa para observar o efeito de minhas declarações idiotas. Os cosmopsicólogos da SLT tramaram essa loucura para me dar uma desculpa plausível, para eu poder bisbilhotar na BASE, sem ser perturbado e o plano parecia ter dado certo, toda a gritaria parou e deu lugar ao espanto atordoante. E então, vieram os gritos novamente: Ziggy Stardust, Ziggy, traga-nos iluminação!
O ponto alto foi então alcançado por essa tagarela da mídia sensacionalista, depois que ela aparentemente ficou sem palavras por vários minutos.
— Wes, você pode explicar aos milhões de telespectadores em todo o mundo da LTL quem ou o que é o Grande Hamiller?
Romano Nelder
Hino de louvor
Bendito seja você, oh Vhrato, senhor dos céus; seu é o esplendor da glória e a dignidade da trindade divina e todas as bênçãos sob o firmamento das estrelas eternas.
Só para você, Altíssimo entre os Altíssimos, são devidas as orações dos fiéis.
*
Porém, ele pagou um preço grande pelo seu sucesso, sucumbindo à tentação pela Mirona Negra. Com calafrios, ele se lembrou do pecado mortal que cometeu quando se afundou no recipiente sangrento da encarnação do demônio negro. Agora, a pureza de sua alma estava em perigo, porque o livro sagrado do vhratoísmo ensinava que o bem-estar físico é a porta através da qual o demônio negro envenenava a pureza da alma dos filhos de Vhrato. Ele agradeceu ao profeta novamente com uma oração silenciosa por compartilhar sua sabedoria ilimitada com seus filhos por meio do livro sagrado do vhratoísmo. Graças à vigilância dos filhos do deus trino, os racionalistas ateus repetidamente se traíram ao se envolverem nas práticas condenáveis do demônio entre si. Foi o mesmo com o grupo cujo interrogatório o levou a pista da conspiração contra o grande irmão coronel. Cidadãos vigilantes haviam informado o rabmulla local que várias vezes as mulheres se mostraram sem a proteção do Yeshi-Halef na fazenda de um rico criador de kuhun, embora houvesse homens que não eram da família visitando. O rabmulla informou imediatamente os guardiões de Vhrato, que então escavaram este covil do pecado. Quatro homens e cinco mulheres foram presos e imediatamente transferidos para o templo central da verdade em Vhrataalis.
O interrogatório rapidamente revelou toda a extensão da condenável conspiração contra a igreja sagrada do deus trino e o santificado reinado do grande irmão. Quatro dos detidos admitiram seus pecados em pouco tempo e se submeteram à clemência da igreja. Porém isso, naturalmente, não os salvou de outras buscas pela verdade. O livro do vhratoísmo, louvado por sua sabedoria, recomendava que as confissões de pecados capitais fossem verificadas por meio do “ritual da dor”, especialmente se outros filhos de Vhrato também fossem acusados de pecado mortal. Era uma prática padrão, em caso de suspeita de violações das leis do deus, aplicar o ritual de verificação de confissões em todo caso.
As confissões em grande parte coincidentes foram chocantes. A corja de ateus não só violou os mandamentos sagrados do livro do vhratoísmo de todas as formas imagináveis, até mesmo planejava matar o grande irmão coronel com seus filhos através de uma bomba. Este ataque deveria ser o sinal vergonhoso para o chamado levante popular, pelo qual um governo revolucionário formado por assassinos queria chamar o regime terrorista ateu da chamada LTL para ajudar. Com o apoio deles, a sagrada igreja do deus trino deveria ser banida e uma sociedade ateia seria construída. Agora, nós provavelmente frustramos completamente esses planos. Os líderes do motim expiarão publicamente sua vergonhosa blasfêmia com suas vidas, enquanto as minas de minério e hipercristais nas montanhas Sainah estão esperando pelos seguidores e seus familiares. Pessoalmente, no entanto, fiquei muito chocado com o fato de que esses ratos copulavam um com o outro em qualquer lugar. Para evitar que o presente indesejado da divindade seja recebido nessa ocasião, essas crias demoníacas usavam alguma droga repreensível obtida da liga dos ímpios. Após esta confissão, todos nós ficamos completamente surpresos, até que ponto a disposição demoníaca da Mirona Negra já havia encontrado seu caminho nas mentes dos mashratanos.
A limpeza de uma alma manchada
Porém, a quinta herege permaneceu obstinada. Ela se recusou a implorar a misericórdia da igreja por uma confissão completa, pelo contrário, ela continuava a professar suas blasfêmias e insultar minha honra como homem. Em algum momento eu perdi minha paciência e a tentação da Mirona Negra me levou a praticar o pecado.
*
Nesse ínterim, eu cheguei ao portão estreito da capela. Cheio de aflição, eu entrei no santuário do deus. O silêncio inspirador do lugar sagrado me cercou quando caí de joelhos para implorar a misericórdia do deus trino. Uma voz imperiosa reverberou através da sala na semiescuridão.
— Meu filho, você veio testemunhar sua culpa diante do deus trino?
Eu ergui a cabeça e vi o rabmulla sair da escuridão em frente ao altar. A luz dourada tocava sua figura inspiradora, que se ajoelhou diante do altar. Com vergonha, respondi:
— Venerável rabmulla, eu manchei minha alma com o pecado mortal do prazer e peço perdão por meu pecado!
O rabmulla ergueu-se.
— Meu Filho, sua fé e suas ações o honram. Mas primeiro você deve confessar toda a extensão de seu pecado diante do deus trino e seu profeta Vhrato.
Eu me levantei humildemente e segui o homem santo para o confessionário, que estava ao lado do altar da divindade trina. Inicialmente hesitante, mas depois me tornei cada vez mais falante, eu descrevi meu pecado condenável em grandes detalhes. O santo homem parecia lutar por seu domínio ao retratar minha vergonha, pois um violento suspiro, que testemunhou seu horror, foi ouvido durante minha confissão. Por fim, eu terminei, esperando humildemente o castigo que limparia minha alma.
Depois de alguns minutos dolorosos de incerteza, eu finalmente ouvi a voz redentora:
— Você carrega uma pesada culpa em sua alma, meu filho. Sua alma deve ser limpa e libertada da sombra do demônio negro pelo ritual do refém do demônio.
Minha alma se alegrou, o homem santo havia me mostrado o caminho para fora da condenação em nome da divindade trina. Mais uma vez, segui-o por um corredor escuro até uma área da capela na qual um mashratano devoto que guardava os mandamentos do livro nunca deve entrar. Mas eu estava errado e tive que pagar a penitência imposta. Por fim, nós entramos na parte da capela que era dedicado as trevas por um portão baixo. Muitos crentes esqueceram que ela também fazia parte da divindade trina e encarnavam os desejos humanos reprováveis. Ficou frio e a luz dourada, que personificava a redenção por meio do profeta do sol Vhrato, tornou-se um vermelho sombrio, que caracterizava o antro demoníaco da profetisa negra.
— Meu filho, fique de pé diante da maldita, como a divindade trina fez.
Um momento, eu fiquei confuso, mas depois segui a ordem do homem santo. Eu tirei minhas roupas, que estavam completamente sujas com o interrogatório, e caminhei em direção à silhueta sombria que se destacou da semiescuridão vermelha ao fundo. O chão áspero, formado a partir de lajes de pedra grosseiramente cortadas, machucava dolorosamente nas solas dos meus pés desprotegidos, enquanto o frio crescente fazia meu corpo nu estremecer. Aproximei-me cada vez mais da imagem dos condenados. A cada passo eu podia ver mais detalhes, os olhos fixos que pareciam perfurar minha alma, os seios corruptores, que se revelavam impuros ao meu olhar e a feminilidade descaradamente apresentada, revelava tudo que arruinaria um homem de fé. Tudo em mim forçava para desviar meu olhar dessa monstruosidade, mas eu tive que resistir à tentação. Cheio de aversão, eu me forcei a olhar atentamente para cada detalhe da estátua de tamanho real, e a tentação começou. Meu olhar se fixou na pecaminosa porta do inferno, enquanto meu braço balançava o chicote, conforme ensinado durante o festival sagrado de Tuffa-Jab-Jab, chicoteando primeiro sobre o ombro esquerdo e depois sobre o ombro direito. As longas e finas tiras de couro com pequenas farpas morderam minha carne dolorosamente. Ruidosamente eu gritei alto o pedido cerimonial ao profeta para me libertar dos desejos pecaminosos e me proteger da tentação da Mirona Negra. Eu repeti este ritual de purificação por cinco vezes conforme prescrito.
Depois disso, o rabmulla sagrado saiu do fundo e declarou que eu fui perdoado por meus pecados e que fui aceito de volta na comunhão dos filhos justos do deus trino. Feliz, eu quis pegar minhas roupas manchadas de novo, mas o homem santo me deu um hábito novo e limpo. Juntos, nós deixamos o reino da corruptora para trás e entramos na luz dourada da salvação. Então, eu ajoelhei em frente ao altar e agradeci a Vhrato pelo perdão de meus pecados.
Quando eu estava prestes a deixar a capela feliz, outra figura apareceu na luz na qual reconheci o prelado supremo dos guardiões de Vhrato. Sua presença me perturbou profundamente, ele teria vindo para me punir por meu pecado?
Mas suas primeiras palavras dissiparam meus medos.
— Irmão Romano, eu estou orgulhoso de você. Você prestou grande honra aos guardiões de Vhrato por sua ação exemplar. Agora mesmo, nossos irmãos em todos os lugares estão destruindo as conspirações que você expôs e trarão os ímpios traidores de nosso povo à justa punição. Irmão Romano, eu quero parabenizá-lo, até mesmo o irmão coronel está muito satisfeito com suas realizações.
Com essas palavras, o irmão prelado apertou minha mão e me deu um tapinha jovial no ombro. Eu não pude evitar que um gemido alto escapasse de mim. No entanto, ele ignorou minha falta de controle e continuou:
— Isso lhe dará um dia de folga para se recuperar de sua tarefa estressante. Uma irmã médica cuidará de seus ferimentos. Amanhã será seu grande dia. Você terá a honra de ser colocado na guarda pessoal do coronel. Então seja pontual e não desonre os guardiões de Vhrato.
A recompensa dos verdadeiros crentes
Na manhã seguinte, eu acordei como se fosse um recém-nascido. As feridas, que haviam sido rasgadas pelo chicote, foram quase curadas como se por magia. Através das habilidades da irmã médica logo desapareceria completamente as marcas da minha vergonha. De bom humor, eu me lavei e vesti o novo uniforme de guarda. Este foi cortado completamente diferente das simples togas operacionais dos guardiões de Vhrato. Embora o livro sagrado do vhratoísmo, a base da Lei vhratoísta, colocasse a vaidade entre os pecados menores, não pude resistir à tentação de me admirar no espelho novamente. As calças e a jaqueta do uniforme eram feitas de um fino tecido cinza com debrum dourado, que era muito mais confortável de usar do que a lã de refry tingida de marrom, áspera e encardida, que sempre esfregava a pele dolorida. Assim como eram confortáveis as botas de cano longo pretas, que eu já tinha polido várias vezes até ficar com brilho intenso. Nenhuma mancha devia estragar meu uniforme, se eu fosse encarar o irmão coronel. Depois de ajeitar a boina preta novamente, peguei a bolsa com meus poucos pertences e deixei a pequena cabine residencial no quartel dos guardiões.
De bom humor, eu entrei na sala comunitária e fui recebido pelos meus antigos irmãos com aplausos altos e prolongado. Até agora tinha sido extremamente raro um membro dos guardiões de Vhrato ser designado para a guarda do irmão coronel. Normalmente, os candidatos a este honroso serviço aos benfeitores do povo eram selecionados antes da cerimônia Tuffa-Jab-Jab e preparados para sua tarefa de responsabilidade em colégios especiais de guarda. No entanto, línguas caluniosas afirmavam que muitos dos meninos chamados desapareceram para sempre no processo, o que eu acreditava ser um boato cruel usado para caluniar para insultar o líder do povo mashratano designado por deus. De qualquer forma, eu estava ciente da honra que essa designação significava para mim e me sentei orgulhosamente no lugar que havia sido colocado para mim, onde o café da manhã já me esperava. Eu terminei a refeição de bom humor e me despedi dos irmãos. Uma máquina voadora já estava esperando em frente ao portal do quartel que me levaria ao meu novo trabalho na área do palácio.
*
A máquina voadora aberta, que o motorista chamou de planador, flutuou em direção a uma estrutura impressionante, cujas paredes externas brilhavam imaculadamente brancas ao sol escaldante. Não havia nenhum outro edifício em Mashratan de tamanho e esplendor igual ao palácio do grande irmão coronel. O branco brilhante era único no mundo, porque a luz maravilhosa dos dois doadores de vida divinos que Vhrato deu a seus crentes coloriu tudo de amarelo e laranja. O branco puro do palácio pentagonal testificava um milagre divino que só poderia ter sido realizado pela onipotência do deus trino. O complexo pentagonal dominou o centro de Vhrataalis tão maciço quanto o governo eterno do deus trino sobre seu povo escolhido. Os quartéis dos regimentos de guardiões e amplos blocos de apartamentos para os criados foram distribuídos em um amplo parque ao redor da área do palácio.
A máquina desceu lentamente até um campo com uma borda vermelha na frente do portal de entrada, onde pousou majestosamente. Cheio de reverência, eu dei uma olhada em volta. Tudo testemunhava a grandeza sublime do grande irmão coronel, ali, a glória daquele abençoado por Vhrato e os profetas foi revelada. Os vestígios do diabólico ataque terrorista de janeiro de 4870, que só poderia ter sido obra da Mirona Negra, há muito haviam desaparecido, nada mais lembrava as atrocidades cometidas pela armada dos malvados. Mas o povo de Mashratan, com o grande irmão coronel à frente, havia se levantado novamente, mais forte e mais temente a deus do que antes e eles não se esqueceram.
Hesitante, eu saí do planador e olhei incerto para os guardas que estavam imóveis à esquerda e à direita do magnífico portal e apresentaram seus fuzis energéticos. Eu caminhei alguns passos em direção a eles e aguardei no calor da manhã. Involuntariamente, tentei imitar a postura ereta dos guardas, mas nada disso parecia interessar a eles. Então, alguns minutos se passaram e o suor correu para o meu colarinho uniforme. Então, de repente, parte do portal desapareceu e um homem uniformizado saiu casualmente para fora. Quando ele caminhava em minha direção, olhei para ele mais de perto e pensei que não podia acreditar no que via. Onde os guardas, mesmo estando imóveis no sol escaldante, usavam uniformes devidamente fechados, o homem desconhecido oferecia uma imagem completamente não militar. Seu cabelo meio comprido pendurado emaranhado sobre a gola da camisa desabotoada do uniforme, enquanto ele se aproximava de mim com um largo sorriso.
— Bem, agora nós temos nosso menino-maravilha — ele me cumprimentou e deu um tapinha condescendente em meu ombro.
Eu olhei para ele completamente estupefato. O que o grande irmão, o coronel, estava pensando ao mandar que eu fosse recebido por um sujeito tão questionável? Mas ele não se incomodou com minha indignação e continuou: — Bem, eu sou o major-domo do palácio, ou irmão principal, como vocês costumam dizer, e sou eu quem manda aqui, desde que coronel não esteja presente ou ocupado com outras coisas. E agora venha comigo, ele perguntou por você.
Eu fiquei sem palavras. Completamente pasmo com a saudação desrespeitosa ao nosso grande irmão, eu tropecei atrás dele através do portal dourado brilhante, que fechou de forma independente atrás de mim. Outro milagre que testemunhou a glória de Vhrato. O longo corredor que conduzia ao interior do vasto complexo estava quase totalmente às escuras. Nas paredes havia nichos que, através de spots, formavam um longo colar de pérolas de ilhas de luz. Fiquei admirado com as estátuas realistas dos ancestrais do nosso grande irmão atual. Era ali que batia o coração do povo mashratano. Cada um desses homens dedicou sua vida ao bem-estar do povo, seja como um grande irmão desinteressado, ou como um benfeitor que altruisticamente aumentou a riqueza de Mashratan. A base das ações de todos esses grandes homens foi a máxima dada pelo primeiro grande irmão coronel, Hesekiel el Kerkum, à sua família: — Nada para o indivíduo, mas tudo para a Humanidade!
*
Fiel a esse princípio, Mashratan, sob a liderança da família el Kerkum, sacrificou inúmeras vezes o auge de sua juventude pelo bem da Humanidade, seja na luta heroica contra os cabeças-de-prato não-humanos, ou um pouco mais tarde contra os senhores da galáxia. Quando a CREST III foi transportada ao passado pela armadilha do tempo dos senhores da galáxia, o grande Rabmulla Hashi Omar el Tabari teve uma visão do deus trino, por meio da qual a missão do povo mashratano foi revelada, como um espinho na carne de todos os povos humanos, que surgiram da tribo sagrada dos povos humanos primitivos, para perseguir o objetivo da unificação de todos os filhos da Lemúria. Junto com o então chefe da família el Kerkum, o grande irmão coronel Reginald el Kerkum, ele uniu o povo mashratano e com o “livro sagrado do vhratoísmo” deu-lhes a base espiritual e religiosa para o desenvolvimento da sociedade. Nos séculos seguintes, foi à irmandade dos filhos de Mashratan que usou seu sangue para defender o Império Solar contra todos os ataques de dentro e de fora.
Porém, a liderança do império da Humanidade esqueceu seu destino cósmico. Os Enviados Solares, Perry Rhodan e Atlan da Gonozal, não agiam mais de acordo com a grande visão da Humanidade, mas sacrificavam a vida humana bilhões de vezes pelos interesses de algumas forças cósmicas obscuras. Perto do fim do Império Solar, apenas Mashratan acreditava na antiga profecia de que a humanidade terrana, como filhos da antiga Lemúria, um dia herdaria o universo. O reconhecimento das forças cósmicas ocorreu imediatamente, os Hetos dos Sete, liderados pelos diabólicos lares, esmagaram o Império Solar, Perry Rhodan fugiu de sua responsabilidade, enquanto Atlan da Gonozal covardemente se escondeu na nebulosa de Punho de Provcon. Mashratan sozinho defendeu os interesses da Humanidade e teve que pagar caro por sua coragem heroica. Os superpesados comprados pelos lares, também filhos da Lemúria, conquistaram sua terra natal e estabeleceram um regime de terror sem precedentes. Todo mashratano, seja homem ou mulher, tornou-se o joguete de um poder de ocupação pervertido. Depois que o reinado do Concílio foi quebrado, o segundo choque veio. Os sobreviventes esperaram em vão que a Terra se lembrasse de seus filhos mais leais. Mas para Perry Rhodan e seu grupo de traidores, quaisquer ordens da superinteligência AQUILO eram mais importantes do que lidar com o destino de uma colônia supostamente provinciana. Embora, o reinado do Concílio tenha entrado em colapso, os superpesados ainda reinavam em Mashratan. Quando finalmente ficou claro que ninguém viria em nosso auxílio, todos os mashratanos se levantaram contra os ocupantes. A luta pela liberdade irrompeu e nós vencemos. Mas o preço de sangue que nós tivemos que pagar foi terrível: mais de nove décimos dos habitantes foram mortos, clãs familiares inteiros foram simplesmente dizimados. E então veio Julian Tifflor. O antigo pretendente do Novo Império Einsteiniano que queria persuadir os sobreviventes a se mudarem para a Terra deserta como parte do Projeto Peregrinador iniciado por AQUILO, já que esta havia retornado do Turbilhão Estelar ao seu lugar original no Sistema Solar, como parte da conclusão do projeto.
Porém, o imortal esbarrou em uma parede de granito. Nenhum mashratano estava disposto a abandonar sua terra natal, onde cada grão de areia estava impregnado com o sangue de heróis caídos, a mando de uma superinteligência duvidosa; muito pelo contrário. Nos meses e anos que se seguiram, todos os mashratanos que buscaram abrigo no Punho de Provcon como membros da Frota Solar, antes do reinado de terror dos lares e superpesados, voltaram para sua terra natal e começaram a reconstruir o planeta destruído. Mas os retornados trouxeram as ideias corrompidas de separação de poderes, liberdade religiosa e igualdade de gênero de seu exílio para Mashratan, colocando as sementes que permitiriam a encarnação da Mirona Negra entrar nos alicerces da sociedade mashratana.
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À nossa frente, um pilar de luz destacou-se da escuridão do longo corredor. Eu sabia pelos ensinamentos do santo rabmulla, por meio dos quais foi apresentado a cada mashratano à grande e sacrificial história de seu povo, que tínhamos chegado ao fim do caminho dos heróis. No centro da cúpula de luz, estava estátua maior do que o tamanho natural do fundador do estado e primeiro grande irmão coronel Hesekiel el Kerkum esperando que o visitante o lembrasse de sua obrigação para com a sociedade mashratana: — Nada para o indivíduo, mas tudo para a Humanidade!
Enquanto este questionável major-domo do palácio passou pelo memorial sem pensar, prestei homenagem ao honrado pai de nosso povo. Lentamente, rodeei a estátua dourada e fiz a homenagem prescrita para as pedras de alma, curvando-se profundamente. Então eu repeti esse rito mais três vezes. Enquanto pedia ao primeiro grande irmão ajuda em meu futuro ministério para o retorno da gloriosa Lemúria, eu pensei na visitação da encarnação corporal da Mirona Negra, a Enviada Solar das trevas e dos falsos santos solares.
*
O tempo da escravidão foi seguido pelo tempo da ilusão. As almas dos repatriados foram corrompidas pelos falsos ideais daqueles que estavam fora de Mashratan e constituíram o terreno propício ideal para o poder demoníaco da feminilidade, pelo qual o livro sagrado do vhratoísmo adverte os fiéis. Exteriormente, no entanto, a Idade de Ouro parecia ter começado para Mashratan. O materialismo e a busca do bem-estar pessoal resultaram em riqueza decadente, enquanto a religião e o grande objetivo de restaurar a gloriosa Lemúria foram esquecidos. Os servos perversos das trevas se esforçaram para corromper o povo do deus trino para sempre, quiseram incorporá-los ao reino recém-criado da intemperança e vergonha, que até hoje torna a Humanidade o joguete de forças cósmicas e alienígenas diabólicos. E então, o falso profeta veio. O próprio Perry Rhodan visitou Mashratan e milhões e milhões de iludidos filhos do deus o aplaudiram. Com sua ajuda ativa, todos aqueles que queriam destruir a igreja do deus trino e estabelecer um regime ímpio de vergonha baseado no modelo da Terra se reuniram. Os homens santos do Conselho dos Apóstolos foram perseguidos e destituídos de poder, e a multidão ímpia liderada pelos demônios das trevas se enfureceu nas chamadas manifestações de ruas de Vhrataalis.
Sob a pressão do traidor Julian Tifflor, que se enfeitou com o título de Primeiro Terrano, houve as chamadas eleições livres, nas quais as sedutoras femininas também tinham o direito de votar. O resultado ficaria na história do meu povo sofredor como o dia negro do ateísmo. A encarnação da Mirona Negra, que só pode ser chamada de maldita inominável, assumiu o poder e quis vender a pátria para esta liga ímpia, que se autodenominava a sucessora do verdadeiro reino estelar da Humanidade.
No entanto, os filhos do deus verdadeiro se lembravam dos tempos antigos, quando sua palavra formava a base da sociedade. Vhrato apareceu a seu servo Gregor Reginald el Kerkum e deu-lhe a ordem para acabar com a conspiração dos ímpios e reconstruir o reino do deus trino. Ele lançou a capa da invisibilidade sobre seu fiel executor e tornou possível para ele repelir os malditos de volta para o reino demoníaco da Mirona Negra. Os heroicos seguidores da verdadeira fé pegaram em armas e encheram os corações dos pecadores de medo e covardia. O julgamento que eles proferiram contra os corruptores da fé foi severo, mas justo. Aqueles que renunciaram à heresia da chamada democracia e aos direitos iguais das filhas da Mirona Negra foram perdoados e autorizados a expiar sua culpa a serviço do deus. No entanto, os infiéis que confrontaram os crentes com armas, foram duramente atingidos pelo poder do deus.
Como consequência desses anos horríveis, os guardiões de Vhrato foram fundados e receberam amplos poderes do recém-criado Conselho dos Santos Solares. Desse momento em diante, todas as mulheres, como a personificação da tentação demoníaca, tiveram que usar em público o “Yeshi-Hihab”, uma espécie de campo de distorção óptica, para proteger os filhos do deus trino das artes sedutoras dos demônios da Mirona Negra.
Nos séculos que se seguiram, parecia que Vhrato manteria sua mão protetora sobre seu povo, protegendo-os das tentações dos falsos deuses, que agora eram adorados na liga dos ímpios. Porém, por fim, os falsos deuses também alcançaram sua terra natal depois que a liga dos ímpios os enfureceu. Seu filho nascido no pecado, que havia subido para governar a primeira ilha, isolou os mundos dos humanos uns dos outros e usou suas terríveis criaturas híbridas de carne e metal para punir os incrédulos, bem como os fiéis.
Os Santos Solares foram enganados pelo falso filho do deus e usaram de meios tecnológicos para pregar um caminho errado. Eles declararam que Vhrato havia enviado o falso filho do deus para liderar seu povo no verdadeiro caminho da fé. Mesmo depois que o falso filho do deus ter encontrado seu merecido fim, eles mantiveram sua heresia e foram capazes de dissuadir cada vez mais os crentes do caminho verdadeiro para essa fé.
Somente através da meditação e imersão no livro sagrado do vhratoísmo, eles ensinaram, o crente poderia alcançar um plano superior de existência que abriria o caminho para a verdadeira herança da humanidade lemurense sem o caminho errado da tecnologia diabólica. Hordas de pregadores penitentes autoproclamados e fanáticos marcharam por todo o planeta e aterrorizaram a população. Quaisquer cidadãos que possuíam objetos tecnológicos foram expostos no deserto como hereges. Foi um longo período de horror e arbitrariedade, que foi finalmente levado ao fim pelo atual grande irmão coronel.
*
— Louvado seja Vhrato e os profetas solares — eu completei minha oração silenciosamente e repeti o mandamento do primeiro grande irmão —, nada para o indivíduo, mas tudo para a Humanidade!
O engraçado major-domo do palácio estava esperando e me recebeu com aquele sorriso cômico, pelo qual eu legitimamente teria acertado meu punho no rosto de qualquer um dos filhos da Igreja do deus trino.
— Depressa, cara, depressa, o coronel não gosta de esperar! — latiu ele.
Um erro teologicamente grave
Com reverência, entrei na câmara de audiência do grande irmão coronel, logo atrás do meu companheiro. Para mim era um sonho que se tornou realidade. Já quando criança, eu imaginava como seria estar cara a cara com o benfeitor do nosso povo. Mas ao mesmo tempo eu me sentia profundamente envergonhado, tinha pecado e sucumbido à tentação voluptuosa da Mirona Negra.
O major-domo do palácio saudou negligentemente e informou: — Aqui está o nosso herói, coronel!
O grande irmão se levantou e examinou esse sujeito censurável, que não tinha muita reverência por seu mestre, antes de responder: — Supremo, eu também espero uma apresentação decente de você!
O destinatário, então, bateu os calcanhares das botas do uniforme, manchadas, saudou novamente e bufou em um tom afiado: — Grande irmão coronel, anuncio obedientemente que o Irmão Nelder está presente como ordenado!
Agora, o grande irmão sorriu satisfeito e disse: — Por que não fez desta forma imediatamente, irmão supremo?
Durante esta reprimenda, eu fiquei imóvel e tentei desesperadamente impedir que um sorriso satisfatório aparecesse ao redor dos meus lábios. O grande irmão agora lançou o olhar de olhos afiados para mim e lentamente começou a caminhar ao meu redor. Mais uma vez eu tentei endurecer minha postura para poder resistir diante dos olhos severos do líder de nosso povo.
Simultaneamente, eu usei a oportunidade para dar uma olhada. A sala de audiências testemunhava a dignidade do sagrado ofício do grande irmão e brilhava no quente amarelo da luz sagrada. As paredes eram adornadas com imagens em movimento do benfeitor, mostrando-o fazendo seu trabalho responsável. Na parte superior do salão em forma de cúpula, representações das montanhas Sainah e das duas luas Hugin e Munin eram visíveis, que pareciam estranhamente objetivas e, portanto, testemunhavam a onipotência de Vhrato. Então meus olhos pousaram no confortável banco de descanso no qual o grande irmão provavelmente se recuperou de seu trabalho responsável pelo bem-estar dos cidadãos. Ao lado, no sofá estava sentado um homem de aparência um tanto entediada, com barba cheia e cabeça raspada, um dos filhos e o confidente mais próximo do grande irmão coronel. Atrás dele estavam duas mulheres que, como o livro sagrado prescrevia, estavam recatadamente veladas pelo “Yeshi-Hihab”, que deviam ser suas duas filhas virtuosas. O orgulho de nosso líder encheu meu coração ao ver a família impecável, o grande irmão coronel vivia de acordo com o livro sagrado.
Um tapinha no ombro me arrancou dos meus pensamentos. Eu olhei para cima e vi nos olhos penetrantes do grande irmão, que parecia olhar para a minha alma pecaminosa.
— Irmão Romano — assim ele iniciou —, eu e todo o povo mashratano estamos orgulhosos de você e de seu compromisso heroico no serviço do deus trino, através do qual foi possível expor uma conspiração da liga ímpia e levar os rebeldes perversos ao seu justo castigo!
Ele fez uma pausa, me abraçou e deu tapinhas em meu ombro novamente, então prosseguiu.
— Irmão Romano, Vhrato o escolheu para responsabilidades mais elevadas e mais importantes, então, agora você é parte da guarda solar, e com todo seu poder e fé, você protegerá o trabalho do deus trino e ajudará a espalhar seu reino sobre os mundos da primeira ilha.
Minha vaidade se exultou enquanto minha alma se encheu de uma vergonha abismal. E então isso jorrou de mim:
— Grande irmão coronel, eu não sou digno desta honra, violei as leis do deus ao entregar-me ao pecado mortal do prazer.
Bem, agora eu tinha confessado minha iniquidade e esperava humildemente que o grande irmão me expulsasse com insultos e desgraça. O que aconteceu a seguir me encheria para sempre de gratidão pela sabedoria e justiça do grande irmão coronel. Este último explodiu em gargalhadas com a minha confissão.
— Irmão Inácio, venha aqui, nós precisamos restabelecer a salvação espiritual de um verdadeiro crente.
Eu escutei. Nenhuma condenação pelo meu pecado mortal, sem banimento da aliança dos verdadeiros crentes? Um homem idoso, que inspira admiração, em uma túnica vermelha, que eu não tinha notado antes, caminhou em nossa direção. Quando ele se aproximou, eu o reconheci.
Sua Santidade, Inácio Mose O’Donnel, o guardião do livro sagrado, caminhou em nossa direção com passo medido. Eu fiquei atordoado com o tom desrespeitoso do grande irmão, com o qual ele praticamente convocou o santo padre da nossa igreja trina. Durante o ritual de iniciação, o santo solar tinha participado do juramento dos alunos guardiões, dos quais eu também pertencia. Eu fiquei profundamente impressionado com a cerimônia sagrada e prometi deixar minha vida e minhas ações serem guiadas pelos mandamentos da santa igreja do deus trino. Porém eu tinha pecado. O que o santo padre diria se descobrisse meu pecado mortal?
— Grande irmão, qual é a questão teológica? — perguntou o santo solar.
— Bem, irmão Ignatius, trata da salvação espiritual de nosso irmão Romano aqui, que foi extremamente testado pelas filhas dos demônios em seu serviço como guardião de Vhrato. Ele pensa que sucumbiu ao prazer e se apaixonou pelas trevas.
Sua Santidade virou-se para mim e perguntou se isso era verdade. Cheio de vergonha, eu respondi com “sim”, e esperava que ele me condenasse. Pois sua santidade era conhecida por fazer processos curtos com pecadores. Porém sua próxima pergunta me surpreendeu.
— Irmão Romano, qual é o pecado mortal do prazer?
Sem precisar pensar por muito tempo, eu respondi:
— O pior pecado perante a face do deus trino, mas é quando o homem e a mulher se contorcem um sobre o outro em prazer ganancioso e luxúria mútua e entregam a pureza de suas almas para a podridão das trevas!
O santo em roupão vermelho assentiu afirmativamente e um sorriso breve e divertido cruzou suas feições.
— Agora, sua resposta prova que você aprendeu bem os mandamentos do deus e de seu profeta Vhrato, mas — ele fez uma breve pausa, olhando para mim —, não entendendo!
Por um momento, olhei para ele com descrença, mas ele continuou.
— De acordo com o livro sagrado, o pecado mortal do bem-estar se dá quando os homens e as mulheres se entregam ao prazer mútuo. Irmão Romano, a prostituta da Mirona Negra entregou-se ao prazer embaixo de você ou acima de você?
Esta pergunta era tão ultrajante que tive que pensar por um momento antes de responder.
— Não, santo padre, não creio que tenha gostado disso, pelo contrário.
Então ele mostrou um sorriso misericordioso e bateu levemente em minha bochecha amavelmente.
— Veja, irmão Romano, é exatamente aqui que está à solução para o seu problema. Nos mandamentos do deus trino estabelecidos no livro sagrado fica claro que o pecado mortal do prazer só existe quando o homem dá prazer a uma criatura das trevas, este não foi o caso com você após sua confissão piedosa. Se uma filha de Vhrato sucumbiu às tentações demoníacas dos seres das trevas, todo filho da igreja trina tem o dever de obter, por todos os meios, uma confissão de sua conspiração demoníaca. Nessa ocasião, tudo é permitido para trazer à tona a vergonhosa verdade. Todo filho da santa igreja age como um servo do deus e, portanto, não pode cometer nenhum pecado. Portanto, sua alma é tão pura e inocente como era no dia de seu nascimento!
Era como se o fardo da gigantesca montanha Ahaggar estivesse caindo de mim no meio do pátio do Inferno. Eu não tinha pecado contra os mandamentos do deus. Interiormente me regozijei, agora eu poderia começar meu serviço na luz dourada do profeta sem dores de consciência e defender nosso lar com toda a força de minha alma divina contra os reinos dos ímpios da primeira ilha. Mas por que o rabmulla impôs o ritual do refém do demônio em mim?
E foi exatamente sobre isso que perguntei ao santo padre. Ele me olhou ou, pelo menos, parecia, por meia eternidade antes de responder.
— Meu filho, os pastores da santa igreja também não estão imunes a erro. O irmão que impôs a você a penitência do refém do demônio em você, assim como você, cometeu o erro de repetir os mandamentos do deus sem sentido ou razão. Nós, como guardiões do livro sagrado, devemos ser gratos a você por chamar nossa atenção para esta queixa em nossa igreja. Será nossa tarefa garantir que todos os irmãos responsáveis pela salvação das almas dos fiéis sejam mais cuidadosos com a verdade divina que está por trás dos mandamentos do deus. Uma citação impensada do livro sagrado não está no espírito de nosso criador.
Então ele fez uma pausa para deixar seu olhar vagar sobre todos os presentes e ergueu os braços em um gesto de bênção.
— Vocês, filhos do deus trino, ouçam minha voz! — trovejou sua voz grave sobre os reunidos. — Eu, Ignatius Mose O’Donnell, declaro as seguintes verdades divinas, que são válidas para todo crente a partir de agora, com o poder da igreja concedido a mim pelo deus trino e em nome do conselho dos santos solares:
As filhas demoníacas da Mirona Negra erguem suas caretas de medusa novamente para destruir os filhos inocentes de Vhrato. Por essa razão, que a lei para a proteção da pureza imaculada entra em vigor novamente. É, portanto, o dever de todo verdadeiro crente castigar esta criação de cobras com o yekjab, onde quer que exale seu veneno de heresia. Toda filha de Vhrato é expulsa da comunidade dos filhos do verdadeiro deus e declarada sem lei quando é vista por um filho de Vhrato sem a proteção de Saint Yeshi-Halef. O uso do Yeshi-Hihab agora só é permitido aos membros das famílias que são forçados a entrar em contato com os infiéis da grande primeira ilha. De qualquer forma, isso requer permissão do Conselho dos Santos solares e do chefe da família. Também determino que a consequência condenável do vício de fazer o sagrado Yeshi-Halef de tecido nobre em cores claras deve ser considerada um pecado grave. O mesmo se aplica a todas as bugigangas com que os verme-cobra dos seres das trevas satisfazem a sua vaidade desprezível. A virtude por si só deve ser a joia de uma filha de Vhrato no futuro e, somente com ela, ela deveria fazer seu futuro marido feliz. O livro sagrado afirma que o Yeshi-Halef só deve ser feito de tecido de lã grossa, cinza e reciclada, e assim seja. Tudo o que permite ao olho do crente vislumbrar os encantos demoníacos das filhas de Vhrato é o trabalho da grande corruptora e, portanto, o pecado mais grave a ser perseguido.
Com estas palavras, o santo padre terminou o discurso. Após um breve momento de silêncio devoto, houve aplausos estrondosos. As pessoas o aplaudiram e repetidas vezes gritos podiam ser ouvidos elogiando sua sabedoria e louvando a santa igreja. Apenas uma das mulheres protegidas pelo Yeshi-Hihab, que eu suspeitei serem as filhas honradas do grande irmão coronel parecia querer dizer algo. Porém, seu filho Ali Urban Judáa El Kerkum, suprimiu esse ultraje deixando bem claro para ela que uma mulher carregada de pecados, mesmo sendo filha do grande irmão coronel, precisava permanecer em silêncio na comunidade dos filhos de Vhrato. O grande irmão observou isso e ordenou a este estranho major-domo do palácio que as levasse aos seus aposentos e se certificassem de que elas não os deixassem.
Então, ele agradeceu ao Santo Padre por sua bondade e sabedoria, o que permitiria aos guardiões de Vhrato parar qualquer rebelião das filhas demoníacas da Mirona Negra.
Após uma breve pausa, durante a qual as filhas caídas de Vhrato serviram refrescos aos convidados de honra do grande irmão coronel, chegou o clímax do meu sonho: ele ordenou que seu filho me trouxesse a patente de tenente da guarda.
— Eu, coronel Ibrahim David Gregor El Kerkum, representante nomeado pelo deus do povo de Mashratan, nomeio você, Romano Nelder, como ferramentas da vontade de Vhrato, na comunidade sagrada da guarda solar. Agora use a insígnia de sua vocação com orgulho e honra!
Com essas palavras, ele prendeu duas dragonas à esquerda e à direita do meu uniforme, o que me tornou um membro oficial da guarda solar. Posteriormente, fiz o juramento tradicional, com o qual os membros da guarda se comprometem desde tempos imemoriais a cumprir as ordens do respectivo representante do Enviado Solar.
— Eu juro acreditar em seus ensinamentos e guardar seus mandamentos. De agora em diante, eu sou parte do escudo que protege o futuro reino dos filhos da Lemúria contra todos os inimigos. Eu dedico minha vida e honra à sagrada comunhão da guarda solar, e realizarei todas as ordens de Vhrato, falando através de seu representante, sem o menor momento de hesitação ou dúvida.
A grande visão
Ao redor dele estava à escuridão, nenhum raio de luz de Vhrato iluminava o inferno sobre o qual a Mirona Negra governava com crueldade demoníaca. Freneticamente, ele tentou se mover, mas o trabalho demoníaco o cercava e inibia cada um de seus movimentos. Involuntariamente, ele prendeu a respiração para impedir que a essência do demônio negro envenenasse seu corpo. Com o maior esforço de vontade, ele manteve esse estado por alguns minutos, mas um violento acesso de tosse enviou ar limpo e puro por seus pulmões. Ele se ergueu e de repente a luz da verdade queimou em suas pálpebras. Seu olhar velado caiu em luzes piscantes e linhas coloridas que pareciam flutuar na sala. Ao mesmo tempo, sons agudos atormentavam seus ouvidos.
Trabalho demoníaco, os seres das trevas tentavam cegar sua mente com ilusões.
Enquanto ele lutava pelo controle do corpo e da mente, o termo “console de vigilância holográfica” emergiu de repente das profundezas de sua consciência. — Ele finalmente conseguiu levantar a parte superior do corpo até a metade e liberar uma das mãos. Algo envolvia a parte inferior do seu rosto. Em pânico, ele tateou por ela. Um material macio parecido com couro imitava a boca e o nariz, enquanto mangueiras desapareciam em algum lugar. Seus dedos alcançaram a borda pelo tato, um puxão, e ele segurou a pele demoníaca em sua mão. Seu olhar fixou-se na obra do diabo e depois jogou fora sua careta de desgosto. “Máscara de respiração” esta palavra sem sentido de repente assombrou seus pensamentos. Ele estaria enlouquecendo, a governante do demônio negro enviou essas divagações sem sentido para confundir sua mente?
Lentamente o pânico se espalhou nele, ele precisava salvar a pureza de sua alma, ele precisava sair dali. Ele reuniu suas forças e tentou sair do reservatório. Mas a água demoníaca tentou puxá-lo de volta para sua garganta voraz. Mas a vontade do verdadeiro crente prevaleceu sobre as forças demoníacas. Com um puxão, ele finalmente ficou livre e saiu da banheira. Ele agarrou a borda e puxou-se para cima. E outra vez outra expressão incompreensível assombrou sua cabeça, “tanque de regeneração”, o que quer que isso significasse.
Seu pânico passou e ele podia se orientar na sala desconhecida. Com as mãos, ele retirou os restos da essência demoníaca de sua cabeça e corpo e olhou em volta. Ele ficou hesitante ao lado do tanque do qual ele acabara de se libertar. Em torno dele, o branco brilhante das paredes era interrompido por algum tipo de equipamento técnico, cuja finalidade era desconhecida por ele. De repente, a parede ficou transparente em um lugar e duas figuras entraram na sala. Ele olhou para elas, completamente espantado antes de perceber o que estava acontecendo diante de seus olhos. Mais uma vez, o pânico o alcançou. Os servos da Mirona Negra atravessaram a parede para levá-lo para o reino escuro dela. Mais uma vez, algum demônio tentou confundi-lo com “o portal formado de energia”, mas ele ignorou suas sugestões. Ele havia resistido a tentações muito pior do que esta geringonça incompreensível. Mas as duas figuras, que estavam interessadas em seguir as ilusões piscando e se contorcendo no meio do ar, eram reais e só podiam ser demônios, o que provou sua forma longa e magricela com cabeças calvas em forma de ovo, de onde olhos vermelhos o espiavam. Agora era hora dos demônios agarrá-lo com suas garras. “Aras, também conhecidos como médicos galácticos” sussurrou novamente em seu cérebro. Ele precisa lutar, precisava enviar a ninhada de demônios de volta para o inferno de sua amante, precisava...
— Vhrato, santo Enviado Solar — começou ele a rezar, enquanto cambaleava em direção aos dois com os punhos cerrados.
— Dr. Runtoo, acalme o objeto de pesquisa! — ordenou uma voz, enquanto a segunda respondeu — sim, Manta-Zada!
Uma das figuras ergueu um bastão e se aproximou dele. Só agora ele percebeu que ela era uma mulher, um demônio das trevas. Antes que ele pudesse se defender, ela pressionou o bastão contra seu pescoço e ouviu-se um zumbido curto. Ele tentou bater nela, mas nada aconteceu, ele ficou apavorado ao descobrir que não conseguia mais se mover.
— Injetei três unidades de sedativos!
Alguns dias mais tarde
Um homem estava sentado à beira de uma piscina pomposa que ficava na superfície do enorme palácio pentagonal. A piscina em forma de concha formava o centro de uma paisagem desértica recriada, que aparentemente se estendia até o horizonte visível. Apenas alguns dias atrás, esta paisagem teria parecido a Romano Nelder como um milagre incompreensível do Enviado Solar, mas com o novo conhecimento que lhe foi transmitido pelo hipnotreinamento, ele sabia que por trás desse suposto milagre estava a tecnologia moderna do século 49. O horizonte, que parecia se perder no infinito, era o resultado de hologramas complexos, com a orla do palácio sendo traçada por barreiras de energia de forma apropriada para evitar que alguém caísse do telhado durante o que deveria ser uma caminhada no deserto.
Com um estremecimento, ele se lembrou de que, alguns dias antes, despertou do sono profundo e curativo e tinha visto na tecnologia médica envolvente um trabalho da Mirona Negra. Porém tudo isso ficou para trás. O médico galáctico que o tratava, quando ele acordou pela segunda vez do sono profundo e curativo, o parabenizou por sua psique estável, graças ao qual ele sobreviveu ao hipnotreinamento intensivo. De acordo com sua declaração, era preciso aceitar o risco de danos psicológicos, pois não havia tempo para o treinamento normal.
Neste momento, outro homem se juntou a eles, que aparentemente ocupava um alto posto, como sugeria seu uniforme verde-limão, que era adornado com todos os tipos de medalhas e dragonas de ouro. Isso também foi confirmado pelo fato de Romano Nelder ter levantado com um salto, ficou em posição de sentido e fez uma continência.
O homem com os cabelos crespos, altura mediana e cavanhaque cortado rente, que era o atual chefe de estado do Mashratan, correspondeu à saudação com um breve aceno de cabeça.
— Venha, tenente Nelder, nós temos muito a conversar.
Um pouco mais tarde, em uma sala de conferência luxuosamente mobilada.
Romano Nelder sentou-se rígido como uma vara em uma mesa de conferência pomposa e ouviu o monólogo brilhante do grande irmão. O coronel El Kerkum, honorável governante do planeta Mashratan, mostrou que toda a história oficial da Humanidade fazia parte de uma conspiração universal de proporções gigantescas, cujo objetivo era negar a Humanidade, herdeira do glorioso Grande Tamânia da Sagrada Lemúria, seu destino cósmico. Romano Nelder ficou impressionado com as declarações monstruosas; finalmente, todas as muitas contradições que o atormentaram após o bem-sucedido hipnotreinamento, lhe deram uma imagem coerente.
Tudo se resumiu aos confrontos de duas entidades conhecidas como AQUILO e ANTI-AQUILO em todos os mundos da estirpe lemuriana da Humanidade. Mas com isso, as semelhanças com a historiografia oficial, seja na liga dos ímpios ou na Gos’Tussan arcônida, já estavam esgotadas. O grande irmão coronel expôs uma verdade muito diferente da que estava profundamente enraizada no passado da primeira Humanidade.
"Há quase 200 mil anos, no terceiro planeta de um sistema solar, que orbita longe do centro em um braço da primeira ilha, uma suposta nova espécie emergia da insignificância da biodiversidade primitiva do planeta. Porém, o surgimento dessa espécie não foi resultado da evolução natural, mas foi decisivamente influenciado pelas múltiplas manipulações de várias potências cósmicas. Este sistema, por mais discreto que parecesse ao observador ignorante, era na realidade o centro de enormes forças cósmicas, as duas entidades irmãs haviam nascido eras atrás à luz da estrela central. Milhões de anos se passaram, e a vida germinou em quatro mundos do sistema e se extingui várias vezes. Por fim, a espécie humana surgiu no terceiro planeta e começou a determinar seu papel em um universo hostil. Ao longo de muitos milênios, a primeira Humanidade sobreviveu em uma luta implacável pela sobrevivência com o apoio do profeta solar Vhrato contra vários monstros e finalmente deixou seu planeta, nossa pátria ancestral Lemur, há mais de 50.000 anos. Nos milênios seguintes, nossos ancestrais se espalharam por toda a primeira ilha e criaram a grande Tamânia, que em seu auge possuía mais de 100.000 sistemas solares. Simultaneamente, eles superaram o vazio entre a terra natal e a segunda ilha, hoje conhecida como Andrômeda. A ciência estava em pleno florescimento, e com o apoio da inteligência paradoxal ZEUT, que é baseada no quinto planeta, a Primeira Humanidade estava à beira de ascender às esferas mais altas das potências cósmicas. Porém nossos ancestrais se tornaram o brinquedo dos dois irmãos antagonistas. ANTI-AQUILO manipulou alienígenas diabólicos de uma galáxia distante para acabar com a ascensão de nossos ancestrais. As bestas-feras, monstros de quatro braços com mais de três metros e meio de altura, esmagaram a Grande Tamânia com brutalidade sem precedente. Por ordem de ANTI-AQUILO, o quinto planeta do sistema natal foi destruído e, portanto, também a inteligência paradoxal ZEUT, ao qual a rápida ascensão da primeira Humanidade foi possível.
Porém muitos dos ancestrais conseguiram salvar-se sobre o grande abismo da segunda ilha e encontrar um novo lar lá. Mas ali, também, ANTI-AQUILO tentou sabotar a ascensão da Humanidade renovada, e incitou alienígenas respiradores de hidrogênio em nossos antepassados. Porém a entidade obscura calculou mal, com coragem incomparável, nossos ancestrais que haviam fugido lutaram contra os agressivos respiradores de hidrogênio e foram capazes de defender seu novo refúgio. Definitivamente esses alienígenas foram completamente expulsos da segunda ilha. Sob os auspícios de AQUILO foi fundada uma organização de proteção dos humanos instalados na segunda ilha, que conhecemos hoje como senhores da galáxia. Seu objetivo era proteger a raça humana de todos os perigos que emanam de vida alienígena existente. A frente desta organização estava a santificada primeira enviada solar Mirona Thetin.
Para a primeira ilha, o ataque terrorista iniciado por ANTI-AQUILO teve as piores consequências. A Tamânia se desintegrou em reinos estelares isolados e individuais, onde o passado glorioso foi esquecido. Na própria Lemur, a violação do planeta pelas bestas-feras desencadeou desastres naturais globais através dos quais quase todos os vestígios de nossos ancestrais foram apagados da superfície. A raça humana sobreviveu apesar de ter sido lançada novamente na idade de pedra. Em sua memória racial, o terror das bestas-feras fundiu-se com o trauma do antigo medo dos konos, dando origem ao medo perpétuo do inferno e do diabo e à ameaça do apocalipse. Porém, por fim o ser humano ressurgiu daquele ambiente primitivo e começou a herdar o legado de seus antepassados.
Ali, o grande irmão coronel fez uma pausa e olhou interrogativamente para o seu interlocutor. Ele ficou profundamente comovido com a sabedoria das revelações. Então, o glorioso líder de Mashratan continuou depois de beber uma bebida disponível para ele.
— Na primeira ilha, nos milênios após a grande catástrofe, formou-se um novo império da Humanidade na região da antiga 87ª Tamânia. Mas ANTI-AQUILO teve sucesso em semear discórdia dentro do novo reino estelar, de modo que os filhos dos lemurenses lutaram uns contra os outros. Por fim, muitos mundos de colonização se separaram e o aglomerado estelar esférico Urdnir foi estabelecido, o que formaria o centro de Tai Ark’Tussan, o Grande Império, sob o nome de Thantur-Lok.
Os descendentes dos patriarcas se espalharam pelos aglomerados estelares globulares de Thantur-Lok e Cercol nos séculos seguintes, simultaneamente, muitos mundos já povoados, que outrora fizeram parte da Tamânia dos Ancestrais no quadrante noroeste, foram incorporados ao emergente Tai Ark’Tussan. Século após século, o Grande Império se expandiu e finalmente estava a caminho de suceder a grande Tamânia dos ancestrais. Mas este desenvolvimento não era do interesse de ANTI-AQUILO. A entidade negativa manipulou o hiperespaço e gerou hipertempestades extremas no Quadrante Noroeste, conhecido como Períodos Arcaicos, que durou quase mil anos. Os mundos do Grande Império foram isolados uns dos outros, e muitos e muitos se afundaram na barbárie ao longo dos séculos. Após o retorno das condições normais, os arcônidas provaram ser verdadeiros filhos de Lemur e continuaram destemidos de onde pararam.
Nos séculos seguintes, AQUILO apoiou esse desenvolvimento ao conceder a vários imperadores a ducha celular para prolongamento da vida na cúpula da névoa em Zhygor para estabilizar o desenvolvimento de Tai Ark‘Tussan. O Grande Império cresceu e dominou mais e mais partes do Quadrante Noroeste. Porém ANTI-AQUILO não desistiu de sua intenção de destruir os filhos de Lemur. Um ataque duplo deveria trazer o resultado desejado finalmente. Os alienígenas respiradores de hidrogênio, que foram expulsos da segunda ilha se estabeleceram na galáxia natal da Humanidade com a ajuda do irmão negativo de AQUILO e estavam no processo de construção de seu próprio império estelar não natural de alienígenas. Nossos irmãos arcônidas obviamente estavam em seu caminho. E, novamente, a cultura humana estava envolvida em uma batalha final pela sobrevivência contra os inimigos cruéis e impiedosos da vida real. Mas isso não era o bastante. O poder das trevas rompeu as fronteiras entre os universos e tornou possível que os sombrios seres não humanoides dos druufs desses reinos diabólicos, que eram chamados de Universo Vermelho, também ameaçasse a existência de nossos irmãos. O Grande Império enfrentou seu maior desafio. Mas nossos irmãos arcônidas enfrentaram o perigo com a coragem do desespero. Eles heroicamente defenderam o legado dos humanos contra os dois agressores. Quando os seres não humanoides do universo infernal vermelho também alcançaram Lemur, a terra natal dos humanos, AQUILO, o protetor dos filhos dos lemurenses, finalmente pôde intervir. Na pessoa de Gos’athor Atlan da Gonozal, ele encontrou um digno representante que, no futuro, agiria como guardião da Humanidade ressurgente e se tornaria o segundo Enviado Solar.
Novamente, milênios se passaram. Durante todo o tempo, o enviado solar Atlan supervisionou cuidadosamente o destino do lar original da Humanidade. Repetidas vezes, ele precisou deixar seu templo abaixo do nível do mar, proteger a Humanidade que lhe foi confiada das criaturas do adversário. E então veio o ano de 1971. O major Perry Rhodan partiu para a lua com o STARDUST e lá encontrou o cruzador de pesquisa arcônida encalhado. O círculo se fechou.
O que se seguiu foi a ascensão incomparável da humanidade terrana, os filhos esquecidos da Lemúria provaram ser os verdadeiros herdeiros da grande Tamânia de seus antepassados. Depois que Perry Rhodan resolveu o enigma galáctico nos mundos de Vega, ele e seus camaradas mais importantes, como os imperadores de Tai Ark‘Tussan, receberam a ducha celular que prolonga a vida. O Império Solar emergente se tornou o motor da expansão da segunda Humanidade sobre a primeira ilha nos anos seguintes. Após a unificação do Império Solar com o Tai Ark’Tussan para formar o Império Unido, a segunda parte do grande plano de nosso condutor foi realizada, o Administrador-Geral Perry Rhodan se tornou o terceiro Enviado Solar.
Mas ANTI-AQUILO, pelo contrário, não desistiu. Já durante os primeiros passos da humanidade terrana no palco cósmico, a entidade negativa abriu as fronteiras entre os universos e tentou impedir a ascensão renovada da Humanidade através da vida não humanoide do universo infernal vermelho. Mas essa tentativa também falhou. Então, o corruptor da vida verdadeira mudou de tática. Seu objetivo não era mais destruir a Humanidade, mas influenciá-la a seu favor. Os conflitos entre ele e sua entidade irmã entraram na fase decisiva sem que os terranos ou arcônidas percebessem que eles eram apenas os peões em um jogo de xadrez cósmico, que as duas entidades irmãs jogaram juntas às custas da Humanidade.
O grande irmão coronel fez outra pausa e enxugou seu rosto corado com um lenço. Depois de desfrutar de um grande gole de vinho, ele estudou seu interlocutor.
— Ele viu através de toda a infâmia desta conspiração cósmica?
O destinatário foi tirado de seus pensamentos pela pergunta. Ele hesitou em responder à pergunta do benfeitor.
— Os... os Enviados Solares são traidores e...
— Não, não — ele foi interrompido com um grito —, eu sabia, naturalmente, nada mesmo, ele não entendia absolutamente nada, idiotas, eu estou cercado de idiotas!
Mais uma vez, o coronel enxugou o rosto e apanhou a garrafa de vinho. Depois de ter esvaziado a metade, ele parecia ter se acalmado um pouco.
— Romano, meu jovem ignorante, você precisa ver através das mentiras... olhar por trás dos cenários cósmicos. Qual era o objetivo original dos Enviados Solares?
Outro gole da garrafa. Então ele mesmo respondeu a sua pergunta.
— O grande plano era unir todos os filhos da Lemúria, das primeira e segunda ilhas, ou seja, tefrodenses, arcônidas, aconenses e terranos, com todos os seus diferentes povos coloniais em um grande império da Humanidade, esse era o plano, entendido?
Nelder assentiu e perguntou, porém: — Mas Perry Rhodan esmagou os senhores da galáxia e o Enviado Solar Atlan matou a Mirona Negra e assim nos salvou dos demônios.
— Há, eu sabia, ele ainda não entendeu, idiotas, nada além de idiotas, se vocês não tivessem me...
Então, Kerkum começou a dar voltas e por fim curvou-se sobre ele, apoiando-se nos braços de sua cadeira.
— Porém, isso deve ficar claro, os Enviados Solares não eram mais os Enviados Solares... idiotas, crianças ingênuas, todos vocês, eles eram na realidade as criaturas de ANTI-AQUILO... ele finalmente entendeu... ANTI-AQUILO estava por trás de tudo isso.
O homem com quem gritava se sentiu visivelmente desconfortável por ter que olhar para os olhos arregalados de seu ídolo que estava há alguns centímetros dele, mas ele bravamente perguntou a ele:
— Por que ANTI-AQUILO, grande irmão?
Kerkum se endireitou, respirando pesadamente, olhou fixamente para Nelder.
— Porque ele ganhou o jogo de xadrez cósmico — respondeu ele —, agora você finalmente entendeu, seu idiota? Desde então, o velho inimigo da Humanidade tem manipulado os eventos cósmicos, manipulando primeiro os Enviados Solares Perry Rhodan e Atlan e depois trocando por suas criaturas, e a Enviada Solar Mirona Thetin tornou-se um demônio desencarnado depois que o Enviado Solar manipulado Atlan a traiu e supostamente a matou, e assombra os homens como a Mirona Negra.
Interlúdio (entre jogos)
Nos bastidores do palco cósmico
Em meio à planície de sombras, que parecia se perder no infinito, um ponto de luz solitário inexistente enfocava o olhar de um observador no único ponto familiar no incompreensível. As realidades vieram e se foram no mesmo instante. Passado, presente e futuro eram um e único aspecto fugaz da mesma lei cósmica. No entanto, este caos abrigava uma poderosa consciência, que guardava, no nível mais elementar do ser, o poder daqueles que se arrogava determinar o desenvolvimento do plano macro terminou.
Estruturas familiares se manifestaram ao redor do solitário ponto de luz, as ondas de um lago de repente atingiram a costa de uma longa praia arenosa, enquanto o cinza das sombras infinitas sobre o lago foi substituído por um magnífico céu estrelado. Um fogo ardia na margem, onde uma velha misteriosa se aquecia.
A mulher solitária, vestida à maneira colorida como uma cigana, olhava perdida em pensamentos para as brasas bruxuleantes do fogo. Seu rosto, toda sua aparência parecia estranhamente atemporal, mas um olhar em seus olhos teria sido o suficiente para ver que as limitações das planícies não importavam para ela.
Novamente ela se perguntou se sua decisão tinha sido correta. No nível macro do multiverso, centenas de milhões de unidades de tempo se passaram desde que se limitou a proteger o jogo de dados cósmicos. Mas agora havia a necessidade de abandonar sua limitação autoescolhida e colocar os manipuladores além das fontes de matéria em seus lugares.
Enquanto olhava para o fogo, outras estruturas materiais se materializavam. Casualmente, ela registrou as informações que foram transmitidas a ela desta forma.
Finalmente começou...
Sobre macacos e frango assados, ou como um somerense adquire novos conhecimentos
A criatura parecida com um pássaro tentou ignorar os comentários e provérbios irreverentes provocados por sua presença na área de espera do porto espacial Ragnarok, nos arredores de Trade City. Em si, sentiu crescer sentimentos que sua espécie acreditava ter superado há muito tempo. Contra sua vontade, os instintos que uma evolução impiedosa no passado distante havia gravado profundamente no tronco cerebral inconsciente começaram a assumir o controle de seu corpo. Os sentidos se aguçaram e o predador dominante do distante planeta Som ameaçou despertar do sono civilizado de milhares de anos. Cheio de vergonha, ele notou que as relíquias do passado sangrento estavam prestes a emergir da reclusão.
Não, isso não podia acontecer. Os instintos primitivos nunca mais poderiam romper as limitações da civilização, nunca mais!
Com todas as forças, o ser bloqueou as provocações da turba e mergulhou na meditação do Charlashad para encerrar novamente a herança arcaica bem no fundo de si mesmo.
*
Respire fundo — prenda a respiração — expire lentamente.
Em sua mente, a imagem do planeta natal Somatri emergiu, as amplas planícies cobertas de grama com arbustos floridos habilmente cortados, entre os ninhos artificiais de nascimento, que foram modelados nas árvores de nascimento há muito extintas do planeta natal de Som, em torno das águas artificiais, onde os jovens somerenses cresciam na natureza despreocupados, livres e soltos em seu mundo futuro. Com a conclusão da vigésima órbita planetária em torno do olho da criação, eles deixariam sua casa para encontrar seu destino em algum lugar na vastidão de Siom Som ou nas outras galáxias da Federação Estartunense, e apenas retornariam ao seu lar original novamente no final de sua existência, velhos e aguardando a união com o olho da criação.
Respire fundo — prenda a respiração — expire lentamente.
A mente governa o corpo, a mente é calma e serena, corpo e mente são um!
*
As antigas técnicas de meditação do oitavo estágio de Upanishad funcionaram e baniram a reação instintiva do predador profundamente em sua mente.
— Você foi importunado, excelência?
A pergunta fez o somerense olhar para cima. A sua frente estava uma mulher uniformizada, flanqueada por dois robôs. Mas antes que ele pudesse responder, a situação piorou. A multidão se sentiu desafiada e formou um círculo. Um falastrão que já havia se destacado como líder saiu do círculo.
— O que nós temos aqui rapazes? — perguntou ele em voz alta apenas para ele mesmo dar a resposta — Uma vadia da polícia! — Ele olhou em volta em busca de aplausos. Então, ele se colocou na frente da policial, coçando provocativamente entre as pernas.
— Que peitos gostosos ela tem, preciso agarrá-lo! — Com estas palavras, ele deu outro passo em frente e agarrou os seios da mulher.
— Vamos, querida, você é boa demais para esconder suas delícias nesse uniforme idiota. Agora você vem conosco e então, nós faremos uma festa, não é verdade rapazes? E nós levaremos este galo esquisito conosco também, depois faremos esse enorme frango assado no espeto.
As gargalhadas e os avanços claros foram o resultado, o que encorajou o esnobe a ser mais ousado. Com um sorriso malicioso no rosto, ele quis agarrar a virilha da policial em pé a sua frente, mas não contou com a reação da policial. Com um leve giro de corpo ela saiu do alcance imediato dele e, ao mesmo tempo, agarrou a mão de seu oponente e aplicou um golpe de alavanca. Uma leve pressão no pulso foi suficiente para o encrenqueiro cair no chão gritando.
— Isso é o suficiente. Todos vocês estão presos por resistir à autoridade e colocar em perigo a ordem pública, levem-nos!
Os projetores de campo de contenção dos robôs entraram em ação e imobilizaram a multidão. Ao mesmo tempo, os projetores antigravitacionais incorporados entraram em funcionamento e transportaram os encrenqueiros para o planador da polícia que aguardava do lado de fora do terminal.
Então, a policial virou-se para o somerense.
— Excelência, eu gostaria de me desculpar pela atitude dos meus concidadãos — disse ela fazendo uma careta de nojo com seu rosto. — Infelizmente, os humanos não buscam mais o objetivo de abrir novos mundos, descobrir os mistérios do Universo e reverentemente maravilhar-se com a diversidade da vida. Hoje, não é mais a comunidade e o bem-estar de todos que conta, mas apenas o bem-estar pessoal, o egoísmo do indivíduo.
A sociedade dentro da LTL desintegrou em três grupos, no topo estão aqueles que se beneficiaram nas últimas décadas. Pode-se caracterizá-los brevemente em três palavras, podres de ricos, egocêntricos e preocupados apenas com seu próprio benefício. Aí vem a classe média, que mantém todo o sistema funcionando, sonha em chegar ao topo e agir de acordo com o princípio: curve-se, bajule e pise nos de baixo. O terceiro, que constitui a massa da população, não tem riqueza nem trabalho. Ela é uma multidão facilmente manipulável que, desde que sua comida e entretenimento irracional sejam garantidos, adora os magnatas dos negócios bem-sucedidos como deuses, porque eles se certificam de que migalhas de pão suficientes caiam de sua mesa para encher sua barriga e encher seus cérebros com programas de entretenimento inúteis.
E então há nossos jovens que deveriam realmente possuir o futuro. Mas sua realidade é chamada de tédio, todos os dias nada além de tédio, sem perspectiva de atividade significativa. E é aí que nossos filhos entediados de círculos melhores entram em jogo. Eles reúnem nosso tédio ao seu redor sem perspectiva e formam gangues para obter a emoção de aterrorizar tudo o que eles não gostam por alguma razão. Antes disso, eles estão atolados com todos os tipos de drogas que financiam com o dinheiro dos pais. Sim, senhor Embaixador, essa é a situação atual!
A policial ficou irritada e agora parecia se lembrar do problema atual.
— Desculpe-me, excelência, mas o que você estava realmente pensando sobre fazer uma excursão de descoberta sem um guarda-costas?
Esta pergunta pareceu surpreender o somerense, pois ele olhou para a policial com incompreensão antes de responder: — Senhora, por que eu deveria precisar de um guarda-costas? Eu presumi que os povos da Via Láctea formam uma sociedade altamente civilizada, onde visitantes de outras galáxias são calorosamente recebidos.
— Excelência, você não me ouviu, isso pode ser verdade para os círculos em que você frequentou até agora, mas está aqui é uma realidade amarga e não uma esfera superior, onde imortais extasiados trabalham para salvar o Universo e se refugiarem em um místico mundo dos sonhos chamado Camelot, em vez de se preocupar com a merda que temos que passar todos os dias. Sim, caro sr. Embaixador, a comunidade galáctica está prestes a desmoronar e nós, meus colegas, precisamos evitar que esse caos explosivo voe em volta de nossos ouvidos todos os dias. E então recebemos a mensagem de que você colocou na cabeça iniciar uma excursão privada de descoberta por conta própria.
Balançando a cabeça, a policial também foi até o planador da polícia que esperava, para onde o líder dos arruaceiros foi levado preso. O somerense olhou para ela, consternado.
— Agora venha, Excelência, você ainda precisa dar o seu depoimento na delegacia.
Delegacia de polícia da cidade de Trade-City, pouco tempo depois.
— Bem, quem nós temos aqui? Nossa rambonette atacou de novo e eu posso ficar irritado com vários advogados. O que você estava realmente pensando ao trazer esta corja aqui, sra. inspetora Kirsch, eles serão liberados novamente em meia hora, o mais tardar, e posso novamente me preocupar com várias acusações de brutalidade policial. Sra. inspetora, sra. inspetora, isso ficará muito mal no seu arquivo pessoal, eu garanto!
Esta declaração do policial visivelmente deu um impulso ao porta-voz da gentalha, porque com um grande sorriso ele se levantou na frente do inspetor de plantão.
— Eu exijo que meu pai seja informado imediatamente, fui severamente abusado por esta policial brutal e privado de minha liberdade. Além disso, eu exijo que o médico da minha família, o professor dr. Ronscore seja notificado para investigar e documentar meus ferimentos. Meus amigos e eu estávamos só em uma festa e fomos presos sem motivo, e quando tentei exercer meus direitos civis, eu fui severamente maltratado por esta va... policial.
O oficial fez uma careta dolorosa e disse: — Não seria possível resolver isso sem burocracia? Você e seus amigos ficariam livres imediatamente e as acusações contra vocês seriam arquivadas por se tratar de um caso de pouca gravidade.
Mas então a policial aparentemente se cansou e interferiu.
— Não é assim que funciona, chefe. Esta gangue de bêbados insultou e ameaçou um convidado do Galacticum sem motivo e colocou em risco a ordem pública. Além disso, tem também insulto a funcionário público e resistência a autoridade.
O somerense acompanhou a conversa com crescente indignação e agora falou.
— Eu sou o embaixador Sruel Allok Mok.
Mas ele não foi mais longe, porque o oficial de plantão o interrompeu e gritou com raiva: — O que você quer, pássaro engraçado? Fique feliz por não colocá-lo em um zoológico.
O somerense ficou sem palavras por um momento. Ele não esperava por isso. Mas a policial disse com um sorriso complacente: — Isso está ruim, muito ruim, chefe. Eu recomendaria que você leia as instruções atuais da polícia antes de continuar a fazer merda.
Consternado, ele olhou para cima e começou a movimentar com dedos apressados holovisor a sua frente. Finalmente ele pigarreou e fez uma careta, como se estivesse atormentado por uma dor de dente.
— Excelência, sr. Embaixador, um terrível mal-entendido, você entende, o trabalho... diariamente sempre o mesmo trabalho, eu lhe peço desculpas, por favor...
— Eu aceito suas desculpas, então novamente, eu sou Sruel Allok Mok, embaixador da Federação Estartunense no Galacticum e decidi conhecer melhor a comunidade galáctica para entender melhor sua cultura. Por isso eu estou viajando sem delegação oficial. Eu devo certificar que sua oficial, sra. inspetora de polícia Kirsch, foi de uma competência extraordinária, a sra. Kirsch se comportou de forma exemplar e, através de sua ação prudente, mas também decisiva, evitou que minha saúde mental e a salvação de minha alma estivessem em perigo. A sra. Kirsch é uma oficial extremamente capaz e só posso recomendar sua promoção de acordo com sua competência.
O oficial mencionado faz uma careta dolorosamente novamente e respondeu submissamente: — Sim, sr. Embaixador, excelência, entendo. — Então ele se virou para a inspetora e instou-a: — inspetora Kirsch, por que você não leva sua excelência para a área VIP imediatamente, isso nos teria poupado do embaraçoso mal-entendido. Agora vá e registre o depoimento do sr. Embaixador.
— Venha sr. Embaixador, vamos deixar esse encontro desagradável para trás, não que seja de alguma utilidade, o dinheiro do papai garantirá que esta gangue seja liberado de volta ao público muito rapidamente.
*
Um pouco depois, eles chegaram a um escritório luxuosamente mobiliado e Sam registrou o curso dos acontecimentos. Ele começou a conversar com a oficial. Ela perguntou-lhe o que ele quis dizer com a intervenção que teria salvado sua saúde mental e salvação da alma. Não teria sido sua saúde mental, mas sua saúde física, que estaria em perigo.
Sam olhou para ela por um longo tempo, então perguntou se eles não seriam incomodados ali. A olimpiana disse que sim e pediu alguns refrescos.
As mãos de três dedos do somerense, que se sentavam nos dois braços cobertos por penas longas e sedosas, automaticamente se ergueram até o bico da ave de rapina para fechar as aberturas de respiração por um momento — para um somerense, um gesto através do qual ele expressava intuitivamente sua vergonha.
— Senhora, eu pertenço a uma espécie com uma história muito longa. Nós, somerenses, nem sempre fomos os seres amantes da paz e não violentos que somos vistos hoje. Pelo contrário, a vasta história da nossa raça foi marcada pela violência e opressão de outros povos. Etnologicamente, meus ancestrais eram os predadores dominantes de meu planeta natal, Som, e estávamos no topo da cadeia alimentar como carnívoros. E as relíquias dos primeiros dias do nosso desenvolvimento ainda estão presentes.
Ao fazer isso, ele abriu as mãos e mostrou seus dedos, com garras pretas brilhantes e ligeiramente curvas nas pontas, que ele então fez desaparecer novamente em uma prega de pele sob os dedos.
Sam agarrou seu bico novamente antes de continuar:
— Além disso, por milhares de anos de manipulação e abuso, meu povo era a casta guerreira dos Guerreiros Eternos. Em nome deles, subjugamos o povo de Siom Som e sufocamos qualquer resistência. Após o colapso do domínio dos singuvas e pterus, nós tentamos impedir a queda dos povos de ESTARTU e fundamos a Federação Estartunense. Mas para mim e para muitos do meu povo, a culpa do passado pesa tanto em nossas almas que renunciamos ao uso da força.
Com essas provocações de uma multidão iludida, corri o risco de meu instinto de sobrevivência assumir o controle de minhas ações, e as consequências, como já salientei, teriam sido terríveis. E então agradeço novamente por me salvar de ter que matar.
A policial tinha ouvido ansiosamente as palavras do diplomata somerense e respondeu:
— É para isso que estamos aqui! Mas, novamente, é extremamente perigoso para você explorar a galáxia sem um guarda-costas. Por sorte, o Quartel-General de Trade foi informado de seus planos quando você chegou, para que eu pudesse chegar a tempo.
Ela fez uma pausa curta e então continuou:
— Seus recursos financeiros permitem que você gaste a soma de 8.000 galaxes? — perguntou ela, olhando de modo inquiridor para o somerense.
Ele respondeu espantado: — Esta soma não representa nenhum problema para mim, mas por que, em ESTARTU, devo pagar 8.000 galaxes?
— Se for assim, então eu tenho a solução para seu problema. Venha, eu gostaria de apresentar-lhe dois exemplares especiais da hum... digamos, da espécie humana.
A policial se levantou e imprimiu alguns documentos em um terminal e tirou um cristal de memória. Junto com os documentos, ela os colocou em uma bolsa que pendurou no ombro e pediu ao diplomata somerense que a seguisse. Este, embora tenha levantado algumas objeções, foi convidado pela policial a adiar a discussão para mais tarde.
*
Sam seguiu a policial por longos corredores rolantes e poços antigravitacionais até a parte subterrânea da delegacia.
— Bem, nós chegamos e estamos no centro de detenção. Um momento, por favor, eu ainda preciso requisitar a cela exata.
Com estas palavras, ela ativou um holoterminal, onde se identificou com seu distintivo e uma varredura de íris. Depois de receber as informações solicitadas, ela ativou um campo acústico.
— Positrônica, abra a cela dos prisioneiros Sam Tyler e Chris Japar!
De repente, uma porta apareceu na parede em frente à qual ela estava parada, a qual ela abriu sem hesitar.
— Venha, excelência, os dois estão à nossa disposição.
O somerense ainda parecia um pouco perplexo. A policial ficou com pena dele e explicou:
— Não se espante, isso não é mágica, mas uma aplicação avançada da energia moldada. Em Trade-City, temos um dos sistemas de encarceramento mais avançados da galáxia. As celas consistem em energia moldada e representa uma cela completamente autossuficiente em caso de fechamento. O acesso só pode ser criado por meio do controle positrônico da cela, o que, obviamente, requer autorização apropriada. Em caso de perigo, um sistema de emergência garante que as celas possam ser deixadas. Nós nos orgulhamos de que, desde que introduzimos o sistema, nenhum prisioneiro conseguiu fugir.
Sam continuou a olhar para a policial com ceticismo.
— Mas este sistema não é completamente desumano? Pelo que entendi, equivale ao isolamento total dos prisioneiros, pode-se, portanto, também falar de tortura de isolamento.
Porém, a policial balançou a cabeça.
— Não, certamente não, excelência. Pelo contrário, através deste sistema, nós comprovamos que é possível vincular a demanda por justiça humanitária com a maior economia e segurança total.
Ela parou por um momento e tomou um gole da bebida. Então ela continuou:
— Veja, o segredo de todo o sistema está no uso da energia moldada. Isso abre possibilidades completamente novas para nós. Como eu disse, cada cela representa uma unidade totalmente autossuficiente. Um processador de alimentos é integrado ao sistema, que pode produzir qualquer refeição desejada a partir dos nutrientes bioquímicos básicos. Além disso, as celas têm todas as oportunidades concebíveis de diversão, das quais o prisioneiro pode escolher livremente de acordo com suas preferências e necessidades físicas. Apenas certas necessidades e comportamentos que não são sancionados de um ponto de vista sócio-higiênico estão excluídos disso. O sistema garante que todos os presidiários sejam tratados com igualdade, levando em consideração sua formação cultural. Economicamente, o sistema é extremamente vantajoso, pois não precisamos de nenhum guarda de segurança humano. Isso também torna impossível que os presos sejam expostos à arbitrariedade dos guardas. E, o mais importante para nós, as estatísticas mostram claramente que a nossa concepção deu certo. Em uma comparação galáctica, nós temos a menor taxa de recaída de todas as instalações comparáveis.
Agora, chega de explicações. Venha, Excelência, nós daremos uma olhada nos dois delinquentes e então você precisa decidir se você realmente deseja fazer isso sozinho. Os nomes são Sam Tyler, um terrano, bem como Japar, que de alguma forma deve ser atribuído ao povo mehandor. Ambos trabalham como mercenários independentes, o que significa que qualquer um que pague de acordo pode comprar seus serviços. Para o período do contrato, o contratante garante sua lealdade incondicional e é exatamente nisso que seu maldito orgulho mercenário se baseia. Um mercenário dará sua vida, se necessário, para manter seu contrato.
Com uma expressão pensativa em seu rosto, o somerense seguiu a policial até uma grande sala, que foi fechada à sua frente por uma parede cinza opaca. Depois de inserir uma curta sequência de comando em um holovisor, a parede ficou transparente e mostrou duas pessoas se abraçando como se não se vissem há anos. A parede parecia permeável às ondas sonoras, porque cada palavra que os dois trocavam era claramente compreensível.
Ainda não tinha notado ela, porém isso deveria mudar rapidamente quando a policial pigarreou.
Com uma calma extraordinária, eles se viraram e olharam para a interlocutora.
— Ora, ora, quem nós temos aqui, não é a gostosa policial gata e um galo um tanto grande que eriça suas penas. O que nos dá essa honra?
O somerense deu um passo à frente e se empertigou, eriçando as penas dos ombros e braços.
— Eu sou Sruel Allok Mok, embaixador da Federação Estartunense no Galacticum. Será que os dois cavalheiros eventualmente sentem a necessidade de melhorar a situação atual?
Agora o ruivo corpulento interferiu, agindo como um urso bem-humorado.
— Os dois cavalheiros eventualmente sentem a necessidade... — disse ele imitando o somerense —, homem, semelh... galo, que tipo de almofadinha você é, você não consegue se expressar normalmente, porque sua voz se perde na curvatura das minhas orelhas.
Ele não foi mais longe, porque Sam gritou indignado:
— Eu não sou um humano, e muito menos um galo ou um almofadinha e eu exijo ser tratado de acordo com minha posição por excelência ou sr. Embaixador. Além disso, eu gostaria de ser tratado com educação, porque não me lembro de ter quaisquer amizades com os dois cavalheiros! Eu exijo desculpas vindas de vocês!
— Você é um galo engraçado, você provavelmente não tem uma galinha há muito tempo...
Naquele momento, o segundo prisioneiro, que por sua estatura tinha que ser o terrano, o interrompeu:
— Devagar Japar, devagar com os cavalos selvagens! — então ele se virou para o indignado somerense — Excelência, sr. Embaixador no Galacticum, eu sou Sam Tyler e gostaria de pedir desculpas em nome de meu amigo um tanto impulsivo Japar. É visível que você, sua excelência, não é um humano ou também um galo, mas Embaixador no Galacticum. Como podemos servir sua excelência...
Agora a policial interveio, os cantos de sua boca se contraindo mostrando que ela estava lutando para se controlar.
— Agora chega, Tyler. A situação atual do sr. Embaixador nos dá a oportunidade de resolver este assunto inconveniente com você por mútuo acordo e para a satisfação de todos nós. O Embaixador, infelizmente, colocou em sua cabeça, o desejo de estudar as diferentes culturas do Galacticum pessoalmente e incógnito, “um breve sorriso cruzou seu rosto”. Ao fazer isso, ele já conheceu, digamos assim, as partes menos convidativas de nossa sociedade. Então, como eu posso ver pela passagem que ele reservou na EMPRESS OF OUTER STARS, ele gostaria de visitar pior covil de ladrões de toda a galáxia.
Com este anúncio, ambos se assustaram com a atitude um tanto aborrecida.
— O que, o gal... desculpa o sr. Embaixador, gostaria de ir para a BASE? Você já fez seu testamento, excelência?
— É precisamente disso que se trata, Tyler. Essa é exatamente a situação de dupla vantagem da qual eu estava falando. Resumindo, o Embaixador paga seus custos de acomodação em nosso confortável quarto individual, incluindo a multa por, humm... vamos chamar isso de um absurdo grosseiro e ameaça à ordem pública, o que representa a soma de 8.000 galaxes, para a qual as autoridades de Olimpo renunciam às cobranças existentes de danos no valor de cerca de 60.000 galaxes. Em troca, os dois cavalheiros assinam um contrato de proteção pessoal com o Embaixador. Isso inclui a chamada garantia de segurança do Embaixador em termos pessoais e factuais. A validade do contrato inclui do trecho que sr. Embaixador fará na EMPRESS OF OUTER STARS até o local conhecido como BASE, um complexo extraterritorial de jogos e lazer. Assim que o embaixador chegar em segurança ao covil do ladrão, as obrigações de fiador dos dois cavalheiros se expiram. No entanto, o contrato pode ser continuado informalmente a qualquer momento por acordo mútuo. Nesse caso, entretanto, as partes contratantes deveriam concordar mutuamente sobre a contraprestação a ser prestada pelo Embaixador, sem o envolvimento das autoridades de Trade City.
Além disso, e este é um pré-requisito indispensável de nosso acordo, os srs. Tyler e Japar se comprometem a poupar o planeta Olimpo e todo o sistema da Estrela de Boscyk de sua presença no futuro.
A policial puxou um grande pedaço de papel de sua bolsa, que ela simplesmente empurrou através da parede de energia.
— Para que tudo esteja correto, cópias deste documento serão depositadas com o governo central do sistema da Estrela de Boscyk e com o governo da LTL. Eu agora peço aos dois cavalheiros que assinem nos locais marcados e... — ela puxou um pequeno scanner de ondas cerebrais, que ela também empurrou através da parede — para certificar este contrato eletronicamente com seu padrão de ondas cerebrais e sua varredura da íris. As autoridades de Trade City gostariam de agradecer aos srs. Tyler e Japar pela disposição em cumprir seus deveres como cidadãos responsáveis do Galacticum de forma exemplar e esperam ser poupados de novos contatos pessoais. Podemos nos poupar da leitura habitual do texto do contrato, do ponto de vista jurídico está tudo definitivamente acertado, porque, como os senhores sabem, especialmente para nós aqui no Olimpo, tempo é dinheiro, e agora, por favor, assinem, senhores!
Os dois guarda-costas relutantes ficaram sem palavras por um momento e se entreolharam em completa confusão. Então, Tyler foi o primeiro a recuperar a fala.
— Ouça-me, você tem uns parafusos a menos, se acha que assinaremos esta merda...
Ele não foi mais longe. A policial colocou-se na frente do Embaixador somerense e torceu o rosto em um sorriso sádico.
— Como o senhor pensa. No entanto, devo salientar ao senhor, ou melhor, ambos os senhores, que a decisão judicial existente prevê, no caso de os senhores não conseguirem pagar a multa fixa e as várias reivindicações por danos, transferirem a prisão preventiva para um trabalho social significativo. No caso de vocês, foi prevista uma atividade correspondente no primeiro planeta do sistema Hefesto que possui grandes depósitos de hipercristais, cujos campos de radiação, no entanto, impossibilitam o uso de sistemas de transporte automático. As máquinas de mineração devem, portanto, ser operadas por humanos. Além disso, o planeta é um mundo de rotação sincronizada e não possui atmosfera. Então, eu desejo a ambos muita diversão em Lareira onde, deixe-me fazer as contas, passarão os próximos 20 anos.
Com estas palavras, ela quis retirar o contrato, mas Tyler foi mais rápido. Sem dizer uma palavra, ele assinou nos lugares designados e passou o documento para o amigo Japar, enquanto ele colocava o scanner de ondas cerebrais na cabeça. Depois o saltador também realizou o mesmo procedimento, devolveu o contrato pela parede de energia moldada.
— Satisfeita, você é um monstro?
— Mas, mas sr. Tyler onde está seu autocontrole? A propósito, eu não ouviu isso, pois do contrário, haverá a acusação de insultos a funcionário e não sei se o sr. Embaixador estará disposto a pagar mais por seus serviços duvidosos.
Em seguida, ela entregou o documento junto com o cristal de memória e o scanner de ondas cerebrais para o somerense.
— Excelência, apenas para completar totalmente as formalidades, por favor, assine também e certifique sua assinatura! Acredite em mim, você ganhou o prêmio grande com esses dois senhores, eles são de primeira classe em sua área. Até mesmo com o SLT, você teria que pesquisar muito antes de encontrar alguém que pudesse se comparar a esses patifes.
Depois que Sam também assinou e autenticou sua assinatura, ela desativou a parede de energia moldada.
— Voilà, excelência, nós conseguimos, você tem guarda-costas competentes e nós temos um problema a menos. Deixe-me lembrá-lo de que a EMPRESS OF OUTER STARS partirá em exatamente seis horas e meia, e acho que os dois cavalheiros — disse ela, apontando para Tyler e Japar —, ainda precisam fazer algumas compras. Eu já autorizei você na Cooperação Galáctica de Armas, você pode comprar qualquer arma, desde que não sejam naves ou canhões conversores. Basta seguir as orientações de seus dois empregados, eu lhe asseguro mais uma vez que eles entendem de seu ofício.
E agora posso dizer adeus, fiquei muito feliz por ter te conhecido, mesmo que eu tivesse preferido que isso tivesse acontecido em circunstâncias mais favoráveis. Lá fora, um robô policial está esperando para levá-lo ao CGA.
Com essas palavras, ela apertou a mão de Sam, enquanto ela acenava brevemente para Tyler e Japar.
Abandonado por todos os deuses, ou o inferno pessoal de Romano Nelder
O cruzador fantasma HONOR KEEPER, um desenvolvimento interno da Mordred, com suporte tecnológico dos dorgonenses, deixou o sistema Dejabay em um curso inclinado para a eclíptica antes que a pequena nave mergulhasse no vórtice metagrav. Daquele momento em diante, o passageiro descontente sabia que agora, o cruzador com equipamento de proteção contra localização dorgonense, tornou-se invisível para todas as tecnologias de localização e rastreamento dos galácticos.
Ele se acomodou na poltrona anatômica e olhou para o teto da pequena cabine com ódio e dúvida. Porém seu cérebro não se acalmou. As humilhações dos últimos dias foram profundas demais. Ele estava ansioso pela tarefa que o grande irmão havia lhe prometido. Porém sua euforia havia ficado para trás na sujeira do deserto arenoso de Dejaby I, no mais verdadeiro sentido da palavra, foi arrancada dele. A Mirona Negra se vingou terrivelmente dele e roubou o que era mais importante para ele, a crença nos ensinamentos do deus trino e sua superioridade masculina, concedida por deus.
As horas passaram lentamente e o cruzador logo devia chegar a seu destino, o supercouraçado TOBRUK onde deveria se reportar ao general Walther Eyke, o comandante do gigante de 1.500 metros, em preparação para a missão. O general Eyke era responsável por toda a operação, mas o comando operacional na BASE ficaria a cargo daquela criatura blasfema, que entretanto, haviam ficado para trás em Dejabay I e só chegaria mais tarde. Durante todo o voo, ele permaneceu em sua cabine e tentou processar as experiências em Dejabay I. Só assim, teria a chance de sobreviver ileso a esta missão.
Recordações
O grande irmão o havia chamado para receber ordens em sua modesta acomodação nas profundezas do planeta deserto. Cheio de expectativa, ele ativou o contato de abertura da enorme escotilha blindada e, a pedido do grande irmão, entrou. Este estava apoiado em sua mesa de trabalho, com a cabeça encharcada de suor, respirando pesadamente e parecendo completamente desorientado. Seu olhar pousou na caricatura de uma figura feminina que estava sentada sobre o móvel e prestes a encobrir sua nudez. A imagem que se apresentou a ele o fez congelar por um momento. Diante dele, uma monstruosidade mostrou sua falta do deus descaradamente e autoconfiante. A grossa pele de gato cobriu o corpo quase nu, as partes mais íntimas foram acentuadas por um pedaço de couro sem vergonha. O rosto se assemelhava a um demônio que provavelmente tinha escapado do inferno mais escuro da Mirona Negra. Homem e gato haviam entrado em uma união pecaminosa, olhos de gato dourados sobre longas presas que se projetavam de uma boca humana olhavam para ele fixamente. Completamente sem vergonha, ela o examinou, então franziu os lábios protuberantes com desdém. Seu olhar procurou o grande irmão e esperou que ele expulsasse aquela criatura de sua acomodação. Porém nada aconteceu. O grande irmão virou a cabeça para o lado e brincou com seus óculos estranhos.
Este foi um teste que o glorioso líder de Mashratan me impôs? Sim, devia ser isso. O grande irmão quis testar minha fé e firmeza. Então, eu ordenei que esta besta rastejasse de volta para a cova do pecado da qual havia rastejado para seduzir homens piedosos, porque como estava escrito nas escrituras sagrada: E deus criou o homem à sua imagem, à imagem do deus o criou!
Mas eu não esperava nem remotamente o que aconteceu a seguir. Aquela criatura repugnante parecida com um gato me olhou por um instante, completamente perplexa, e então começou a rir, numa perversão grotesca de uma manifestação de emoção humana. Ao fazer isso, ela contorceu a boca e expôs a dentição de predador. Sons de ronronar encheram a sala e despertaram em mim desejos animalescos. Isso foi demais e a santa ira do deus me encheu. Com dois passos longos, eu cheguei ao lado dela e acertei meu punho no rosto estranho. Com as duas mãos, eu agarrei o tufo de cabelo pendurado na cabeça dela como um rabo. Um grito de dor foi à resposta. Então, eu quis puxá-la para fora pelo rabo de cabelo. Mas de repente uma dor forte percorreu através das minhas mãos convulsivamente. Instintivamente eu soltei o tufo de cabelo. Antes que eu soubesse o que estava acontecendo comigo, girei no ar e caí no chão. O impacto tirou meu fôlego de meus pulmões, mas ela já estava sobre mim. O fedor animalesco da criatura demoníaca me tirou o fôlego, enquanto se curvava sobre mim. Os trapos pecaminosos que mal cobriam sua nudez tinham mudado e sua feminilidade blasfema cativou meu olhar. E a Mirona Negra triunfou. Houve um berro animalesco e os dentes do predador se aproximaram da minha garganta.
Mas então, uma ordem incisiva a fez congelar em seu movimento. O grande irmão coronel finalmente interveio. A careta acima de mim se torceu de raiva, porém, ela obedeceu. Com um movimento suave, ela se levantou e deu um ou dois passos para trás. Eu esperei para ouvir a descarga de um radiador com o qual o grande irmão coronel finalmente restauraria a ordem dada por deus. Porém nada aconteceu. Em vez disso, o mundo desabou para mim. O grande irmão me repreendeu, se eu teria sido abandonado por Vhrato e todos os santos solares para atacar fisicamente minha superiora. E então, veio a ordem para me levantar imediatamente e tomar posição de sentido. Estas palavras me fizeram congelar, eu era incapaz de fazer qualquer movimento e só pude ficar olhando em total descrença para o grande irmão, que escondeu os olhos atrás daqueles óculos estranhos novamente. Depois de um breve momento, a besta parecia perder a paciência e encurvou-se sobre mim novamente. Lentamente, ela esticou suas patas, que eram grotescamente reminiscentes de mãos humanas. Mas essa imagem foi imediatamente destruída, pois as unhas pintadas de vermelho se alongaram diante dos meus olhos e se transformaram em verdadeiras garras de predador. Lentamente, ela abriu os dedos para, em seguida, atacar na velocidade da luz. As mãos em forma de pata agarraram meus ombros e garras afiadas perfuraram minha pele. Uma dor aguda percorreu meus ombros e me fez gemer alto. Então, este monstro me levantou e me colocou em pé. Satisfeito, ele me soltou e começou a lamber as gotas de meu sangue de suas garras. Seu olhar se cravou em meus olhos, que desviei envergonhado depois de alguns momentos, o que provocou um sorriso satisfeito nele. Porém minha humilhação não acabou. O grande irmão coronel me repreendeu e me revelou que, sob o comando deste pecado mortal demoníaco contra a natureza, eu deveria preparar a tomada da BASE pela Mordred. O coronel parecia querer explicar a missão com mais detalhes, mas eu não aguentava mais. Furioso e cheio de indignação justa, eu gritei para ele que eu, como um filho temente do deus trino, eu nunca me submeteria a uma ilusão demoníaca da Mirona Negra. Uma mulher amaldiçoada por deus, e um cruzamento condenável do ser humano e gato, nunca poderia dar ordens a um filho abençoado do deus trino. Então chamei Vhrato para testemunhar e falei a fórmula ritual pela qual exigi o julgamento sagrado do deus, a luta pela vida e pela morte. A blasfêmia proposta, aparentemente também apoiada pelo coronel, não me deixou nenhuma escolha se eu quisesse manter minha honra e salvar minha alma da condenação. Tudo em que eu acreditava era uma miragem, mas no fundo de mim senti o espírito de Vhrato me encher. Ele me deu força e desmistificou todas às dúvidas. Como um filho justo da igreja do deus trino, eu enviaria esta careta demoníaca, que tinha que ser uma encarnação negra do mais profundo abismo do pecado, de volta ao inferno e assim salvaria os filhos do deus trino de novas tentações.
Porém, um tapa me arrancou do meu êxtase religioso. Minha bochecha queimou e olhei para o rosto furioso do coronel. Meu amado líder parecia estar fora de si e me cobria com palavras incompreensíveis. Finalmente, eu entendi que ele queria me dissuadir do julgamento do deus. Porém, eu permaneci firme.
O dia seguinte
Eu havia passado a noite perdida em orações e não sabia mais o que era sonho e o que era realidade. O próprio Vhrato apareceu para mim e fortaleceu minha coragem e minha crença nas leis sagradas do deus. Mas até o demônio negro me assombrou e rindo declarou que ela me levaria para sua cova demoníaca, onde tormentos infernais inimagináveis me aguardam por toda a eternidade.
O coronel havia informado o sublime Rhifa Hun, o número um da Mordred, na noite anterior, e ele havia aprovado o julgamento divino, estabelecendo o meio dia, como estipulava a tradição. Antes disso, eu precisei explicar aos outros comandantes do movimento da liberdade lemurense o processo do santo julgamento do deus. Todos ficaram impressionados com a minha descrição e anunciaram suas presenças. Então, apesar da noite sem dormir, eu estava cheio de confiança. Eu passei a manhã com os irmãos da minha terra natal, que, como eu, tinham colocado suas vidas a serviço de alguns reinos dos herdeiros da Lemúria. E, não obstante, como poderia esta criatura demoníaca, esta zombaria de todas as leis sagradas que Vhrato deu a seu povo, se mover livremente entre os filhos da Lemúria? Eu não consegui tirar essa monstruosidade da minha mente a manhã toda. Repetidamente, eu tinha a imagem dessa criatura antinatural diante dos meus olhos, sua caricatura condenável do rosto humano divino, sua feminilidade demoníaca. Repetidas vezes, eu comecei a orar e pedi a Vhrato que me iluminasse. E finalmente foi dado a mim. De repente, tudo ficou claro para mim. Cheio de fúria, eu percebi a extensão da conspiração demoníaca. A Mirona Negra tinha criado esta besta ímpia para finalmente arruinar os filhos da Lemúria. Ela seduziu os filhos do profeta a ter relações pecaminosas a fim de corromper suas almas divinas. Mas Vhrato me escolheu, seu filho mais fiel, para enviar a amante do demônio de volta ao covil do inferno. Todas as dúvidas, todos os medos me deixaram e o espírito do profeta me encheu.
O julgamento do deus
O doador de vida de Vhrato subiu o topo do caminho sobre a cúpula e estava distribuindo seus presentes generosamente sobre a terra seca. Lentamente, eu saí pelo portão imperceptível que conduzia a profundezas da base Mordred. À minha frente havia uma curta caminhada que me levaria ao lugar que Rhifa Hun havia escolhido pessoalmente. Mesmo após os primeiros passos, eu me senti em casa, a areia rangia sob meus pés, enquanto o hálito quente do doador da vida brincava em volta do meu corpo nu. Eu estava vestido, como as leis sagradas do Livro do vhratoísmo exigem, apenas com o ritual kaupona. Então fui até diante do grande líder da Mordred. Como sempre, Rhifa Hun escondeu sua aparência atrás de um campo de distorção para que ninguém soubesse quem era realmente o misterioso número um. O mesmo acontecia com o número quatro, que se acomodara um pouco de lado em uma poltrona pomposa. Nem mesmo o grande irmão, que como número três era formalmente superior a ele, conhecia sua identidade. Além disso, o número oito, um ertrusiano musculoso, estava presente. O cavaleiro prateado, o número dois, tinha permanecido na base porque, como ele já havia explicado ontem à noite, ele não estava interessado em loucura religiosa. Havia também alguns oficiais superiores presentes. Os números restantes ainda estavam ausentes e eram esperados nos próximos dois dias. Eu me coloquei na frente do grande irmão, pois como um mashratano ele conduziria a execução do julgamento divino, e saudei. O grande irmão se levantou e me deu um abraço amigável. Então, ele me entregou a arma que eu havia escolhido, um yekjab modificado, que, no entanto, em contraste com a versão comumente usada na vida cotidiana, podia ser alterado para um modo mortal. Nesta versão, ele correspondia aos chicotes neurológicos proibidos na liga dos ímpios. Eu olhei encantado para a ferramenta que tinha me servido fielmente como guardiões de Vhrato desde meus dias de novato. Como muitos irmãos e irmãs, eu havia voltado ao caminho certo com um instrumento semelhante de temor a deus. Com o cajado da justiça do deus, eu tinha certeza, eu eliminaria a iniquidade contra a divindade do homem da face de sua criação e libertaria os filhos de Vhrato da mancha do pecado mortal contra a criação.
Agora entrei no lugar escolhido por Rhifa Hun e olhei ao redor. O número um escolheu uma depressão onde emergiam os escassos suprimentos de água do passado do planeta deserto. O chão não era areia pura, como eu esperava, mas uma mistura estranha e lamacenta que exalava um cheiro forte. Pegadas individuais de animais que emergiram na lama mostrou que as poucas espécies de animais que se adaptaram ao clima assassino de Dejaby I provavelmente usaram este lugar como um lamaçal, um lugar indigno para um julgamento divino. Como pôde o grande irmão consentir com essa blasfêmia? Eu fiquei profundamente desapontado.
Eu aguardei. O doador da vida queimou em mim sem piedade, e gotas de suor se formaram na minha pele. Meu olhar buscou o grande irmão, que naquele momento se levantou e abriu o julgamento divino. Rhifa Hun e os outros comandantes caminharam lentamente até o local marcado. E de repente ela estava lá. Ela fez uma reverência ao grande irmão e explicou que ela não precisava de uma arma, pois ela já estava suficientemente equipada pela natureza. Ela mostrou suas patas, que terminaram em garras estendidas. Então, lentamente, ela removeu os trapos que anteriormente cobriam sua nudez e começou a puxar as garras através da pele manchada. Vivas e aplausos altos a recompensaram por seu desempenho. Agora ela passeou no círculo marcado como se fosse uma caminhada e olhou para mim com ar condescendente. Tudo em mim instava para impelir imediatamente o Yekjab para a carcaça pecaminosa e fazê-la sentir a ira do deus trino.
O grande irmão tirou uma pistola ornamentada e disparou. O julgamento do deus começou.
*
O fim é contado rapidamente. Vhrato e todos os Enviados Solares me enganaram, a Mirona Negra triunfou. Em certo momento, eu vi um holo documentário em que um gato brinca com um rato por horas antes de comê-lo. E isso aconteceu comigo. Só que eu era o rato e ela, o gato. Meus ataques com o Yekjab não deram em nada, eu não conseguia nem atingi-las em nenhum lugar. Com facilidade lúdica, ela respondeu a cada uma das minhas tentativas de ataque com um pequeno golpe de suas patas reforçadas com garras e deixou pequenos cortes na minha pele. O suor escorria pelo meu corpo e queimava terrivelmente nos cortes. Depois do que pareceram horas, ela finalmente parecia ter se cansado e me acossou através do círculo com combinações de socos curtos. Por fim, eu caí de joelhos na beira do poço de lama. Eu estava pronto, o sangue escorria de incontáveis cortes, meu corpo era uma única dor. Rindo, ela me circulou enquanto zombava de mim. Então, de repente, um chute me atingiu e me mandou de cara para o meio do poço de lama. A gata aparentemente tinha brincado o suficiente. Com um salto flexível, ela chegou as minhas costas e eu recomendei minha alma a Vhrato e todos os santos.
A qualquer momento esperava que as longas garras arrancassem a vida do meu corpo, mas nada aconteceu. Em vez disso, ela continuou empurrando minha cabeça no pântano fedorento até que eu estava à beira da sufocação. Ela sussurrou em meu ouvido que porcos como eu rolam na lama e, portanto, têm que comer terra.
Finalmente, o coronel acabou com a minha humilhação, fazendo dela a vencedora. Ele então exigiu que eu me desculpasse com Sha-Hir-R’yar e fizesse uma apresentação militar corretamente.
SPACE ODDITY: Ziggy Stardust vai para o azul.
Ziggy, I call him Ziggy — Ziggy, é assim que o chamo
I'm so hot for him — Estou tão apaixonada por ele
He's not at all like all the rest — Ele não é como o resto
But he's held out and he's the best — Ele superou e por isso é o melhor
Even if I know — Mesmo se eu o conhecesse
He would never go with me! — Ele jamais sairia comigo!
Celine Dion: letra da música Ziggy
Celine Ahornd
Finalmente em segurança. O tempo todo, eu esperava que um comando de operação da liga aparecesse e meu sonho de liberdade e uma vida melhor terminasse antes que ela tivesse começado. Porém, em retrospectiva, minha decisão provou ser a correta. A velha bruxa se foi e graças aos dscherros tudo foi uma grande confusão no SLT. Seu sucessor, Noviel Residor, assumiu o cargo e imediatamente desapareceu para sempre ao caçar pessoalmente Vincent Garron, o chamado mutante da morte, que a velha Gia nunca teria imaginado. Bom para mim! O caos que ele deixou deveria manter Rebekka DeMonn sob controle, que havia sido nomeada por ele como chefe de operações, só que isso era tudo menos indiscutível dentro da estrutura do SLT e tinha que lutar contra uma resistência massiva. Então eu achei que teria uma boa chance de desaparecer sem ser notado.
Eu me declarei doente e saqueei os cofres do SLT com uma identidade anterior, para reservar uma viagem de luxo para a BASE com o nome de Melody Travers.
Um anúncio no intercomunicador de bordo informou que o embarque dos passageiros foi concluído e que a nave já estava a caminho da órbita terrestre. Aliviado, eu me acomodei no saguão da SPACE ODDITY e me sentei no bar. Este estava localizado exatamente em frente à recepção de passageiros da linha de luxo da Companhia Espacial Terrana, que operava várias naves de passageiro e cruzeiros de primeira linha, caros, luxuosos e novamente caros. No momento em que a TSC, sua concorrente mais feroz, estava com vento de cauda e a Corporação Shorne proprietária da Galactic Dream Line estava em queda livre, não é de admirar depois do desastre que Michael Shorne experimentou com a LONDON II. Quem estava preparado para pagar preços horríveis quando ele tinha que contar com a perda de vidas e membros a qualquer momento. Sem, os ricos e famosos da alta sociedade da LTL ou do Império de Cristal certamente não.
Com um sorriso rancoroso, eu vi o rosto cansado do magnata dos negócios. Ah, como ela se deleitava com o fracasso dele. Shorne era um idiota brutal de primeira linha que deslumbrou o público com sua aparência impecável, as boas maneiras e, claro, sem mencionar, com muitos galaxes. O dinheiro que ele supostamente distribuiu generosamente de acordo com sua tendência social, nem sequer correspondia aos desperdícios que precisava ser descartado depois de suas festas particulares.
E lá estava de novo, a memória de dias melhores. É verdade que Shorne não fazia parte disso, mas, fora isso, minha vida costumava ser interessante e cheia de variedade — com ênfase no “costumava”. Naquela época eu tinha recursos ilimitados e fazia parte dos melhores círculos da LTL. Ah sim, naquela época o SLT custou um pouco ao departamento de investigações especiais. E, em algum momento, no final dos anos setenta, acabou de repente, cortes, nada mais de festas luxuosas, encomendas interessantes e a última moda de estilistas às custas do Estado.
Paola Daschmagan, essa saracura com cara de lua, simplesmente me rebaixou para um cargo burocrático de escritório com uma canetada após sua eleição como primeira terrana. Ao mesmo tempo, provavelmente também pegou a Divisão Secreta Zero, sobre a qual havia apenas rumores sob suas mãos. Essa pomba da paz não estava nem um pouco interessada no fato de eu usar minha pele para o bem público durante anos. Eu queria voltar para meu meio natural, mas a segunda mulher do horror frustrou meus planos. Gia de Moleon, a velha bruxa, fez de mim portadora de segredos e me colocou na administração interna para ficar de olho em mim, como ela dizia. É certo que eu estava bem ciente de alguns dos maiores escândalos antes da saracura, pois estive envolvido na descoberta.
Mas tudo isso já havia passado, e espero que um futuro interessante esteja à minha frente. O cristal de dados pendurado em volta do meu pescoço na forma de uma joia pecaminosamente cara garantiria que isso seria definitivamente muito lucrativo.
O pensamento sobre o fim triste no serviço da liga mexeu com o meu ânimo, eu estava livre. E finalmente houve a sensação de formigamento que eu sentia falta há tanto tempo. Involuntariamente, eu retesei os meus músculos e me coloquei em posição. Meu olhar deslizou sobre a coletividade que se espalhava em grupos soltos pelo saguão. Eu vi rostos gordos, carne flácida e o cheiro de galaxes, milhões de galaxes. Como o mundo era injusto, mas isso mudaria para mim agora, em breve, muito em breve. A velha febre da caça havia despertado. Quase fisicamente, eu senti os olhares avaliando meu corpo, eles deveriam, mas ninguém pousaria. Meu dinheiro suado era suficiente para a passagem de luxo para a BASE e então, como este bando de parasitas, eu estaria nadando em dinheiro.
Na BASE, eu me encontraria com Pfork, que abriria a porta para minha nova vida. Na minha mente eu vi novamente a figura atarracada do superpesado na minha frente, a quem eu deveria dar prazer na minha vida anterior em nome da velha bruxa. Bem, eu tinha sido bem-sucedido e me saí muito bem em todos os aspectos. Somente aqueles que já se envolveram uma vez com um homem adaptado ao ambiente, entenderão o que eu quero dizer. E então veio o meu dia de sorte, ou dependendo da perspectiva, o desastre final.
Nosso extasiado imortal mais uma vez fez um pacto com algumas forças superiores e queria, em sua ingenuidade, vender toda a Via Láctea para uma entidade estranha chamada Thoregon. Aconteceu da maneira que tinha que acontecer. Tudo deu errado e a catástrofe estava aí. Este Baluarte Heliotiano, que nome idiota, que deveria conectar a Terra com os mundos centrais daquela coalizão obscura, explodiu, trazendo-nos os dscherros, um povo nojento de criaturas semelhantes a porcos que saquearam e queimaram a Terra. Ao mesmo tempo, isso colocou todo o distrito de Alashan, incluindo a torre SLT e a velha bruxa, em lugar nenhum e minha chance apareceu.
Por um momento, eu fiquei tentada a arrumar minhas coisas às pressas e desaparecer em algum lugar da galáxia, mas o que isso teria feito por mim? Nada! Então, eu desenvolvi meu plano pessoal de longo prazo, é claro, não para o benefício de alguns superseres loucos, mas exclusivamente para mim. Ah, e pela primeira vez eu estava grato à velha bruxa. Depois que a saracura tirou a mim e a todos os meus colegas do caminho, a vovó Gia teve a gloriosa ideia de me levar a um treinamento intensivo como analista sintrônico. Com um sorriso presunçoso, ela explicou na época que eu deveria fazer algo útil para o SLT para meu salário pomposo no futuro, eu poderia ter torcido o pescoço enrugado dela naquele momento. Salário pomposo, para eu não rir! Isso era apenas migalha em comparação com os recursos disponíveis para mim durante meu tempo ativo como agente de operações especiais. No início, por uma questão de princípio, resisti com unhas e dentes, mas, em algum momento, acabei aceitando o cargo; afinal, não sou boba, e percebi a chance de, algum dia, dar o troco nessa burocrata moralista no topo da LTL. Além disso, meu instrutor pessoal era um intelectual de cabeça na nuvem, totalmente alheio à realidade, que eu consegui enrolar. Em pouco tempo, eu o tinha conquistado a tal ponto que ele literalmente comia na minha mão, e modo que eu me diverti bastante com essa brincadeira, inclusive no aspecto físico. Em suma, no final, a velha prostituta a serviço do SLT, com a ajuda ativa da vovó Gia, tornara-se uma analista sintrônica qualificada que, graças ao meu intelecto, era um mestre. Mas então ele desapareceu da minha vida junto com a velha bruxa. Bem, eu não sei como isso aconteceu, porque eu realmente gostava de seu tipo desajeitado, mas... não se fala mais nisso, não era para ser.
Durante o caos, deixado pela sucessão da velha, eu me apresentei, ao seu sucessor, cheio de responsabilidade pelo bem-estar da LTL, para oferecer-lhe minha ajuda na reconstrução do serviço da liga. Este estava aparentemente sob imensa pressão, porque sem verificar meu arquivo pessoal, ele me nomeou para ser a engenheira sintrônica chefe que incorporaria os bancos de dados centrais do serviço dos backups terceirizados para a nova sintrônica central na Lua. Eu estava agora na fonte e comecei a realizar meu plano pessoal de longo prazo passo a passo.
De repente, ouviu um som alto. Espantada, eu olhei para cima e testemunhei um espetáculo extraordinário. Uma multidão selvagem se reuniu em frente à recepção da SPACE ODDITY. Interessada, eu dei uma olhada mais de perto na horda e assobiei pelos dentes. Cerca de quinze adolescentes, provavelmente recém-desmamados do leite materno que nunca tiveram, gritavam a plenos pulmões. Depois de me concentrar no som estridente, entendi alguns fragmentos de palavras, que então se somarem em um texto razoavelmente significativo.
Ziggy Stardust, Ziggy Stardust, Iluminado, nos mostra o grande Hamiller!
Eu estava pasmo. Quem pelos demônios estelares arcônidas era Ziggy Stardust? E o que tinha a ver com o Payne Hamiller, há muito desaparecido?
Enquanto isso, na ilustre coletividade, que se espalhava esparsamente pelo saguão, houve muito barulho. E, eu não podia acreditar no que via, algumas bestas aperaltadas vieram e se juntaram aos adolescentes gritando. Por fim eu me levantei para obter um melhor campo de visão. Agora, finalmente, eu vi o objeto de desejo da multidão barulhenta. E novamente, eu fiquei pasma.
No centro das mulheres agora completamente enlouquecidas, uma figura masculina tornou-se visível, um cara de pele escura que tinha tomado banho quente demais quando criança. Ele provavelmente tinha acabado de passar as formalidades de check-in e virou-se para o clube de fãs idiotas.
— Calma, crianças, vocês estão bagunçando todo o clube aqui! — veio uma voz sonora que não combinava com essa risada de palhaço de um homem. Involuntariamente, eu comecei a examiná-lo. Grande e bem treinado, como parecia, mas com isso as qualidades positivas já estavam esgotadas. O resto era simplesmente ridículo, uma combinação absolutamente brilhante de mau gosto. Longos cabelos pretos trançados em rabo de cavalo caíam sobre os ombros. O rosto era embelezado por uma barba, que deve ter sido modelada em um dos antigos filmes de casaco e espada do período pré-industrial da Terra, que, remasterizados, eram exibidos nos canais infantis da Terra-One. Nós preferimos manter o manto do silêncio sobre o resto. Naquele momento ele se virou em minha direção e revelou sua visão frontal. E então, figurativamente falando, fiquei sem palavras. O cúmulo da falta de bom gosto eram as calças pretas, que, no sentido mais literal da palavra, estavam justíssimas ao corpo — que ego masculino desmedidamente exagerado! Mas então ressoou novamente aquela voz sonora, que, contra a minha vontade, me percorreu de ponta a ponta.
— Então, meus filhos, a hora da despedida infelizmente chegou, o ônibus espacial atracou para levá-los de volta a Terra.
Um gemido geral foi a resposta. Um típico representante deste clube adolescente aos berros pressionou-se contra seu ídolo e pressionou seu busto geneticamente ampliado contra ele. Fui obrigado a admirar aquela roupa totalmente maluca. Então sua voz estridente soou, aparentemente só funcionava no nível agudo.
— Ziggy, leve-nos com você, queremos estar com você e ser iluminados também!
Novamente o barulho foi ensurdecedor. Eu estava esperando ansiosamente para ver como o atleta sexual resolveria esse problema e não fiquei desapontado.
— Crianças, crianças, isso não é possível. O Grande Hamiller convocou-me, como vocês sabem para me trazer a iluminação cósmica.
Então, ele fez uma pausa teatral, ergueu as mãos como se fosse uma bênção, e então continuou.
— Como é que isso funcionaria se vocês continuam me distraindo? Mas tenho um presente para vocês, minhas crianças fiéis, assim que terminar minha peregrinação ao Grande Hamiller, participarei do campeonato solar no cinturão de asteroides, e... — ele fez novamente uma pausa teatral — todas vocês, minhas crianças fiéis, estão convidadas para a minha celebração da vitória e têm entrada gratuita!
Com estas palavras, ele puxou um baralho de um bolso lateral de seu longo casaco e o jogou no meio da multidão que gritava. E agora, a concorrência acirrada começou. Os adolescentes gritando tentaram obter um dos bilhetes com todo o esforço físico e até mesmo algumas das fragatas baratas participaram do espetáculo.
Um pouco mais tarde, o fã-clube maluco inteiro agarrou um dos bilhetes e começaram a seguir, como pequenos fantoches, os comissários que esperavam. E então novamente a voz:
— Entrem em harmonia cósmica, minhas crianças. O espírito do Grande Hamiller está com vocês!
Eu não sabia qual diabo estava me cavalgando, mas comecei a aplaudir e, gradualmente, toda a gentalha abastada acompanhou. Por um momento, o atleta sexual parecia totalmente desorientado, mas então seu olhar procurou o meu, olhos castanhos brilharam para mim e um sorriso malicioso flamejou.
Wes Golem
Finalmente eu me livrei daquela turma maluca de groupies. Aliviado, eu assisti aquelas garotas esnobes desaparecerem no poço antigravitacional central, que levava à eclusa polar inferior. Agora eu podia finalmente me concentrar em meu objetivo real. Eu adoraria me livrar de toda essa roupa de fantoche, mas Rebekka DeMonn estava certa, minha identidade disfarçada como Wes Golem era brilhante, ninguém suspeitaria de um agente do SLT por trás desse lunático.
Naquele momento, houve um forte aplauso. Eu observei desconcertado, quando mais e mais passageiros presentes juntaram-se à multidão de aplausos. O maquinador era uma jovem que estava em frente ao bar. Quase automaticamente, eu involuntariamente coloquei meu velho sorriso Will Dean. Uau! Tudo estava correto nela. Mas então percebi seu sorriso irônico. Naturalmente, eu tinha que aparecer para essa mulher elegante como o último idiota. Mesmo assim, eu simplesmente precisava tentar. Então, eu fui direto em direção a ela, embora eu tivesse que esquivar todos os tipos de barangas. Eu aproveitei a oportunidade para dar uma olhada nela mais de perto. E então, foi um clique, e mais um clique. Eu precisava de todo o meu autocontrole para evitar que minhas feições descarrilassem. De alguma forma eu pensei que tinha ido parar no holo errado. Lá estava a causa de todo o teatro, ou não? O exterior, a figura, o rosto, tudo estava certo, e mais uma vez não. Aquela expressão depreciativa, dura e calculista em meu rosto que cavou fundo em minha memória nas últimas semanas estava completamente ausente. Tudo sobre ela exalava uma autoconfiança e compostura que não se encaixavam na imagem que o material do SLT me transmitiu durante as instruções para a missão na Lua. A velha Celine tinha sua profissão estampada no rosto, mas essa mulher que sorriu para mim era exatamente o oposto.
Agora eu tinha alcançado ela e deixado o arrogante Wes Golem fora da coleira, embora o bom e velho Will estivesse muito mais perto de mim.
— Olá minha lind... — não, isto não funciona — então eu., eu sou We... Wes Golem e ficaria feliz se eu pudesse convidá-lo para... para uma beb... bebida. — eu gaguejei. O que havia de errado comigo, eu não era mais um menino imberbe implorando à sua amada pelo primeiro encontro, especialmente porque minha interlocutora era tudo menos uma virgem adorável.
Um sorriso límpido foi a resposta. Seus olhos brilharam para mim enquanto eu esperava ansiosamente sua resposta como uma adolescente em um primeiro encontro.
— Com prazer, eu sou Melody Travers e ficaria muito feliz em conhecer pessoalmente — ao mesmo tempo, seu sorriso malicioso brilhou novamente —, um herói tão famoso.
Mas, no momento, eu estava completamente fora de cena, de onde sai essa merda? Paraíso da Lemúria? E fora isso eu estava bem, certo? Mas então meu pobre cérebro começou a trabalhar freneticamente. Aquele charlatão ara me advertiu que algo assim poderia acontecer. As memórias enxertadas de Wes Golem me inundaram e de repente eu sabia exatamente o que significava a merda que eu estava me dando. Tão rápido quanto começou, acabou. Eu tinha meu cérebro de volta para mim, agora o diabo me montou.
Eu sorri para ela e pedi duas daquelas bebidas incrivelmente caras. Ela começou os preparativos de forma rotineira. Então voltei aos meus deveres oficiais.
Seu rosto radiante descarrilou, assumiu uma expressão depreciativa e disse condescendentemente: — Se essa é a sua cantada de sempre, devo dizer que é sem imaginação, batida e grosseira, extremamente grosseira. Você me da licença?
Então ela se virou e quis ir embora. Eu rapidamente agarrei o braço dela e respondi: — Melody, por favor! Não era essa a intenção, mas assim relacionado à bebida pedida.
Ela hesitou por um momento, mas então ela desistiu de suas tentativas defensivas contra a minha pegada. Seus olhos se viraram para mim, tentando ler meu rosto. Rapidamente eu continuei: O Paraíso da Lemúria é um coquetel feito de ingredientes únicos que inventamos durante as corridas no cinturão de asteroides. O campeão de uma corrida recebe como prêmio. Ele tem um efeito único, como você pode ver imediatamente se quiser me dar à honra de me fazer companhia.
Ela olhou para mim com ceticismo por um momento, mas então sua curiosidade parecia prevalecer.
— Bem, eu quero acreditar em você, Wes. A propósito, você pode me fazer um favor. Eu não gosto desse tratamento formal retrógrado.
Eu olhei para a garçonete e vi que ela tinha terminado seus preparativos e me olhou interrogativamente. Com um aceno de cabeça, dei-lhe o sinal de que a cerimônia poderia começar. Então me voltei para Melody.
— Venha comigo para o bar, eu lhe explicarei, a preparação é complicada e interessante.
Nós voltamos para o bar, naturalmente colocando meu braço em volta da cintura dela. Por um momento ela pareceu estremecer, mas ela me deixou continuar.
Nesse meio tempo, a garçonete havia ativado o cubo de energia moldada com a pequena dose, os dois copos de patanyx e uma garrafa de vurguzz.
Eu apontei para a garçonete que, nesse meio tempo, agarrou o campo de energia moldada, que se aconchegou a suas mãos como uma luva. Ela pegou a lata de tal‘gathor e tirou duas fatias da especialidade de fruta arcônida caríssima, cortando-as em pequenos cubos. Ela os distribuiu nos dois copos de patanyx. Melody se aconchegou a mim e observou atentamente o que aconteceu em seguida. Agora veio a segunda etapa, os cubos foram cuidadosamente cobertos com vurguzz e depois agitados. O licor, que agora havia se espalhado por toda a Via Láctea, começou a assobiar e se transformou em uma massa gelatinosa que envolveu os cubos de tal’gathor. — Então o campo de energia moldada foi desligado. Continuei minha explicação.
A supostamente tão obstinada serva do amor intensificou o contato corporal, que eu reconheci com uma mudança do meu braço para as regiões superiores do corpo. O chá quente foi cuidadosamente derramado nas duas xícaras e, em seguida, complementado com o licor de abrunho. Isso formou uma camada vermelha na mistura.
Celine Ahornd
Eu instintivamente me aconcheguei mais perto dele quando ele anunciou isso. Isso era uma promessa ou apenas uma falsa impressão? Não importa, eu decidi definitivamente ter certeza. Mas agora esse coquetel me deixou enfeitiçada novamente. De alguma forma, eu já tinha cedido mentalmente, mas essa abordagem completamente idiota me fascinou. Mas o que foi aquela observação sobre o veneno? Eu olhei para ele com um olhar franco e perguntei:
— Wes? O que você quer dizer com essa transformação de veneno para néctar?
Ele virou-se para mim, como que por acaso, a mão dele deslizou em meu mamilo. Droga, ele reagiu exatamente como era de se esperar. Ainda não, ele não ia ter vida fácil assim. Ele começou uma explicação complicada sobre a oxidação do oxigênio, transformação, mudança de cor e bolhas, que eu só ouvi com indiferença. Muito mais importante para mim eram os sentimentos que o contato físico íntimo com ele evocava.
Nesse momento, o grand finale parecia iminente, pois a garçonete colocou dois cálices diante de nós e se inclinou sobre o balcão, apresentando seu busto avantajado. Ao fazer isso, ela espirrou algo no líquido estranho, que imediatamente começou a borbulhar. No entanto, eu estava muito mais interessada no meu campeão de salto doido, pelo canto do olho tentei ver se aquelas acrobacias do avantajado busto diante de seus olhos o impressionara. Mas o olhar de meu galã permaneceu direcionado nos dois cálices borbulhantes. Em minha mente, eu aplaudi, passou no teste, o jogo poderia continuar.
Nesse meio tempo, a bebida tinha se acalmado e brilhava em um rico tom violeta. Apenas algumas bolhas eram visíveis na superfície. Eu esperei que finalmente terminássemos esse ritual idiota. Porém ele não se moveu. Bem, mesmo sendo mulher, eu tomei a iniciativa. Eu apanhei os dois cálices e coloquei na mão esquerda dele.
— Saúde, meu herói e meu exemplo!
Meus olhos fixaram seu rosto enquanto eu despejava a bebida na minha garganta. Mas algo não parecia estar certo. Suas feições descarrilaram e uma expressão de pânico surgiu em seus olhos. Algo aconteceu comigo, era como se meu tempo fosse extremamente acelerado e, ao mesmo tempo, a percepção aumentasse constantemente. Sem ação consciente, minha mão alcançou o cálice novamente e o conduziu a boca dele. Como se estivesse em câmera lenta, ele a abriu e a bebida também desceu por sua garganta. De alguma forma, por um pequeno momento, eu estava profundamente satisfeita. Finalmente, essa confusão estúpida ficou para trás e fomos capazes de encerrá-la.
Eu senti como se meus pensamentos estivessem saindo da minha cabeça, uma loucura, não é? Ao mesmo tempo, Wes me manteve ocupada. O que havia de errado com ele, ele dobrou de tamanho. Ele ainda estava usando essa roupa extravagante, mas ao mesmo tempo ele era alguém que parecia completamente diferente. Ambas as figuras moviam-se na mesma sala e pareciam um holograma. De repente, minha percepção se expandiu novamente. O acima e o abaixo, esquerda e direita perderam sua validade. O ambiente ficou distorcido e se tornou uma estrutura surreal. O bar sólido a minha frente tinha se transformado em uma forma que se movia de dentro para fora e de fora para dentro simultaneamente. Com outro canto do meu cérebro eu percebi que muitas das barangas estavam olhando para mim cheias de inveja e me desejavam doenças tão bonitas como lepra ou febre de mosaico no meu pescoço. Mas como eu sabia disso? Eu tinha me tornado uma telepata?
Então, novamente o Wes se duplicou. A expressão facial de pânico mudou e deu lugar a um sorriso feliz em ambas as cópias. E então, tudo acabou. Todos esses múltiplos níveis de percepção, que estavam acontecendo em meu cérebro ao mesmo tempo, se uniram e eu senti como se estivesse caindo em um abismo sem fundo. Tudo ao meu redor encolheu e por uma fração de segundo eu vi a SPACE ODDITY, que instantaneamente encolheu a um ponto no infinito, estrelas, a Via Láctea, aglomerados inteiros de galáxias ficaram atrás de mim, e finalmente eu olhei para uma esfera que flutuava com inúmeras outras esferas em uma substância indefinível, na qual bolhas se formaram, algumas explodiram imediatamente, outras permaneceram estáveis e inchadas.
Então eu estava em uma vasta planície, nua e deserta. Algumas das esferas explodiram acima de mim, sistemas solares inteiros apareceram e desapareceram, eu me sentei e olhei para o infinito. Então, esse algo indefinível ganhou substância, um lago se formou e de repente uma fogueira tremeluziu sob um céu estrelado grandioso. E ela sentou-se, uma velha cigana que aquecia as mãos nas chamas. Eu olhei para um rosto que parecia estranhamente atemporal. Um espírito poderoso e incompreensível me tocou como uma carícia e então tudo acabou. Eu estava de volta a SPACE ODDITY, a garçonete há pouco tinha começado a fazer uma pergunta e Wes, meu campeão indescritível e completamente estranho, brilhava como um bolo de nata.
Wes Golem
Eu vi ela pegar o copo e colocá-lo em seus lábios. Muito rápido, o oxigênio ainda não poderia ter totalmente conectado ao tal’gathor. Algo estava errado, completamente errado. Antes que eu pudesse reagir, ela terminou de beber, pegou meu copo e o levou aos meus lábios. Eu reflexivamente abri minha boca e engoli o líquido. Imediatamente o efeito se desdobrou. Sentimentos de felicidade me inundaram e memórias caleidoscópicas lampejaram. Eu instintivamente me concentrei e tentei capturar um determinado momento. O rosto sensual de Grace Silk parecia se inclinar sobre mim, eu quase podia sentir seu corpo aninhado contra o meu. Mas de repente acabou, eu tentei desesperadamente capturar o momento, mas a deusa prostituta da onda cósmica desapareceu novamente em minhas memórias. Mas o frenesi das drogas continuou. Na verdade, eu não deveria ter reagido, porque o departamento médico supostamente me imunizou contra todas as drogas conhecidas.
O ambiente mudou, ele estava em uma suíte luxuosamente mobiliada e não estava sozinho. Em seus braços ele segurava uma mulher que se aconchegou contra ele. Isso foi incrível, não poderia ser uma visão, ela realmente estava ali. Sob seus dedos ele sentiu a pele quente e macia que de repente ficou coberta de arrepios enquanto as pontas dos dedos exploravam sob o corpete quente. Ele viu o rosto dela por um momento antes de seus lábios pressionarem os dele e a língua entrar. Foi... indescritivelmente... a ponta da língua dela acendeu uma verdadeira tempestade de estímulos sensoriais ao longo do trato nervoso, todos concentrados na região lombar. Ele ameaçou se perder em um frenesi, mas, de repente, o rosto dela estava diante de seus olhos:
Celine Ahornd!
Isso foi pura loucura, seu alvo estava ao lado dele, sorrindo para ele, enquanto suas mãos puxavam o corpo dela para ele, levantou-a e se dirigia com ela em seus braços em direção à cama pomposa que estava no meio da suíte. Suas mãos estavam prestes a abotoar o corpete de seu vestido de noite, quando ela abria a bainha magnética de suas calças de grife.
Calças de grife? Eu não estava usando calças de grife, apenas as exibicionistas calças de couro chuary.
Ela se afastou de mim com um sorriso promissor e começou a puxar as calças para fora das pernas. As longas unhas pintadas de vermelho escuro correram sobre a pele exposta como se por acaso e enviaram estímulos sensoriais de formigamento pelo meu corpo novamente.
Unhas pintadas de vermelho escuro? Eu olhei para as mãos de Celine ao meu lado. Pintadas de vermelho escuro? As unhas bem cuidadas eram pintadas, mas com esmalte incolor!
Então, de repente, acabou. A dupla percepção se foi e ao meu lado estava a Celine habitual, que respondeu a pergunta da garçonete, se estava tudo bem.
*
Uma hora depois
Depois de uma conversa animada, nós deixamos o salão de entrada da ODDITY de braços dados. As imagens ainda giravam em meu cérebro. Eu descartei uma mera visão, os sentimentos e estímulos sensoriais eram simplesmente muito reais para isso. O tempo todo eu lutei se deveria falar com a mulher ao meu lado sobre minhas experiências. Eu não ousei, minhas sensações durante essa estranha intoxicação por drogas pareciam muito fantásticas e íntimas. Ela também não me deu nenhuma expressão para entender se tivera experiências semelhantes.
Nesse ínterim, nós chegamos ao distribuidor central do dispositivo antigravitacional e nos despedimos. Neste momento, um ordenança se dirigiu para mim de maneira importante. Com falsa simpatia, ele me entregou o convite para o jantar do capitão, no qual o capitão da ODDITY receberia pessoalmente o crème de la crème dos passageiros e os convidaria para um destaque culinário especial. Então, este janota ainda fez a observação de que a bordo da ODDITY dava-se ênfase especial a etiqueta apropriada. Merda, meu guarda-roupa inteiro certamente não combinava com uma coisa, que era a etiqueta apropriada. E então eu tive uma ideia.
Em dois passos alcancei Celine, que já estava a caminho de sua cabine. Ela não parecia ter correspondido aos critérios, porque o esnobe ordenança não tinha dado nenhum convite para ela. Eu toquei levemente no ombro dela e olhei para o rosto duro e calculista de Celine Ahornd. Mostrei-lhe o convite e pedi-lhe para se juntar a mim neste jantar. Durante meu pequeno discurso, pude ver a mudança em seu rosto novamente, a prostituta a serviço do SLT se tornou a fascinante femme fatale Melody Travers novamente. Ela pareceu lutar consigo mesma por um momento, mas então ela concordou. E então ela percebeu que nós ainda precisávamos de um guarda-roupa adequado para mim.
Neste momento, eu tive meu déjà-vu. Na cabeça, o convite para o jantar do capitão com etiqueta e roupas de grife apropriadas para uma percepção perturbadora: este estranho coquetel Paraíso da Lemúria deve ter me libertado do espaço-tempo e me ligado ao meu eu futuro; pura loucura!
O fim de uma viagem
Ladrão, trapaceiro, vigarista ou um somerense indignado
Caro convidado!
Em nome da companhia de transporte TSC, estamos felizes em dar-lhes as boas-vindas a bordo da espaçonave de luxo EMPRES OF OUTER STARS e desejar-lhe uma estadia agradável e bem-sucedida na BASE. Nós, a agência Starfire Brothers, oferecemos-lhe suporte completo durante suas merecidas férias e aventuras.
Você não está aborrecido com os procedimentos de entrada da direção?
Nós faremos isso para você!
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Se você quiser usar nossos serviços, basta confirmar este hipergrama e preencher o formulário indicado. Você não precisa fazer mais para tirar proveito de nossos serviços abrangentes.
Café da manhã com obstáculos
Sam cutucou irritado a mistura de grãos que ele preparou para o café da manhã no balcão de grãos. Já em sua juventude, ele decidiu renunciar ao consumo de alimentos de origem animal. Os somerenses eram na verdade, como os humanos, onívoros, mas ele via isso como uma expressão de sua reverência pela criação ao comer somente comida puramente vegetariana. Infelizmente, ele estava sozinho nessa visão.
A maioria esmagadora de seu povo permanecia presa aos hábitos alimentares primitivos do passado, quando os primeiros somerenses, como predadores dominantes de Som, exterminaram espécies inteiras. Pesquisas paleontológicas recentes em Som revelaram a terrível verdade de que entre as espécies extirpadas pelos primeiros somerenses havia uma espécie humanoide cujos esqueletos se assemelhavam aos encontrados na Terra. Era exatamente essa espécie que parecia ter sido a presa preferida dos ancestrais dos primitivos somerenses, como os achados arqueológicos de ossos claramente demonstraram. Só por essa razão ele declarou guerra à ave de rapina primitiva dentro dele.
Mas com dieta vegetariana para cá e para lá, esses grãos, que deveriam ser uma deliciosa mistura das melhores sementes e nozes, tinham um gosto terrível.
Naquele momento, ele notou que duas pessoas estavam se acomodando em sua mesa com comentários pouco lisonjeiros.
— Bom dia, embaixador, está servido?
Ele olhou para cima e viu o rosto sorridente de Sam Tyler. Ele tinha uma enorme porção de ovos batidos com bacon frito na frente dele, que ele literalmente mandava para dentro. Pior ainda, seu amigo, que desistiu dos ovos e sentou-se diante de uma montanha inteira de bacon gorduroso.
Enojado, ele respondeu: — Como você provavelmente deve ter notado, sr. Tyler, isso não me serve!
A pessoa a quem se dirigiu voltou-se para ele, mastigando, e agarrou a tigela com os grãos. Ele meteu a mão dentro da tigela e deixou alguns grãos e nozes escorrem através de seus dedos. Então ele fez uma careta de desgosto.
— Onde está o chef? — Sua voz profunda ecoou através da sala de jantar.
Um pouco mais tarde, um indivíduo ligeiramente sujo apareceu vestindo um avental de cozinha ao redor de seus quadris. Tyler o estudou por um momento com olhar afiado, estendeu a tigela de grãos e depois berrou: — O que isso significa?
O indivíduo se espremeu um pouco antes de responder constrangido: — Esta é a nossa deliciosa mistura de cereais matinais.
Tyler sorriu angustiado e observou presunçosamente: — Parece mais comida para porco. O sr. Embaixador espera um dejejum fresco. Fatias fritas de abobrinha e berinjela com uma grande porção de creme fraîche.
O endereçado acenou com a cabeça e desapareceu rapidamente.
Sam olhou de modo inquiridor para o terrano e Tyler explicou que uma namorada falecida tinha uma queda por pratos vegetarianos.
Um pouco depois, o chefe de cozinha reapareceu e serviu pessoalmente um extenso prato com vários vegetais grelhados.
Cuidadosamente, Sam provou e ficou satisfeito.
— Sr. Tyler, eu gostaria de lhe agradecer formalmente, sem sua ajuda, eu teria que ignorar o café da manhã. Mas... — ele parou por um momento, olhando para o mehandor barbudo — você não poderia dizer ao sr. Japar que seus hábitos alimentares deixam muito a desejar.
Tyler olhou para o somerense por um momento completamente perplexo, mas logo começou a rir.
— Há anos venho dizendo a ele que uma longa barba não substitui um guardanapo. Talvez se vossa excelência... — o resto foi afogado em outro ataque de riso.
Japar olhou para Tyler com um olhar desagradável — então respondeu mastigando: — Tyler, você sabe a minha opinião, o She’Huhan deu as mãos e dedos ao mehandor para desfrutar de seus dons. A única ferramenta que um mehandor usa ao comer é esta!
Ele puxou uma faca longa e perigosa, que ele jogou sobre a mesa com um movimento de mão rápido para que a ponta perfurasse profundamente no plástico barato.
Sorrindo, ele voltou-se para o somerense: — Excelência, sr. Embaixador, este é o único talher que um homem de verdade precisa!
Descobertas
Sam sentou-se em sua cabine, perguntando-se se deveria usar os serviços desta agência, cujo anúncio de intercomunicador havia aparecido no terminal da comunicação a bordo em frente a ele. Os serviços oferecidos pareciam interessantes para ele e, ele esperava, pelo menos permitiria que ele não chamasse a atenção na BASE. Particularmente esta viagem de aventura parecia promissora a esse respeito.
No exato momento em que estava para preencher o formulário de contato, ele foi perturbado. Batidas fortes na porta de comunicação e ela foi aberta. Indignado, ele quis repreender os intrusos, mas aquele terrano magro Tyler já havia entrado em sua cabine. Um mehandor, de cabelos ruivos, se espreguiçou sorrindo na porta aberta e coçou a trança de cabelo que ia de seu rosto até a barriga protuberante.
Tyler sentou-se sem ser convidado em uma cadeira e olhou para o somerense com um rosto contraído.
— Sr. Embaixador, o que você realmente quer na BASE?
Esta pergunta surpreendeu o Sam completamente. Um pouco hesitante, ele repetiu a história de cobertura preparada. Porém, Tyler o interrompeu após algumas palavras.
— Vamos conversar sem rodeios.
Depois de uma breve pausa, ele disparou a próxima pergunta.
— Você conhece Perry Rhodan pessoalmente?
Mais uma vez, Sam ficou completamente surpreso.
— Bem, é claro que eu o conheço, sr. Tyler, bem, sim, como todos os cidadãos do Galacticum.
O terrano balançou a cabeça com desaprovação.
— Japar e eu não vivemos em outra galáxia. Você e Rhodan não eram exatamente estranhos na LONDON.
Sam sabia quando ele devia desistir.
— Bem, então você sabe que Perry Rhodan e eu compartilhamos aventuras juntos e encontramos novos amigos nos saggittonenses. Mas eu não entendo o que o sr. Rhodan tem a ver com minhas pesquisas antropológicas e culturais.
Tyler sorriu satisfeito e virou-se para o mehandor.
— Japar, você poderia nos trazer algo para beber? E não se esqueça do suco de frutas para o sr. Embaixador.
O mehandor sorriu brevemente, entrou na cabine e voltou um pouco depois com duas grandes canecas de cerveja e uma garrafa de suco de uva.
— Então, sr. Embaixador, agora podemos começar. Você está a serviço de Camelot, certo?
— Sr. Tyler, isso é absolutamente errado. Eu estou agindo em meu próprio interesse e não sou pago por ninguém.
Tyler riu alto.
— É uma especialidade do seu povo mentir para dizer a verdade simultaneamente?
Tyler estudou o somerense e tomou um grande gole de cerveja.
— Bem, eu entendo que eu tenho que dar um avanço de confiança. Normalmente não sou um grande falador, mas, por favor, ouça uma pequena história. Ela não desempenha um papel na grande política galáctica, mas é extremamente importante para mim e para meu amigo Japar.
Tyler pigarreou como se fosse desagradável para ele repeti-la.
— Anos atrás, em uma vida diferente, Japar e eu dirigíamos uma pequena agência de diligências investigativas. Na época, nós éramos quatro, Japar e sua parceira Roandra, que era responsável pelo trabalho de secretária. Eu e Eileen. Sempre que as organizações policiais planetárias estavam no fim de sua linha ou não tinham as habilidades necessárias para investigar mais, éramos engajados. Ao longo dos anos, construímos uma reputação quase lendária, o que nos levou a nos envolvermos nas maquinações das elites governantes. Em suma, ocasionalmente, nós precisávamos pisar fortemente nos pés desses senhores, com o que, naturalmente, esses não ficaram muito entusiasmados. Por fim, alguém achou que devíamos sair de cena.
Tyler fez uma pausa e parecia estar mergulhado em memórias. Japar deu-lhe um tapinha amigável no ombro e perguntou: — Eu devo continuar, Sam? — Porém, Tyler balançou a cabeça negativamente.
— Não se preocupe, Japar, está tudo bem. São apenas lembranças... Está tudo bem, a agência era baseada em Plofos e era onde Roandra ocupava o posto de trabalho quando nós não estávamos.
Então, em uma terça-feira de maio, nós recebemos uma tarefa. Não havia nada que sugerisse que era mais do que uma tarefa de investigação normal e então caímos na armadilha. Um industrial plofosense deveria submeter à sua vontade a alguém, sua filha de quatorze anos foi sequestrada e ameaçada de vendê-la a uma rede de pedófilos. Porém, o que nós não sabíamos, entretanto, é que toda essa história nada mais era do que uma farsa para nos entregar ao inimigo. Logo encontramos as primeiras pistas e, em nosso excesso de confiança, não percebemos que tudo estava muito fácil. Nesse contexto, Roandra se deparou com uma organização criminosa na rede galáctica, que aparentemente surgiu na Terra na década de 60 e que começou a se espalhar pela galáxia como um polvo.
Tyler fez uma pausa na narração e fixou os olhos do somerense.
— Você tem interesse no nome desta organização, excelência?
Sam acompanhou a história da vida do terrano ansiosamente e assentiu com a cabeça concordando.
— Bem, você deve conhecer muito bem o nome, se minha suposição de que você está trabalhando para o Camelot esteja correta. É a Mordred, a pior organização criminosa que a galáxia já viu.
Como se estivesse mentalmente ausente, o somerense começou a coçar as penas de sua cabeça, enquanto olhava para Tyler com os olhos arregalados.
— Agora, sr. Embaixador, você ainda quer apenas estudar a cultura na BASE?
Sam balançou a cabeça e disse resignando: — Você está certo, sr. Tyler, eu estou no serviço de Camelot e estou seguindo algumas pistas de que a Mordred está planejando uma grande operação lá em breve. Mas, eu ainda estaria interessado, se não te sobrecarregasse muito, como terminou a história de sequestro?
— Quando Roandra se deparou com a pista da Mordred, Japar e eu infelizmente não estávamos em Plofos, pois nós estávamos investigado em uma direção diferente. Mas Eileen estava lá e infelizmente começou a seguir a pista até Lepso sozinha. Ela se disfarçou como prostituta e queria se infiltrar nos círculos correspondentes. Japar e eu a seguimos o mais rápido possível, mas chegamos tarde. Em Lepso, nós só encontramos seu corpo horrivelmente maltratado. Eles tentaram nos matar também, mas por desespero e raiva conseguimos escapar. Nós voltamos para Plofos o mais rápido possível, porém chegamos atrasados novamente. Alguém destruiu completamente nosso escritório e destruiu todas as informações que Roandra reuniu sobre a Mordred. Não havia nenhuma pista dela. Até hoje nós não sabemos se ela ainda está viva. Desde então, nós tentamos cuspir na sopa da Mordred.
Galax, galax acima de tudo
O pequeno grupo de Sam, Tyler e Japar haviam conversado e Sam havia disponibilizado todas as informações que ele possuía. Tyler e Japar passaram a servir oficialmente como guarda-costas do somerense.
Enquanto isso, a EMPRES OF OUTER STARS aproximou-se da BASE. O sistema de intercomunicação de bordo anunciou a possibilidade de acompanhar a aproximação ao vivo na sala de jantar, que foi convertida em um holoteatro, por apenas 5 galaxes por pessoa.
Sam ficou extremamente indignado com essa oferta e foi difícil para Tyler impedi-lo de reclamar diretamente ao capitão sobre a exploração dos passageiros. Por fim, ele se acalmou um pouco e estava disposto a pagar o preço exigido para os três.
Um pouco depois, eles entraram na sala de jantar depois de pagar 15 galaxes para admissão. O salão oferecia uma impressão completamente triste, as mesas tinham sido simplesmente colocadas juntas no meio e as cadeiras agrupadas ao redor delas. Relativamente poucos passageiros se perderam na sala deserta. A maioria deles provavelmente se esquivou das despesas em antecipação às experiências na BASE. No momento, havia um programa de publicidade onde estabelecimentos individuais da velha nave de longa distância da Humanidade eram divulgados de forma sensacionalista. Finalmente esta chegou ao fim e uma projeção holográfica do sistema Bedden apareceu sobre suas cabeças. Uma voz de autômato sem alma nomeou os dados astrofísicos mais importantes do sistema, informação que cada passageiro poderia ter obtido gratuitamente através da rede galáctica. Uma linha vermelha simbolizava o curso da nave, que entrava no sistema em um ângulo de 45 graus com a eclíptica. Sempre que a órbita de um planeta foi ultrapassada, a representação deste planeta substituiu a holoimagem geral. Assim, ficaram sabendo, por exemplo, o maior planeta do sistema, Stiftermann V, era um gigante gasoso que orbitava sua estrela central a uma distância média de 171 milhões de km em 587 dias-padrão. Em suma, todo esse programa de informações era muito enfadonho. Só no final houve um pouco de tensão quando a representação esquemática foi substituída pelas imagens do voo de aproximação em Stiftermann III. Mas isso passou rapidamente, a voz convocou os “honrados” viajantes para se prepararem para desembarcar em Tesscron, o novo espaçoporto construído durante a Liga Hanseática.
Um pouco depois, eles estavam em uma longa fila no terminal de liberação do espaçoporto. Mais uma vez, Tyler e Japar impediram Sam de reclamar em voz alta. Cada um dos passageiros teve que pagar uma taxa portuária de 10 galaxes. Além disso, como ápices da roubalheira, uma estada obrigatória de um dia com pernoite em um hotel turístico, que custou a totalidade impressionante de 80 galaxes. Eles testemunharam um passageiro reclamando em voz alta para um representante dos irmãos Starfire, porque lhe foi cobrado um total de 120 galaxes pela taxa portuária e pernoite. No entanto, dois membros do serviço de segurança rapidamente paralisaram seu protesto, prendendo-o à força e imobilizando-o usando os chamados bastões neurológicos.
Então Tyler explicou a Sam que a viagem já estaria terminada para ele, porque ele passaria o tempo até seu voo agendado de volta em uma cela, onde ele também teria que pagar um “subsídio para despesas” de 1.000 galaxes. Esse era exatamente o valor que cada visitante da BASE tinha que transferir antecipadamente ao consórcio no momento da reserva da viagem.
Sam, Tyler e Japar registraram-se em um hotel turístico chamado Beddens Sun, era uma pensão barata do tipo mais primitivo.
Visita a um velho amigo
A TAKVORIAN alcançou a borda de um sistema solar desconhecido antes de Joak Cascal deixar o encouraçado SUPERNOVA sair do vórtice metagrav. A bordo, havia muitas suposições sobre o que o capitão da nave realmente queria ali. Cascal permaneceu muito misterioso quanto ao propósito do voo. Ele pessoalmente inseriu os dados do curso para o voo metagrav na sintrônica de bordo e bloqueou os dados de navegação para acesso geral. Até mesmo a primeira-oficial Coreene Quon foi deixada no escuro por ele. Apenas Sandal Tolk parecia saber, porque uma e outra vez um sorriso esperado cobria o rosto do ex-bárbaro de Exota-Alpha.
O sistema desconhecido deixou uma impressão completamente inacessível. Apesar dos mais modernos sistemas de localização e rastreadores, o departamento de astrofísica não foi capaz de detectar quaisquer sinais de um planeta. Incontáveis detritos planetários que circundavam esfericamente a estrela central, transformando um voo para o interior do sistema num verdadeiro voo suicida. Cascal passou o comando a Coreene Quon e deu a ela a ordem expressa de esperar no espaço interestelar em modo de hibernação até que ele e Tolk retornassem. Em seguida, eles embarcaram em um space-jet e estabeleceram um curso que os levaria através do caos de escombros.
*
A espera a bordo da TAKVORIAN tornou-se insuportável. Coreene Quon, que normalmente era uma pessoa calma, caminhava impacientemente de um lado para outro entre o departamento de astrofísica, a sintrônica de bordo e a central de comando. Por mais de 20 horas, Cascal e Tolk desapareceram no caos de detritos planetários, planetoides e cometas que cercavam o sistema como um campo defensivo natural. Ela tentou determinar a posição do sistema, porém a sintrônica, citando ordens de alto nível do comandante, recusou-se a determinar qualquer posição com base nos pulsares conhecidos. O departamento de astrofísica poderia apenas restringir a posição, eles estavam em algum lugar no halo da Via Láctea. Os bancos de dados tinham apenas informações muito vagas sobre esta área, normalmente esta região pertencia ao domínio dos pos-bis.
Mais horas se passaram. Então, finalmente chegou a hora. Um curto sinal de rádio normal anunciou o retorno do space-jet. Empolgado, a primeiro-oficial foi com alguns outros membros da tripulação da ponte para o hangar do space-jet. A entrada pela eclusa acabou de ser concluída e o hangar foi inundado com atmosfera novamente. Da eclusa de solo saiu primeiro um Tolk sorridente, que carregava uma menina nos braços e, em seguida, uma pessoa desconhecida do sexo feminino. O comandante veio em seguida, que também saudou o comitê de recepção com um grande sorriso.
Coreene olhou para a desconhecida. Apenas seu autocontrole de ferro evitou que seu rosto descarrilasse ao ver a mulher estranha.
Cascal sorriu provocadoramente para sua primeira-oficial e apresentou seus convidados.
— Coreene, gostaria de te apresentar a capitã aposentada Mary Ann Shekko e sua filha adotiva, Hope.
O plofosense olhou para a mulher um pouco mais de perto. Mary Ann Shekko devia ser uma terrana adaptada ao ambiente, no entanto, sua estrutura corporal não se adequava a nenhuma variedade conhecida de indivíduos adaptados ao ambiente. Ela estimou sua altura em mais de dois metros, mas a figura era relativamente esguia, o que não era aplicado nem para epsalenses nem para ertrusianos. No entanto, o topete em forma de foice ocre que descia pelas costas largas até as nádegas indicava que ela pertencia ao grupo étnico ertrusiano. Mas acima de tudo, o que mais enfureceu a primeira-oficial foram as roupas invasivas. Calças pretas justas feitas de um material parecido com couro modulavam todos os músculos abaixo da cintura. Ela usava uma espécie de espartilho sem mangas feito do mesmo material, que só cobria incompletamente seu busto considerável. Além disso, havia um equipamento quase marcial que parecia totalmente fora de lugar a bordo de uma espaçonave. Em volta da cintura, ela tinha um cinturão de arma, no qual as duas poderosas coronhas de armas que emitiam uma ameaça imanente. O punho de uma espada longa ainda era visível sobre o ombro esquerdo, que uma pessoa normal provavelmente não conseguiria levantar com uma mão. E então, o rosto. Toda a metade direita do rosto estava desfigurada por cinco cicatrizes pretas com vários piercings. No lado esquerdo, entretanto, uma cicatriz inclinada e mal curada dividia a bochecha.
Além disso, sua filhinha adotiva parecia um anjinho. Coreene estimou sua idade em três a quatro anos. Olhos azuis brilhantes olhavam ao redor com curiosidade, enquanto o rosto bonito era emoldurado por uma juba selvagem de cabelo dourado. Internamente, Coreene ficou indignada, como seria possível que uma pessoa tão questionável, como esta Shekko, recebesse a custódia de uma garotinha? Ela resolveu ter uma conversa séria com Cascal, uma garotinha simplesmente pertencia a uma família real que a amava e lhe ensinou moralidade e decência, o que certamente não poderia ser o caso dessa pessoa.
Aproximadamente vinte horas depois
A primeira-oficial havia se retirado para sua cabine, todo o teatro a deixava muito nervosa. Cascal e Tolk haviam decolado novamente com um space-jet para o interior deste sistema estranho, levando Shekko e sua filha adotiva de volta ao seu esconderijo secreto, depois que o ex-analista de sistemas de armas da Frota Solar reconstruiu completamente os códigos de controle do campo de batalha. As simulações subsequentes provaram, inclusive, que a eficiência dos sistemas de controle de fogo havia sido aumentada em cerca de 7% com a reprogramação. Embora isso dissipasse suas reservas profissionais, ela ainda desconfiava da integridade dessa pessoa duvidosa.
Entrada no diário de bordo 2245, Coreene Quon
Com minha insistência constante, eu finalmente recebi informações gerais sobre o Império Zero, mas não poderia falar com ninguém sobre as informações. Neste momento, ficou claro para mim que devia haver mundos entre o antigo Império Solar e a atual Liga dos Terranos Livres ou mesmo Camelot. Era completamente incompreensível para mim que, há mais de mil anos, pessoas com integridade moral, como os imortais que estavam à frente de Camelot, tivessem recorrido a tais medidas moralmente questionáveis, para as quais esta Shekko, com o apoio do Cascal, havia solicitado minha aprovação. Bem, eu cedi à pressão e concordei em receber um hipnobloco com um psicorradiador que esta pessoa questionável de repente conjurou como por mágica. Aliás, isso me mostrou que...
Huh... que merda estou escrevendo agora? Império Zero? Que besteira! Psicorradiador? Eles foram proibidos há muito tempo e até mesmo os documentos de construção foram destruídos.
Exclua a entrada no diário de bordo 2245, sem backup! Autorização Quon, primeiro-oficial!
FIM
Os outros eventos que se centram nas pessoas acima são descritos no Volume 19. Sruel Allok Mok e Will Dean encontram uma conspiração sombria que foi varrida para debaixo do tapete anos atrás dentro da LTL. O volume 19 é novamente escrito por Jürgen Freier e é intitulado: O CAMINHO DO OXTORNENSE.
COMENTÁRIO
Assunto particular
Em primeiro lugar, peço desculpas a todos os amigos fãs do projeto Dorgon pelo fato de que mais de um ano se passou desde o lançamento do último volume da nova edição.
Devido a problemas de saúde, não pude por meses me concentrar e trabalhar continuamente no texto do presente romance. No entanto, espero ter superado esses problemas e que os romances seguintes, cujo conteúdo já foi elaborado, possam ser publicados em um período de tempo razoável.
A trilogia BASE
O presente volume apresenta uma trilogia completamente reescrita, cujo foco estará na antiga nave de longa distância da Humanidade, a BASE. Neste primeiro volume, os atores mais importantes serão apresentados em detalhes, que se encontrarão na nave expedicionária, que foi convertida em um salão de jogos. Na verdade, o campo de jogo futuro é preparado por este volume. No entanto, como o título já anuncia, o foco do romance seguinte será na pessoa e na carreira de um dos atuais portadores de ativador. O terceiro volume redirecionará para os volumes “antigos”, que então formará a conclusão do ciclo Mordred. No entanto, nós conheceremos outro atual portador de ativador.
Jürgen Freier
Will Dean
O Agente da STL Will Dean por (C) Gaby Hylla
O terrano com raízes afro-americanas vem de uma família que pertence à elite industrial da LTL. Ele desfrutou uma infância protegida em que, pelo menos financeiramente, nada lhe faltou. Seus pais esperavam que ele seguisse os passos do pai depois de se formar na faculdade.
Porém, desde muito jovem, Will era cheio de ideais e queria se colocar a serviço da Humanidade. Depois de concluir sua graduação, mudou-se para a Academia Espacial de Terrânia. Lá, o SLT tomou conhecimento do jovem estudante e se ofereceu para levá-lo ao serviço da Liga depois de completar seu treinamento. Dean concordou, já que holosséries sobre a Divisão III da Segurança Solar tinha sido uma de suas séries favoritas em sua infância.
Dentro do SLT, ele começou sua carreira como candidato à agente e foi designado para Stewart Landry, um descendente de seu ídolo de infância Ron Landry. Durante o treinamento, seu mentor se torna seu amigo paternal, que ele, para grande aborrecimento da chefe do SLT Gia de Moleon, escolhe como modelo em todos os assuntos. Juntos, os dois passaram a frequentar os inseguros bares locais de Terrânia durante seu tempo livre e Will, como seu modelo, ganha a reputação de um notório destruidor de corações.
A carreira dele estremeceu quando conheceu Grace Silk, cantora do grupo Intercosmo, e se apaixonou por ela durante uma operação contra o cartel de drogas dos Guerdianos Galácticos. Juntos, eles passavam noites selvagens e ele afundou, pelo menos na opinião de De Moleon, no pântano das drogas. Ele recebe uma advertência séria por corrupção sexual e é usado apenas para operações de rotina.
Mas seu treinamento está finalmente completo e seu exame final é iminente. O ponto focal está no processamento independente de um tópico selecionado. Depois de uma extensa visita a vários bares, ele passa a noite com seu mentor e não resiste à tentação de entrar nos bancos de dados da SLT usando os códigos de acesso de Stewart Landry. Mas os programas de proteção de dados registram seu acesso não autorizado. Sua carreira finalmente acabou. De Moleon assume a função de mentor e seu antigo mentor é rebaixado.
Nos anos seguintes, ele é emprestado à unidade especial contra crime organizado e presta serviço de rotina.
Nascimento: 23 de abril de 1266 NCG
Local de nascimento: Filadélfia, E.U.A., Terra
Altura: 1,86 metro
Peso: 76 kg
Cor do olho: castanho
Cor do cabelo: preto
Observações: alto, atlético, afro-americano, carismático, amigável, muitas vezes propenso a fazer brincadeiras e piadas, mesmo em situações perigosas, no entanto, sua natureza rebelde muitas vezes o coloca em apuros.
Romano Nelder
O mashratano passou sua infância em um pequeno vilarejo em uma província desolada, longe da capital Vhrataalis. Aos 8 anos, o rabmulla do vilarejo tomo ciência do menino brilhante. A partir de então, a igreja do deus trino determinou seu caminho de vida futuro.
Após a celebração de Tuffa-Jab-Jab aos 12 anos, ele foi preparado para ser um guardião de Vhrato e deixa sua aldeia para ser educado em Vhrataalis. Ele se tornou um partidário fanático da religião do estado.
Nascimento: 12 de agosto de 4.856 (1269 NCG)
Local de nascimento: vilarejo sem nome, Mashratan
Altura: 1,72 metro
Peso: 62 kg
Cor do olho: negro acinzentado
Cor do cabelo: preto
Observações: magro, ascético, fanático seguidor da religião, medo elementar de sedução pela “Mirona Negra”, ódio de tudo que é feminino.
Celine Ahornd
Crescendo nas favelas de Nova Amsterdã, em 1276 NCG o SLT tomou conhecimento dela quando uma gangue de garotas foi desfeita, onde elas seduziam homens ricos como “colegiais” que foram brutalmente roubados. A autoridade que cuidava da juventude em Nova Amsterdã a classificou como moralmente desleixada e não socializável. No entanto, ela foi enviada para um campo de reabilitação, onde foram feitas tentativas de quebrar sua vontade com violência e drogas psicotrópicas. O SLT monitorou e controlou as medidas tomadas para testar sua resiliência. Ficaram satisfeitos e ofereceram a ela uma saída para entrar no serviço da liga como agente de operações especiais.
Sob a designação inócua de Serviço de Operações Especiais, o SLT, semelhante à Divisão Zero, operava bordéis estaduais durante as administrações de Grigor e Eavan e empregava “agentes” particularmente qualificados de mulheres ou homens em “alvos” particularmente interessantes.
Esta prática terminou só depois da eleição de Paola Daschmagan como primeira terrana, que dissolveu Serviço de Operações Especiais, bem como a Divisão Zero, como uma das suas primeiras medidas domésticas.
Nascimento: 12 de agosto de 1261 NCG
Local de nascimento: Nova Amsterdã, Província da Europa, Terra
Altura: 1,78 metro
Peso: 64 kg
Cor dos olhos: verde
Cor do cabelo: castanho (natural)
Observações: fria, sensual, calculista, buscava seus próprios interesses, nunca demonstra os verdadeiros sentimentos, mas sabia como interpretar todos os desejos das mulheres com maestria.
1 Nota do tradutor. Barba estilo Van Dyke é um cavanhaque combinado com, mas desconectado de, um bigode. O resto do rosto é deixado completamente liso.
2 Nota do revisor: Precioso tecido azul, usado, entre outras coisas, para o vestido de noiva de Mory Abro (PR199).
3 Nota do revisor: Esse parágrafo é recheado de referências a itens de moda e cosméticos da série. Veja mais em https://www.perrypedia.de/wiki/Mode_und_Kosmetika. Alias, a descrição do personagem, tirando alguns exageros, lembra muito o Kantiran da Vivo-Rhodan, vide capa do PR2200 em https://www.perrypedia.de/wiki/Datei:PR2200.jpg
4 Nota do revisor: Trino significa apenas “três em um” ou composto por três, enquanto triúno junta a ideia de três com a unidade (três em um só ser), sendo muito usado para falar de Deus na religião. Apesar do contexto de Mashratam, as 3 religiões foram mescladas e não se tratam de uma religião trina no sentido literal. Por isso traduzimos sempre como trino.
5 Nota do revisor: literalmente grande irmão coronel. Em Dorgon, os masharatanos são uma grande confusão de ditadura opressiva misturada com a religião do vhratoísmo e religiões diversas terranas que propositalmente mantém sua população em estado de “primitivismo arcaico” e intolerância religiosa em relação ao restante da humanidade.
6 Nota do tradutor: Imprensa marrom é uma expressão de cunho pejorativo, utilizada para se referir a veículos de comunicação (principalmente jornais, mas também revistas e emissoras de rádio e TV) considerados sensacionalistas, ou seja, que buscam elevadas audiências e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos, sem compromisso com a autenticidade.
7Nota do revisor: Lermur’s Heaven no original, que mistura alemão e inglês. Então estamos fazendo uma tradução transliteral em vez de “Lemúria Heaven”.
8 Nota do revisor: a frase tem uma conotação sexual… do tipo, “você já atingiu o orgasmo alguma vez?”
9 Nota do revisor: Mais uma vez, os autores de Dorgon trazem itens culturais de nicho da série, que somente um fã muito atento poderia saber… Tal'gathor é uma iguaria do Grande Império, e seu “complicado” processo de degustação é descrito no Atlan ATB17 – Mundo Infernal. Detalhes em https://www.perrypedia.de/wiki/Tal%27gathor
10 Nota do revisor: No mesmo estilo, dessa vez com um chá bem peculiar. Ele aparece no Atlan 222/83 – As Asas de Aço de Orxh, que ainda será traduzido pelo Projeto Traduções no subciclo Ácon-Ácon: 82 ao 114 – 33 volumes.
11 Nota do revisor: O Licor Pacharan La Navarra, foi desenvolvida na Espanha, e após passar por alguns processos de produção, apresenta coloração vermelha, ao nariz, entrega aroma de anis e frutas. Na boca, é uma bebida fresca, muito versátil, e de acabamento persistente.
12 Nota do revisor: no contexto da série, realmente é uma bebida bem cara não? Tal‘gathor, chá argyrt e licor Patxaran… Talvez o mais caro de todos seja o Patxaram, já que em pleno 1260 NCG estamos em 4848 DC, ou seja, depois de todas as crises que arrasou a Terra, deve ser um licor tão raro que custo os “olhos da cara”, similar ao conhaque Napoleão, bebida favorita de Bull, que provavelmente só os imortais ainda têm algumas garrafas.